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Finalmente o governo assume seu lado bolivariano: produzindo camisinhas (que não funcionam)

Ou é a melhor piada do dia, ou o Adolfo acaba de dar a manchete do mês. Sem comentários exceto que: i. desta vez os economistas do governo jogaram no lixo a teoria econômica básica sobre bens públicos e ii. o povo defensor da tal política industrial tem que ser muito doido para dizer que é um setor estratégico. Não fosse tragicômica, seria trágico. Ou o oposto.

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A economia política do Gramscismo – II

Desta vez, sob outro ângulo, o Fabiano, do Resistência, faz uma arguta crítica da dupla personalidade um colunista famoso. O problema do jornal é sua rotina diária (ou semanal). Ao contrário da pesquisa científica – que também pode incorrer (e incorre) em erros – uma coluna de jornal exige muito em pouco tempo e ainda há a questão da popularidade, mais presente e dos interesses excusos que dão um por fora para a veiculação de certas opiniões.

Tudo isto faz parte da vida e é por isto que gostamos de concorrência: ela mitiga estas imperfeições do pensamento dos colunistas. Contudo, no Brasil, esta concorrência ainda é muito pequena, comparativamente a outros países. Talvez uma fonte de críticas interessante seja a blogosfera, mas apenas a que pensa. Esta é outra crítica necessária: a blogosfera tem uma visão de si muito parecida com a que os editores de jornal têm de si mesmos.

De qualquer forma, a crítica do Resistência é de fazer pensar…

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Matemática, na selva, precisa de “defesa” senão vão dizer que não tem “função social”

Reproduzo na íntegra o que o Laurini diz (via Erik, que também cansou da preguiça mental):

Defesa da Matemática

Alguns têm preguiça de clicar nos links, por isso reproduzo na íntegra o belo argumento do Professor Laurini:

Aproveitando a leitura do Eu Sou a Lenda, fico vendo assustado o ataque das criaturas das trevas. As criaturas das trevas são aqueles “intelectuais” que nos momentos de crise saem de suas cavernas para pregar que as ferramentas da modernidade devem ser queimadas.
Deixando mais claro, estou me referindo aos “economistas” heterodoxos que vem pregar que a teoria econômica não pode ser aplicada ao Brasil, e que a abstração matemática não deve ser utilizada em problemas econômicos e sociais.
Fico imaginando um grupo de engenheiros que pregasse que não devemos fazer cálculos quando contruímos um edifício ou uma máquina. Ou um médico que tentasse curar seus pacientes sem pesquisas ou exames.
Mas estes nobres intelectuais pregam que as ferramentas matemáticas não podem ser usadas em economia – que toda a análise econômica deve ser feita através das “idéias”, sem formalização matemática.
A formalização matemática é essencial, já que é uma linguagem que permite verificar as possíveis contradições e falhas em nossos argumentos, e principalmente o quanto é possível generalizar os resultados. E para isso é importante que seja possível ter sempre uma linguagem mais completa, mais poderosa, para que possamos análisar problemas cada vez mais complexos.
E isto é um fato – o uso de matemática, probabilidade e estatística possibilitaram o imenso desenvolvimento da ciência econômica e a complexidade dos problemas que ela pode analisar. Como um exemplo temos a teoria de design de mecanismos, uma teoria altamente abstrata mas com importantes aplicações em política econômica e incentivos. Ou então todo o desenvolvimento da teoria de finanças.
Eu acredito que estas manifestações sejam os últimos gritos de agonia da heterodoxia econômica no Brasil. É visível que o número de jovens economistas heterodoxos é cada vez menor. Os motivos para esse fenômeno são claros. O principal é que é evidente que políticas econômicas heterodoxas sempre foram um fracasso (e o fato de que a política macroeconômica atual no Brasil seja totalmente ortodoxa é um sinal claro disso). O segundo ponto é que os economistas heterodoxos só conseguem publicar nas suas próprias revistas. E isso não ocorre por viés, mas pelo fato de que seus argumentos não resistem a análises mais robustas. Matemática mais avançada serve para formular questões mais complexas – é apenas essa matemática que permite modelos com agentes heterodoxos, racionalidade limitada, modelos com múltiplos equilíbrios, etc.
Quanto a crise dos mercados subprimes – esta crise não aconteceu por excesso de matemática, mas pela falta dela. Essencialmente precisamos de modelos mais complexos para capturar a dependência assimétrica que existe no mercado de mortgages e crédito.

Este é um problema que muita gente precisa resolver, inclusive alguns economistas liberais mais raivosos. Matemática, como sempre, não é questão de fé. É questão de tecnologia: é sempre boa para sua vida e você deve ter neurônios suficientes para saber como usá-la. Simples assim.