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Se isto não é uma questão empírica, sou o rei do Sião!

Trecho:

Na avaliação do BC, a atual estrutura produtiva do País não sustenta um crescimento no ritmo dos primeiros meses deste ano, na casa dos 6%. Por isso, considera que está na hora de colocar o pé no freio e reduzir, mesmo que de forma suave, o crescimento da demanda.

A Fazenda acha que a avaliação do BC está errada, pois argumenta que a demanda, embora robusta, ainda não afetou o comportamento da inflação. Inconformado com a posição do BC e com a ameaça de ?ação preventiva?, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, chegou a proclamar, na semana passada: ?Os ortodoxos têm medo do crescimento?.

O presidente do BC, Henrique Meirelles, tem outro entendimento. Em conversas com integrantes do governo, Meirelles costuma ilustrar a importância da “ação preventiva” com o ocorrido nos Estados Unidos no século passado. Candidato à reeleição em 1972, Richard Nixon pressionou seu presidente do Federal Reserve (Fed), Arthur Burns, a baixar juros e estimular o consumo.

Dois anos depois, Nixon caiu e deixou como herança uma inflação crescente. O processo inflacionário persistiu até que, em 1981, já no governo de Jimmy Carter, o então presidente do Fed, Paul Volcker, elevou as taxas de juros a até 20% e fez um brutal ajuste monetário. Os preços se estabilizaram, mas Carter não foi reeleito. É para evitar que histórias assim se repitam que o BC brasileiro prefere agir preventivamente. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

O Ministério da Fazenda e o BC deveriam nos mostrar de onde vêm suas “crenças”. Pode colocar os intervalos de confiança que, ainda assim, eu duvido que alguém possa esconder este número dizendo que é foco de “segurança nacional”. As do BC eu vejo porque, graças à administração Cardoso, o Banco Central entrou na modernidade divulgando expectativas e projeções. Antes já fazia isto, com algum atraso, nos maçantes – mas sérios – relatórios (trimestrais?). Já da Fazenda, até hoje, nunca vi algo mais transparente, divulgado e regularmente publicado. Até gostaria de saber se existe algo.

Os verborrágicos adoram criticar o BC, mas são incapazes de uma única regressão decentemente calculada. São os “cabeça-de-romance-policial”, muito falantes, mas pouco pensantes…

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Economia Política do Gramscismo

“Para o banco de dados do Planalto: em 1952, a Alemanha negociou um acordo com o governo de Israel e se comprometeu a pagar 3 bilhões de marcos (US$ 5,8 bilhões em dinheiro de hoje) como reparação pelo que o nazismo fez aos judeus.O Bolsa Ditadura já custou à Viúva US$ 1,5 bilhão.”

Como comprar apoio da classe cultural, aquela que só existe porque a Revolução Industrial e o desenvolvimento capitalista liberou mão-de-obra para outras tarefas? Aí acima, a bronca do tal Elio Gaspari.

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Economia Informal

A coisa anda tão feia para o trabalhador que a economia informal vira uma solução. Espanta, apenas, a questão básica: por que não vamos todos para fora da lei e esquecemos o governo? O otimismo do autor do estudo, em parte, eu compartilho. Mas acho muito complicada esta história de “olha como é legal ter mercadorias ilegais à disposição”. O custo disto é rasgar valores sérios (tão sérios que foram codificados em forma de lei), algo que nem todo economista entende muito bem, embora diga que não existe almoço grátis.

Então, sim, o brasileiro é empreendedor mas, não, não é um círculo virtuoso.

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Mais comércio internacional, menos desemprego

Então seu amigo, no bar, disse que o comércio internacional aumenta o desemprego e que o bom é proteger a economia com algum tipo de política industrial? Bem, talvez ele deva ler isto.

International Trade and Unemployment: Theory and Cross-National Evidence
Pushan Dutt Devashish Mitra Priya Ranjan
INSEAD Syracuse University University of California – Irvine
December, 2007
Abstract
In this paper, we present two alternative models of trade and unemployment, in which unemployment is generated through a search mechanism. The basic framework of the …rst model is Ricardian in that the only factor of production is labor and trade is based on relative technological di¤erences. The second model has a Heckscher-Ohlin (H-O) framework with two factors of production, namely labor and capital that are intersectorally mobile. Using cross-country data on various measures of trade policy, unemployment and a variety of controls, we …find strong evidence for the Ricardian prediction that unemployment and trade
openness are negatively related (protection and unemployment are positively related). We do not find any support for the H-O prediction that this relation between trade openness and unemployment changes from negative to positive as we move from labor-abundant to capital-abundant countries. Our results are robust to the inclusion of controls for labor market institutions and macroeconomic distortions. They hold for both ordinary least squares and instrumental-variables approaches, where the latter accounts for the endogeneity of trade policy to unemployment and possible measurement errors in trade policy variables.

O debate é sempre interessante. Mas, em casos como este, ele começa com os dados e com uma teoria (lógica) que faça sentido. E com hipóteses que possam ser testadas. Sem aquela baboseira de acusar as pessoas sérias de “neopositivistas”. Entre o teste de hipóteses e a maconha verborrágica, neste tipo de pergunta obviamente empírica, fico com o primeiro. Mas você tem todo o direito de ficar com o segundo. Só não pode reivindicar (o uso d)a razão, neste caso.

