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A besteira de sempre

Vou explicar como se cria má economia. Faz-se assim:

1. Tome um jargão técnico (e.g. “metas de inflação”);

2. Crie seu jargão usando uma variação do jargão técnico (e.g. “metas de crescimento”, “metas de câmbio”, “metas sociais”, “metas de empadinhas socialmente corretas”, etc);

3. Encontre interesses insatisfeitos com o sucesso da aplicação que envolve, dentre outras, um papel positivo para o jargão técnico e inicie um discurso sem qualquer fundamentação teórica ou científica com seu jargão.

4. Repita o passo 3 até que algum jornalista desavisado – mas chegadão em modismos e adjetivações pós-modernas – caia na rede.

5. Repita mais e xingue (de forma educada ou não, com ironias ou não) as pessoas sérias que sabem que você está simplesmente criando bolhas de sabão e vendendo-as como aço inox.

Pronto, você tem seus cinco minutos de fama. Talvez até apareça no Jô ou fique conhecido na blogosfera como um blogueiro chique, desvinculado dos “pensamentos dominantes”, um “independente” (como se isto fosse sempre algo positivo), um “alternativo”, etc. Algo como “o fiel da balança” do debate porque, afinal, “in medio virtus (sempre, em qualquer contexto, eternamente, etc)”.

Agora que você já sabe como funciona, não é de se estranhar porque batistas e contrabandistas (até eles!) acham esquisito este papo – que veio sabe-se lá de que grupo de interesse – de meta de câmbio é uma baboseira. Batistas e contrabandistas sabem diferenciar a lógica da fantasia (desfeita ou não).

Como professor de Economia, sinto-me no dever de fazer o que os escondidinhos (nossos famosos economistas pterodoxos) não foram capazes: procurar evidências históricas de que algo como uma “meta de câmbio” poderia funcionar, na prática. A única encontrada, até agora, mostra que não funciona, como dizem. Conclusão? Fácil: ignorar a evidência histórica, como vimos ontem pela excelente colaboração do Leo Monasterio, é a pior coisa que alguém pode fazer. Além disso, ignorar a teoria quando se analisa a evidência histórica (ou não), como vimos pela excelente colaboração do Alex, não é um pecado muito diferente.

Não merece nem uma pauta de jornal. Não sei como tem gente que ainda ouve a pterodoxia nestas redações. Chego a pensar se não rola um almoço pago em algum bom restaurante, ou se é ingenuidade mesmo.

Um comentário em “A besteira de sempre

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