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Receita para engordar

Como todos adoram procurar este tipo de receita, eis a definitiva. Este é um blog de economia com pitadas de bom humor. Você chegou aqui por conta das ditas pitadas, é bom ressaltar.

Mas já que você veio em busca de uma improvável receita para engordar, que tal esta: compre Tire a mão da minha lingüiça e seja um magro feliz! Não engorda, mas faz rir e, como dizem, rir é o melhor remédio. ^_^

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Neologismos para que te quero ou “Os novos ciclos austríacos sambam”

Falei hoje sobre esta interessante proposição do pessoal da FIESP. Pois é. Não deu um dia e o ministro da Fazenda me saiu com duas ótimas:

Note bem, leitor, não existe um único manual de economia que defina o que seja consumo sustentável. Trata-se de um neologismo, fruto da criação política (ou do discurso político). Consumo é fruto dos desejos insaciáveis dos consumidores com suas restrições orçamentárias. Mesmo estas, até onde eu saiba, não são apenas fruto do que o consumidor ganha trabalhando (existe sempre uma Bolsa-Família ou um mercado de capitais, certo?).

Em outras palavras, se o ministro queria dizer algo, dissesse simplesmente: “- Consumidores, continuem consumindo que do controle da inflação cuida o Banco Central. Eu, aqui, vou cuidar das demandas dos políticos com o necessário cuidado”.

Por que o ministro não fala de uma carga tributária sustentável? Por que não lhe passa pela cabeça alertar os empresários para os investimentos insustentáveis? Tal como os governos que criticara, o ministro joga a batata para o consumidor, este irracional que consome de forma insustentável. Parece que faz isto com uma tremenda sensação de desconforto, como se vê na combinação de notícias acima.

Entretanto, meu desconforto maior é com esta súbita – e não sustentada? – afirmação de que existem consumos insustentáveis ameaçando a economia. Volto ao tema austríaco. Nos ciclos austríacos, as decisões de investimentos incorretas – que os austríacos chamam, muito adequadamente de malinvestiment – é que geram problemas na economia. Lembro que, para os austríacos, estes erros dos empresários derivam de sua (inexplicável) incapacidade de incorporarem informações oriundas de políticas públicas em seus cálculos econômicos, o que geram os tais malinvestiments.

Esta de jogar a culpa para os consumidores amplia as irracionalidades. E aí vem o meu Teorema do Keynesiano de Quermesse (em homenagem ao Alexandre):

“Se investidores e consumidores praticam gastos insustentáveis, nada há que garanta que, quando nomeados para cargos públicos, passem a gastar de forma sustentável”.

Fica aí a sugestão de reflexão para você, leitor deste blog. Por que é que um sujeito com um cartão corporativo na mão não gosta de ser chamado – no “modo” polido – de consumidor insustentável e, ao mesmo tempo, adora dizer que “pobre não sabe gastar”?

Engraçado, né? Bem, como este blog segue a CC, espero que o leitor não se esqueça de nos citar quando fizer a piada ou a citação do mais novo teorema econômico da selva brasileira…

p.s. Quando passei pelas notícias, agora à noite, vi que o povo ficou ouriçado. Outro economista da FIESP negou a necessidade de se conter o crédito ao consumidor, bem como (claro), a Fecomércio. Claro, nem era preciso ler este blog para ver a conclusão natural de que subsídios para industriais não são de graça e que alguém teria que pagar por isto…

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Formalização de uma empresa gera mais lucro?

Eu tenho minhas dúvidas, mas este estudo acha evidências que sim. Por que duvido? Porque acho que depende das instituições existentes no país. O que desejamos é ter lucro sob um regime profit-seeking ou sob um rent-seeking? Mais ainda, por que o custo de registro é maior em um país do que em outro? Não pode ser, justamente, para arrancar recursos do setor privado para o governo?

Ok, talvez haja aumento de lucro, mas eu gostaria de ver algo similar para o Brasil.

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Direitos de Propriedade e Futebol: tudo a ver

Este post é bem interessante. Trata-se de um problema de alocação de direitos de propriedade com respeito ao nome de um estádio de futebol (o autor o chama de naming rights). O que me agradou foi a discussão de qual seria, efetivamente, a maneira mais eficiente de se negociar o nome de um estádio. Cito o autor:

Acontece que a eficiência dos naming rights fica altamente comprometida quando tratamos de um estádio que não seja novo, já que o nome tradicional está mais que consagrado nas mentes dos torcedores, da imprensa e do mercado como um todo.

Daí a importância de projetos de novos estádios não aceitarem apelidos ou sugestões de nomes – muito já se falou, por exemplo, no Fielzão, o possível futuro estádio do Corinthians.

