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Democracias menos liberais são também as mais falidas? – A importância da religião

Ok, eu gosto de Max Weber. Mas também sei que esta questão religiosa é sempre complicada. O professor Delfim Netto, em seu capítulo no livro-texto de Economia Brasileira do Giambiagi e patota, diz que, na verdade, a ligação entre protestantismo e desenvolvimento se dá via capital humano.

Pois bem, se Delfim tem ou não um bom ponto, podemos ter uma pista no texto abaixo citado.

Qualifying Religion: The Role of Plural Identities for Educational Production*

This paper examines the role of religious denomination for human capital formation. We
employ a unique data set which covers, inter alia, information on numerous measures of
school inputs in 169 Swiss districts for the years 1871/72, 1881/82 and 1894/95, marks from
pedagogical examinations of conscripts (1875-1903), and results from political referenda to
capture conservative or progressive values in addition to the cultural characteristics language
and religion. Catholic districts show on average significantly lower educational performance
than Protestant districts. However, accounting for other sociocultural characteristics qualifies
the role of religion for educational production. The evidence suggests that Catholicism is
harmful only in a conservative milieu. We also exploit information on absenteeism of pupils
from school to separate provision of schooling from use of schooling.

Interessante, não? Creio que a discussão que tenho feito aqui sobre estados falidos e empreendedorismo só tem a ganhar com mais este ponto. A cada dia que passa esta discussão só melhora.

Aliás, tenho algo mais a dizer sobre o texto citado. Ele é uma pá de cal (uma das) nestes argumentos verborrágicos que vejo na blogosfera sobre religião e economia. Normalmente, o sujeito me vem com uma lorota de que a ética cristã (e tão somente ela) é que é a Gisele Bündchen do desenvolvimento. Não mostra um único dado, um único estudo sério. Nada. Só um tremendo wishful thinking. Normalmente, estes argumentos vêm da nossa Direita sem qualidade (a cara-metade da Esquerda Aneróbica), cujos economistas ocupam lugar de honra entre os pterodoxos brasileiros.

Trata-se de um desserviço ao ensino científico.

Por mais que não se goste de estatísticas, o fato é que há discussões cuja solução é basicamente empírica e, nestas horas, ganha quem sabe manipular (no sentido de extrair honestamente informações dos dados) melhor os dados. Não se trata de falsificar dados, mas de analisar as causalidades supostas com o que há de melhor em métodos quantitativos. Quando um verborrágico vê sua suposta autoridade ir pelo ralo pelo simples confronto de seus devaneios com os dados, normalmente xinga as pessoas sérias de “econometristas”, “estatísticos” até, digamos, “viciados em planilha”, termos que se tornam mais violentos quanto maior a intensidade dos desejos eróticos de seu criador em relação à mulher que ele perdeu (ou ao emprego que deixou de conquistar) porque não se deu bem com seu papo furado (mulheres, por favor, adaptem o exemplo para os casos em que se apliquem…).

Posto isto, não se diz aqui que matemática é tudo ou que a estatística é a vedete de Ipanema. Como eu disse – e se um verborrágico sabe ler tão bem quanto escreve, já percebeu – há discussões que só se resolvem empiricamente. Mas há também as outras que ou não têm solução, ou não têm solução relevante para sua vida (e.g. qual o sexo dos anjos?), ou não têm solução estatística (e.g. o que é uma paroxítona).

A relevância, para os economistas, normalmente está entre as respostas que, no final das contas, necessitam de algum teste empírico para alguma hipótese oriunda da leitura da história feita a partir de uma teoria logicamente coerente. Por isso não é fácil ser economista…

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História econômica

Muito se falou nos anos 80 sobre o tal “modelo econômico japonês” e sua suposta eficiência ou sucesso. Depois, a moda foi falar dos tigres asiáticos. Os anos 90 – que alguns insistem em chamar de neoliberais – foram pródigos em debates nos quais o único ausente era o estudante sul-coreano, ocupado demais com o governo sul-coreano para prestar atenção aos apologistas brasileiros do modelo econômico…sul-coreano.

