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Direitos de Propriedade e Futebol: tudo a ver

Este post é bem interessante. Trata-se de um problema de alocação de direitos de propriedade com respeito ao nome de um estádio de futebol (o autor o chama de naming rights). O que me agradou foi a discussão de qual seria, efetivamente, a maneira mais eficiente de se negociar o nome de um estádio. Cito o autor:

Acontece que a eficiência dos naming rights fica altamente comprometida quando tratamos de um estádio que não seja novo, já que o nome tradicional está mais que consagrado nas mentes dos torcedores, da imprensa e do mercado como um todo.

Daí a importância de projetos de novos estádios não aceitarem apelidos ou sugestões de nomes – muito já se falou, por exemplo, no Fielzão, o possível futuro estádio do Corinthians.

Vale dizer: tal como em um problema de extração de petróleo (ou de maturação de um queijo/vinho), existe um tempo ótimo para se negociar o nome do estádio. Este tempo, por exemplo, tem a ver com o tempo que a torcida leva para adotar um apelido (que diminui o valor do nome negociável).

Supondo que os agentes sejam racionais, inclusive os torcedores, e que aprendam que, para o time, o melhor é não ter um apelido para o estádio, pode-se prever que o maior interessado (ou os maiores interessados) em arrumar um apelido para o estádio é o concorrente (ou os concorrentes). Pode-se pensar nisto como um jogo, não?

A cooperação entre dois times concorrentes é algo bem improvável, exceto se ambos pretendem construir estádios próprios e não divulgam, um ao outro, os prazos da construção. Neste caso, podemos pensar na disputa entre ambos como um clássico exemplo de jogo dinâmico no qual os times cooperam (não incentivam os torcedores a criarem apelidos para o estádio do concorrente) ou não cooperam. Mais ainda, eu diria que é um jogo com infinitos períodos, o que nos leva à questão sobre qual o valor da “impaciência” que deixa os times no equilíbrio cooperativo.

Entretanto, há mais aspectos interessantes a serem modelados. Conforme nosso autor:

No Brasil, diz-se que os naming rights tem um sério inimigo na prática dos meios de comunicação de não divulgar o nome dos patrocinadores dos clubes, sob o argumento de não fazer propaganda de terceiros sem receber por isso. Pois eu acho que a obrigação de mencionar os nomes das arenas de acordo com o que especificam os clubes deveria estar definida no contrato de venda de direitos televisivos. O Clube dos Treze, como negociador, precisaria estar atento a esse aspecto e deveria ainda incluir também a obrigatoriedade das TVs compradoras dos direitos de mostrar os backdrops com os logos dos patrocinadores, assim como os bonés e outros materiais usados em entrevistas coletivas. Os valores dos patrocínios, com a garantia de exposição principalmente na mídia televisiva, certamente passariam por uma valorização substancial.

Em outras palavras, existe um problema adicional aqui que é o da própria existência da possibilidade de se alugar/vender o nome de um estádio e que diz respeito aos direitos de propriedade estarem claramente especificados em contrato (e devidamente respeitados). Em um exercício simples, poderíamos atribuir probabilidades para as ações dos indivíduos, criando um jogo com estratégias mistas e dinâmico. Obviamente, questões mais interessantes aparecem aqui porque, afinal, há várias formas de se pensar estas probabilidades (variam com o tempo? Não? Etc).

Belo post este do colega do Futebol & Negócio.

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