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Pesquisa salarial que você não viu no IBGE

Isto aqui está no blog do Reinaldo Azevedo e o leitor-militante pode procurar opinião dele aí embaixo que não vai achar. Só os fatos, frios e precisos, com detalhes de como vivem alguns burocratas neste país. Só para comparar, ano passado, no Japão, um ministro se suicidou ao ser pego em suspeita de corrupção. Ok, nem todo mundo tem que ter a cara-de-pau que vejo nas manchetes nacionais.

Por Andreza Matais, na Folha:

Responsável por coordenar a montagem do dossiê com informações sigilosas sobre gastos da família FHC, a secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, vai assumir nos próximos dias uma vaga no Conselho Fiscal do BNDES, o que lhe garantirá renda extra de R$ 3.500 para participar de uma reunião por mês.
A vaga é do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, mas a Folha apurou que a sugestão do nome dela partiu da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), de quem Erenice é a principal subordinada. A indicação também tem a chancela do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem cabe nomear os conselheiros.
Nos últimos três dias, a Folha buscou confirmar com a Casa Civil, o BNDES e o Desenvolvimento quando foi feita a indicação. Não obteve resposta.
A secretária entrará na vaga de Cesar Acosta Rech. O mandato é de dois anos. O Conselho Fiscal do BNDES tem três representantes. Dois são indicados pelo Desenvolvimento e outro, pela Fazenda.
Além do salário de R$ 3.500 para participar de uma reunião por mês, os conselheiros também recebem reembolso das despesas de locomoção e hospedagem -as reuniões são no Rio. A atribuição do conselho é analisar as contas do banco.
Na Casa Civil, o salário de Erenice é de cerca de R$ 8.400. Ela também está no conselho de administração da Chesf, com salário de R$ 2.500, desde 2005. Erenice integrava o Conselho Fiscal da Petrobras, mas seu mandato se encerrou agora em abril e não será renovado.
Assinante lê mais aqui
A notícia acima, mais do que tudo, mostra-nos como funciona um Estado que a pterodoxia diz ser nacional-desenvolvimentista e maximizador do bem-estar social (ou dialeticamente ligadão na classe trabalhadora). É nas mãos desta gente que alguns desejam depositar a minha (e a sua) liberdade em troca de algumas lentilhas públicas (numa versão bananal de “benefícios privados, bens públicos”).
Pelo menos, leitor, lembre-se das falhas de governo antes daquela aula em que o professor pterodoxo de economia do setor público começa dizendo que a teoria “tradicional” não serve, que a “escolha pública é coisa de neoliberais americanos”, e que o bom mesmo é “o pensamento crítico dos caras que hoje estão no poder”. O pensamento crítico deles não sai por menos de R$ 8 mil, pelo que vimos. Já sua liberdade pode ser calculada, por baixo, pela soma do imposto de renda retido na fonte e o que você pagará ao final deste mês.
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O cartel do xadrez na era soviética

Interessantíssimo artigo de Charles Moul e John Nye. Aí vai o resumo:

We expand the set of outcomes considered by the tournament literature to include draws and use games from post-war chess tournaments to see whether strategic behavior can be important in such scenarios. In particular, we examine whether players from the former Soviet Union acted as a cartel in international all-play-all tournaments – intentionally drawing against one another in order to focus effort on non-Soviet opponents – to maximize the chance of some Soviet winning. Using data from international qualifying tournaments as well as USSR national tournaments, we consider several tests for collusion. Our results are consistent with Soviet draw-collusion and inconsistent with Soviet competition. Simulations of the period’s five premier international competitions (the FIDE Candidates tournaments) suggest that the observed Soviet sweep was a 75%-probability event under collusion but only a 25%-probability event had the Soviet players not colluded.

Interessante, não?

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Se eu morasse no Rio de Janeiro (ou em São Paulo)…

Além disso, é bom ressaltar, o povo do Ordem Livre realmente promove um debate, dia 09 de abril, na Faculdade de Direito da USP, entre o mesmo Tom Palmer e Ricardo Abramovay. Debate, ao contrário do que ocorre em 99% das faculdades brasileiras, é isto: posições diferentes em um mesmo auditório. Para quem está cansado dos “debates” entre a esquerda e a esquerda tímida, eis aí algo realmente interessante.

Tenho a honra de, com baixa frequência, participar do blog do Ordem Livre. Já disse isso antes, mas vou reforçar: é o pessoal mais dinâmico do meio liberal brasileiro. Admiro muito o trabalho dos poucos liberais que tentam se reunir em grupos (Instituto Liberdade, Instituto Liberal, Instituto Millenium), mas o Ordem Livre mal começou e já tem feito um bocado pela real divulgação de idéias liberais (como, por exemplo, a legendagem dos programas de Drew Carey, na Reason TV).

A única coisa que ainda me incomoda é que os think tanks brasileiros de corte liberal não possuem a escala que possui, por exemplo, um Independent ou um Cato. Diga-se de passagem, quem acompanha o trabalho do pessoal do Independent há anos sabe definir, muito bem, o que é um liberal e diferenciá-lo de um conservador. O trabalho de ambos os think tanks é digno de nota acadêmica (enquanto, no Brasil, tal trabalho praticamente inexista entre o liberais).

Estão de parabéns os colegas do Ordem Livre (uma tênue, mas marcante manifestação do Cato nos países de língua portuguesa) por mais esta promoção de confronto de idéias que, de quebra, explica, finalmente para os coleguinhas da selva brasileira, o que é liberalismo do ponto de vista de um legítimo libertário (liberal, em português) norte-americano. Após anos e anos de críticas ao liberalismo supostamente pregado pelo governo dos EUA (olha a contradição!) por parte de gente que nunca viu ou leu um liberal, isto é, no mínimo, um tremendo bem público.