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Antigamente, reclamavam do achatamento salarial…

As vozes de hoje que falam de uma suposta (olha eu adotando o “suposto” da mídia medrosa) bolha de consumo (enfaticamente negada pelos vendedores do ramo) são os mesmos que, no passado, vociferavam contra os governos (outrora não escravizados pelos sindicatos, como é na atual República Bolivariana do Brasil) que, dizia-se, massacravam os trabalhadores.

No boteco, berravam contra a política monetária e fiscal. Uma vez que assumiram o boteco, reclamam do consumo das classes C e D (ao mesmo tempo que se vangloriam de terem sido os únicos responsáveis pelo aumento da renda das mesmas…nada de Plano Real ou de economia mundial em crescimento).

O discurso dos arautos da CPMF não resiste ao ar. Como disse um tal de Kundera, tudo que é sólido desmancha ao ar. Ou algo assim. Bem, volto aos artigos sérios (científicos).

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A besteira de sempre

Vou explicar como se cria má economia. Faz-se assim:

1. Tome um jargão técnico (e.g. “metas de inflação”);

2. Crie seu jargão usando uma variação do jargão técnico (e.g. “metas de crescimento”, “metas de câmbio”, “metas sociais”, “metas de empadinhas socialmente corretas”, etc);

3. Encontre interesses insatisfeitos com o sucesso da aplicação que envolve, dentre outras, um papel positivo para o jargão técnico e inicie um discurso sem qualquer fundamentação teórica ou científica com seu jargão.

4. Repita o passo 3 até que algum jornalista desavisado – mas chegadão em modismos e adjetivações pós-modernas – caia na rede.

5. Repita mais e xingue (de forma educada ou não, com ironias ou não) as pessoas sérias que sabem que você está simplesmente criando bolhas de sabão e vendendo-as como aço inox.

Pronto, você tem seus cinco minutos de fama. Talvez até apareça no Jô ou fique conhecido na blogosfera como um blogueiro chique, desvinculado dos “pensamentos dominantes”, um “independente” (como se isto fosse sempre algo positivo), um “alternativo”, etc. Algo como “o fiel da balança” do debate porque, afinal, “in medio virtus (sempre, em qualquer contexto, eternamente, etc)”.

Agora que você já sabe como funciona, não é de se estranhar porque batistas e contrabandistas (até eles!) acham esquisito este papo – que veio sabe-se lá de que grupo de interesse – de meta de câmbio é uma baboseira. Batistas e contrabandistas sabem diferenciar a lógica da fantasia (desfeita ou não).

Como professor de Economia, sinto-me no dever de fazer o que os escondidinhos (nossos famosos economistas pterodoxos) não foram capazes: procurar evidências históricas de que algo como uma “meta de câmbio” poderia funcionar, na prática. A única encontrada, até agora, mostra que não funciona, como dizem. Conclusão? Fácil: ignorar a evidência histórica, como vimos ontem pela excelente colaboração do Leo Monasterio, é a pior coisa que alguém pode fazer. Além disso, ignorar a teoria quando se analisa a evidência histórica (ou não), como vimos pela excelente colaboração do Alex, não é um pecado muito diferente.

Não merece nem uma pauta de jornal. Não sei como tem gente que ainda ouve a pterodoxia nestas redações. Chego a pensar se não rola um almoço pago em algum bom restaurante, ou se é ingenuidade mesmo.

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Deixem o BC trabalhar

Agora os burocratas ensaiam dar pitacos no trabalho alheio. Vou dizer uma coisa simples, que qualquer um entende: você tem um carro. O carro, contudo, não está legalmente no seu nome. Aí alguém vem em toma seu carro. Nem adianta chorar e culpar o neoliberalismo (ou a herança maldita): o carro não estava legalmente no seu nome. Ponto.

Há muita gente que diz – quase berra – que o importante é que o Banco Central seja independente de fato, não necessariamente de papel passado. Volte ao parágrafo anterior.

Claro, há também gente que acha bonito (normalmente dizem “democrático”) o burocrata da secretária da minhoca do Tamanduá no rabo do mosquito dar palpite em política monetária. De fato, ele pode palpitar. O que não pode é ameaçar a política monetária com seus palpites. E é isto, justamente, o que acontece quando você não tem independência legal. Se o governo é ocupado por gente inteligente, o risco é menor. Mas depender da inteligência dos burocratas é como dar um tiro no escuro.

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Factóides do bolivarianismo

Os latino-americanos, notórios em várias pesquisas do Latinobarometro como desconfiados acerca do capitalismo, da democracia e tudo o mais estão, agora, sentindo na pele as consequências de suas escolhas. Desta vez, o governo mexicano é que terá que lidar com a palhaçada. Aposto que o Itamaraty não vê problema algum e, claro, o ministro da Justiça dirá que é necessário fazer “investigações mais profundas” antes de se pronunciar.

Ainda, em minha memória: (i) os aviões venezuelanos que pousam no Brasil e levam cubanos auto-exilados para o castelo imperial da família Castro, (ii) por que o critério da segurança nacional só se aplica a gastos de presidentes que estão há 8 anos fora do poder, (iii) por que abrigo para terroristas da FARC é uma opção do governo que não necessita de investigações detalhadas?

No mais, é sexta-feira. Vejamos o que vem por aí.