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Presidente vai cortar na (sua) carne!

Da série “Manchetes alternativas”:

Lula defende campanha por vasectomia.

E os gastos com os cartões? Isto ele também defende (mostrar)?

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Ainda o empreendedorismo

Diz o Juvenal:

#1 Vc não ve tanto empreendedor quanto faculdade de administração porque não quer. O Brasil é um país com muitos empreendedores.

#2 Na única oportunidade que tive para conversar com o Scheikman, em um Encontro Brasileiro de Finanças, ele me disse que “espírito empreendedor” não era o problema do Brasil, mas sim as instituições.

#3 Com relação a muitos jovens terem a vontade de se tornarem servidores públicos é apenas uma questão de incentivo, ao invés dessa hipótese estapafúrdia de aversão ao lucro. É só fazer o retorno esperado de um servidor público, ponderar pelos itens emocionais como segurança, estabilidade, etc e comparar com o retorno esperado de um empreendedor, a dificuldade de abrir e manter uma empresa, etc.

Quanto a #1 e #2, Juvenal deve se decidir: há muito ou há pouco espírito empreendedor no Brasil? Ele concorda ou não com o economista de Princeton? Como eu disse no comentário ao seu comentário, talvez ele esteja dizendo a mesma coisa que eu (embora não tenha entendido isto, pelo que notei).

Quanto a #3, eis o outro ponto. Sim, é só fazer o cálculo. Tal como também posso fazer o cálculo e concluir que é melhor ser ladrão ou político. Juvenal fala de valor presente e toca superficialmente no ponto importante: por que é melhor optar por não ser empresário? Segundo ele, é só fazer as contas. Mas, ao mesmo tempo, por #1, eu deveria ver poucos empresários embora, por #2, ele tenha algum respaldo no argumento de autoridade do bom economista de Princeton.

Ele se irritou com a idéia de que haja aversão ao empreendedorismo por parte do brasileiro. A questão é um pouco mais complicada, como mostrou o Leo no outro comentário:

Cara com as instituicoes de m*#&#@* que temos, eu acho que temos empreendedores demais! Tenho varias provas: a curta vida das empreesas abertas, o numero de ladroes, traficantes e camelôs. Os tupiniquins nao sao um monte de gente que fica parada esperando a vida passar e em busca de um nirvana espiritual. Toda essa galera eh amante do risco e da grana.
E tem tb a pergunta que demole as explicacoes culturalistas: se eh cultura, pq os paises mudam?
Por fim, usando o argumento de “otoridade”, eu fico com o véio Gershenkron que no debate com o Landes sobre a origem da Rev Industrial escreveu algo como : “aversao ao empreendedorismo, EXCETO quando está na lei, não tem qq impacto sensível sobre o desenvolvimento economico.”.

Agora temos Juvenal e nosso economista de Princeton (sempre erro o nome dele, por isto não arrisco…) dizendo que falta espírito empreendedor no Brasil por conta das instituições e o Leo, do outro lado, dizendo que as mesmas instituições geram excesso de empreendedores. Contudo, note que o Leo usa uma definição mais ampla de empreendedor, incluindo atividades ilegais. Gostei do ponto dele sobre cultura.

Por outro lado, ficamos com alguns pontos em aberto. Primeiro, onde acaba a cultura e onde começa a instituição? Seguindo North, instituição são (aí vamos nós) as regras formais e informais que regem as transações (ou o ambiente das transações?) em uma sociedade. Bem, regras informais e cultura: o que é isto? Talvez Gerschenkron tenha razão: exceto por um governo bolivariano legítimo (Cuba, Coréia do Norte), não há porque esperar problemas ao desempenho econômico, o que deixa Juvenal e eu bem felizes. Mas isto significa passar ao largo da questão das instituições.

Na minha opinião, talvez seja melhor definirmos melhor os conceitos. Empreendedorismo é o que o Leo entende por empreendedorismo. Instituições levam empreeendedores para um lado, ou para o outro. Neste caso, não é muito correto chamar um bandido de empreendedor, ou perdemos o sentido original da palavra, relacionada ao desenvolvimento econômico (e aí está a confusão do próprio Juvenal no comentário original, talvez gerado pelo descuido meu (e dele) em definir exatamente os termos).

Agora, permaneço cético. Para mim, um bando de administradores de empresa, no mercado não é sinônimo de empreendedorismo no sentido profit-seeking. Pode ser, como dizemos todos nós, que haja um contigente grande de empresários, mas muitos deles no crime ou no rent-seeking.

Posto isto, ainda falta discutir a diferença entre instituições e cultura. Claro, países mudam porque a própria cultura é dinâmica. A língua portuguesa mudou? Mudou. Mas quanto tempo ela levou para mudar? Pois é. Adoraria ouvir mais comentários sobre o tema.

p.s. se o que o Juvenal quis dizer com “espírito empreendedor” foi distinto de “empreendedor”, então, agora, eu pergunto: qual a diferença, agora que adotamos a diferença entre rent e profit-seeking?

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Empreendedorismo

Diz o Nemerson:

O empreendedorismo enriqueceu o norte da Itália há 500 anos, os Países Baixos há 400, a Grã-Bretanha há 300, os EUA há 200, o Japão há mais de 100 e, hoje, injeta prosperidade na veia de chineses e indianos. A América Latina até hoje não o vê com bons olhos. Aqui, o sonho da classe média é passar num concurso público. Todo mundo quer ser barnabé. Por isso somos o que somos.

Difícil discordar dele. Mesmo em situações inadequadas, como as dos sujeitos fazendo macaquices enquanto o semáforo está vermelho para para automóveis, tende-se a pensar que o certo seria que os mesmos ficariam melhor em um emprego público, ou sob os cuidados de algum padre (isso não é lá minha praia, mas respeitemos as minorias).

Dito isto, a pergunta permanece: por que esta simpatia do brasileiro pelo emprego estável e esta rejeição ao empreendedor? Por que a meninada tem vergonha do lucro? Finalmente: com tanta faculdade de Administração neste país, por que é que não vejo tantos empresários assim? Quanto do “exército administrador de reserva” se converte em riqueza para o país e quanto se converte simplesmente em corrupção e/ou rent-seeking?

Esta é a pergunta que você deve se fazer antes de acreditar em certas manchetes que exaltam uma suposta onda de empreendedorismo só porque criaram 100 empresas nanicas na sua cidade no mês passado. Empreendedorismo não existe em um vácuo institucional e o nosso não é dos mais favoráveis ao mercado. Em algumas capitais recheadas de funcionários públicos, o sonho do suposto estudante de Administração é fazer um concurso público.

Seria isto derivado da instabilidade econômica dos anos 80? Pessoas têm medo do desemprego? Há algo de patológico em se preferir um emprego público a um privado? Ou seria patológico a burocracia se perpertuar a tantos anos, inclusive se reproduzindo com concursos públicos sem qualquer preocupação com a carga tributária gerada? Seria isto tudo consequência do modelo colonizador que valorizava os nababescos nobres e desprezava o trabalho duro (pelo menos é o que insinua Jorge Caldeira em seu “Mauá, Empresário do Império”)? Finalmente: o que se ensina em um curso de Administração quando o assunto é empreendedorismo no que diz respeito aos benefícios sociais do capitalismo?

Nemerson começou uma boa discussão. Creio que vale a pena pensar no que ele disse. Empreendedorismo é sério demais para ser deixado nas mãos de aspirantes a rent-seeking.