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O uso político do Estado

Não, a administração da Silva não será a primeira, nem a última da história a usar a máquina pública para destruir oposicionistas. Mas é espantoso como seus apoiadores achem isto muito natural, até nobre, bonito e tudo o mais. Onde estão os famosos “revoltados”? Cadê o “grito da revolta”?

Talvez o brasileiro não ligue muito para o regime político e sim para a economia. Botou dinheiro no bolso do Juca, pronto, ele nem liga se proíbem João de emigrar. Colocou arroz na marmita da Maria? Pronto, Maria nem liga se a imprensa foi proibida ou intimidada (mesmo a imprensa pró-governo pode se ver em apuros com isto).

Ou talvez o que falte são incentivos sérios (Lei mesmo) que seja auto-aplicável, independente dos advogados pagos pelo PCC ou por outros grupos para rasgar os direitos individuais, perseguir inimigos, ou distorcer o sentido de liberdade privada, etc.

Causa um certo enjôo, né? Mais ainda quando o dinheiro público segue usado para fins os mais privados possíveis, às custas do imposto compulsoriamente recolhido do bolso alheio. O pior é que tem gente que acha que privatizar lucros e socializar prejuízos é coisa de liberalismo. Não devem ter lido nem o famoso Roberto Campos, quanto mais algum liberal mais sério como Hayek, Acton, etc.

Tá certo que, como pesquisador da área, é interessante ver que a administração da Silva colabora um bocado para encher nossas bases de dados (bases de dados mesmo, não dossiês disfarçados, ok?) com fatos novos para entendermos os incentivos que guiam esta gente pelos becos do crime contra a honestidade e outros conceitos “burgueses”. Mas, na pele do cidadão que paga impostos, dá medo ver duas coisas: (a) a curriola se esbaldando; (b) o povo achando tudo lindo, exceto quando os não petistas estão no poder. O duplipensar da ética que esta gente prega nas escolas e na mídia, a cada instante, é algo espantoso.

Pessoas são racionais e aprendem, obviamente. Mas aprender leva tempo e, se bobear, você estará sob um regime ditatorial eleito, há muitas décadas atrás, pelo povo.  É bom aprender logo.

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3 comentários em “O uso político do Estado

  1. É xará. É nessa hora que a tal cultura faz diferença. Não faz parte da nossa cultura ver o Estado como um mal necessário. Logo, atitudes deste contra indivíduos (ainda mais indivíduos demonizados pela imprensa bancada pelo Estado) são vistas como naturais e, em casos extremos, até benignas. Não faz parte da nossa cultura a valorização do indivíduo e nem a idéia de que o resultado do nosso trabalho pertence a nós e não ao “povo” e que, por isso, o termo “distribuição de renda” não faz sentido. É papo de ladrão querendo angariar cúmplices.

    Dadas essas condições, o que vemos agora, infelizmente, é o povão reagindo racionalmente ao incentivo que está recebendo para manter esse governo no poder e ignorar as denúncias de atentado ao Estado de Direito. Quem ferrou com tudo, ao meu ver, foi a classe média em 2002 quando comprou a tese de Lulinha Paz e Amor. Depois que Lula botou a mão na chave do cofre, pôde descartar o apoio daquela e partir pro populismo descarado.

    Aí você junta um povo que não dá valor aos direitos do indivíduo, regras do jogo democrático, etc. e que sempre se viu sem perspectivas. Basta dar uma graninha mensal para o sujeito e ele te apoiará pelo resto da vida. Podemos afirmar, corretamente, que essa “graninha” não fará com que ele e sua família se emancipe. Mas e daí? Antes ele também não iria se emancipar e estava uns poucos reais mais pobre.

    A economia diz: incentivos importam.
    A cultura, por sua vez, pergunta: Sim, e o que te incentiva?

  2. é, teu ponto é similar ao de Bruno Frey quando, em 1997, lançou o “not just for the money”. Este é um problema de fronteira em economia ,eu acho (mesmo que já tenhamos 10 anos desde o livro de Frey).

    Aí é que entra aquela história de discutir o que é instituição e o que é cultura.

  3. Por alto eu diria que:

    Cultura avançada (não gostei do termo mas me faltou um melhor agora) gera instituições funcionais que por sua vez suportam da melhor forma possível o livre mercado e o sistema democrático como um todo.

    Pena que não há (não?) como fazer experimentos neste sentido. Seria interessante fazer um swap populacional :-D. De uma vez só os americanos, para citar um exemplo, seriam transportados para o Brasil e os brasileiros para os EUA. E teriam que, inicialmente, viver no ambiente que encontraram. O que aconteceria em duas gerações ou três? Hipóteses:

    1) Instituições impõem uma determinada cultura: sendo assim, os brasileiros viveriam nos EUA tal e qual os americanos. O país não sentiria nenhuma piora significativa no seu regime político/econômico. E o Bananão continuaria sendo essa paródia de regime democrático que é hoje.

    2) Instituições são resultado da cultura: sendo assim, os brasileiros transformariam os EUA em uma versão do Bananão e os americanos “consertariam” as nossas instituições, criando um ambiente mais propício ao desenvolvimento de um regime verdadeiramente democrático e ao florescimento do livre mercado.

    PS: Os EUA foram apenas um exemplo, escolha qualquer outro país desenvolvido a seu gosto ;-).

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