Seja lá você um entusiasta deste ou daquele modelo, uma coisa é fato: você não pode se esquecer da história destes países. Quanto de um desempenho econômico atual depende de escolhas passadas? Isto vai de caso a caso, já é bom dizer, e não há uma única resposta. Mas é consensual que você tem que estudar a história do país antes de sair por aí falando do modelo econômico dele (se é que isto existe mesmo).

Eis um pouco de alimento para as almas insaciáveis aqui e aqui (em japonês).

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Estes caminhoneiros neoliberais…

Veja só este caminhoneiro anti-Lula e neoliberal:

“Já tentei descarregar ontem (anteontem) e não consegui”, disse o motorista Gilmar Grigorio. Na quinta-feira, ele permaneceu com seu caminhão estacionado nas imediações do aeroporto durante toda a tarde. Sem nenhuma previsão de horário para desembarcar os componentes eletrônicos que levava no baú, ele decidiu ir embora e tentar a sorte novamente ontem.

Quando conversou com a reportagem do Estado, porém, por volta de 16h30 de ontem, Grigorio já completava mais dez horas de espera. Como é também o dono do caminhão que dirige, ele contou que a greve dos auditores acabará lhe causando prejuízos. “Se você considerar que só a diária do meu caminhão custa R$ 400 e que estou parado aqui há dois dias, dá para imaginar o quanto estou perdendo”, afirmou. “É uma palhaçada o que fazem com a gente.”

Como diriam alguns, é um sujeito egoísta que só pensa em dinheiro. O que ele queria? Este país é dominado pelos capitalistas (donos de sindicatos que, aliás, adoram um imposto sindical com as bençãos da corrupção geradora de dossiês e que ama contratos rasgados). Só mesmo um caminhoneiro ignorante para falar mal dos iluminados funcionários públicos que, aliás, são trabalhadores e eleitores do presidente da Silva e de seus aliados históricos.

Bom início de sábado.

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Empreendedorismo e Governo: há uma relação quadrática?

Eis aí mais evidências para nossas discussões sobre empreendedorismo.

Economic freedom and entrepreneurial activity: Some cross-country evidence

Christian Bjørnskov · Nicolai J. Foss

Abstract While much attention has been devoted to analyzing how the institutional framework and entrepreneurship impact growth, how economic policy and institutional design affect entrepreneurship appears to be much less analyzed. We try to explain cross-country differences in the level of entrepreneurship by differences in economic policy and institutional design. Specifically, we use the Economic Freedom Index from the Fraser Institute to ask which elements of economic policy making and the institutional framework are conducive to the supply of entrepreneurship, measured by data on entrepreneurship from the Global Entrepreneurship Monitor. We find that the size of government is negatively correlated and sound money is positively correlated with entrepreneurial activity. Other measures of economic freedom are not significantly correlated with entrepreneurship.

Aposto que o leitor esperto já se pergunta: “mas isto é compatível com o que dizem os novos policy makers da segunda administração da Silva, nosso presidente”? Pergunte ao seu professor: empreendedorismo e governo têm uma relação virtuosa ou viciosa?

Para te ajudar, pense na taxa de empreendorismo do GEM, em 2007 e no consumo do governo em 1990-2000 (média), ambos em escala logaritmica. Pensou? Aí está:

Se existe uma relação quadrática, já adianto, ela é positiva. Isto nos levaria a um estranho resultado de que o consumo do governo poderia gerar altas taxas de empreendedorismo. Uma possível explicação – até algo óbvia – para o aparente paradoxo é que após o ponto de mínimo, o crescimento do governo gera um empreendedorismo mais rent-seeking do que profit-seeking. Isto é compatível com o que tenho lido em alguns artigos que uma orientanda pretende usar em sua monografia.

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Lições de Economia Selvagem

O Selva achou esta pérola…segue o post original:

Economista do Epea

A turma do jabá campineiro deita e rola no antigo Ipea, hoje corretamente conhecido como Epea. Como não conseguem entender de economia, tudo vira um problema pulítico. Vejam este tosco exemplo de marxismo made in Unicamp.

Um comentário para o Selva: é difícil encontrar um jornalzinho bom de economia no Brasil. Minha propaganda gratuita ainda vai para o Estadão.