Vale dizer: tal como em um problema de extração de petróleo (ou de maturação de um queijo/vinho), existe um tempo ótimo para se negociar o nome do estádio. Este tempo, por exemplo, tem a ver com o tempo que a torcida leva para adotar um apelido (que diminui o valor do nome negociável).

Supondo que os agentes sejam racionais, inclusive os torcedores, e que aprendam que, para o time, o melhor é não ter um apelido para o estádio, pode-se prever que o maior interessado (ou os maiores interessados) em arrumar um apelido para o estádio é o concorrente (ou os concorrentes). Pode-se pensar nisto como um jogo, não?

A cooperação entre dois times concorrentes é algo bem improvável, exceto se ambos pretendem construir estádios próprios e não divulgam, um ao outro, os prazos da construção. Neste caso, podemos pensar na disputa entre ambos como um clássico exemplo de jogo dinâmico no qual os times cooperam (não incentivam os torcedores a criarem apelidos para o estádio do concorrente) ou não cooperam. Mais ainda, eu diria que é um jogo com infinitos períodos, o que nos leva à questão sobre qual o valor da “impaciência” que deixa os times no equilíbrio cooperativo.

Entretanto, há mais aspectos interessantes a serem modelados. Conforme nosso autor:

No Brasil, diz-se que os naming rights tem um sério inimigo na prática dos meios de comunicação de não divulgar o nome dos patrocinadores dos clubes, sob o argumento de não fazer propaganda de terceiros sem receber por isso. Pois eu acho que a obrigação de mencionar os nomes das arenas de acordo com o que especificam os clubes deveria estar definida no contrato de venda de direitos televisivos. O Clube dos Treze, como negociador, precisaria estar atento a esse aspecto e deveria ainda incluir também a obrigatoriedade das TVs compradoras dos direitos de mostrar os backdrops com os logos dos patrocinadores, assim como os bonés e outros materiais usados em entrevistas coletivas. Os valores dos patrocínios, com a garantia de exposição principalmente na mídia televisiva, certamente passariam por uma valorização substancial.

Em outras palavras, existe um problema adicional aqui que é o da própria existência da possibilidade de se alugar/vender o nome de um estádio e que diz respeito aos direitos de propriedade estarem claramente especificados em contrato (e devidamente respeitados). Em um exercício simples, poderíamos atribuir probabilidades para as ações dos indivíduos, criando um jogo com estratégias mistas e dinâmico. Obviamente, questões mais interessantes aparecem aqui porque, afinal, há várias formas de se pensar estas probabilidades (variam com o tempo? Não? Etc).

Belo post este do colega do Futebol & Negócio.

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Os “novos” ciclos austríacos

Ontem eu falava aqui dos ciclos austríacos e do problema teórico que é o que diz respeito à racionalidade dos empresários. Hoje eu leio que um importante economista do mais poderoso grupo de interesse industrial do país acha que, na verdade, o problema de racionalidade está com os consumidores.

Mais ou menos assim: se der problema, não foram os investidores que erraram nos planos de investimentos, mas sim os consumidores.

Isto sem falar daquela história – sempre indecisa quanto aos fundamentos teóricos e empíricos de suas alegadas premissas  – de que o Brasil está em processo de desindustrialização e, por isto, necessita de política industrial. Como a política industrial não é gratuita, provavelmente são os consumidores que, em boa parte, financiarão a dita cuja. O que nos leva a uma curiosa conclusão sobre onde é que estaria a origem da tal bolha de consumo: a falta de recursos devido à carga tributária elevada destinada a financiar os investimentos dos empresários que, se erram como dizem os austríacos, são supostamente “corrigidos” pela política industrial do governo.

Divertido isto.

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Correlação ou Causalidade?

Agora é o outro jornal de São Paulo que diz algo similar ao que foi publicado no Estadão há umas duas semanas: o Bolsa-Família e a votação do presidente da Silva têm correlação positiva. A notícia só não é idêntica porque o pessoal não analisou o desempenho escolar (veja também esta notícia, sobre uma possível manipulação em ano eleitoral).

Obviamente, todo mundo que passa por uma notícia como esta se pergunta: então o governo usou a Bolsa-Família como moeda de troca eleitoral? É possível. Mas existe uma segunda pergunta que não se confunde com a primeira, embora seja -lhe uma decorrência natural. Trata-se de: uma vez que o Bolsa-Família existe, ele gerou votos adicionais ao presidente da Silva?

Para esta pergunta, veja bem, não basta uma correlação simples, como os jornalistas têm feito. É preciso um pouco mais de trato estatístico com os dados. Qual a diferença entre correlação e causalidade? De forma resumida, eu diria que é o grau de sujeição de seu argumento sobre a causalidade à terrível coincidência. Pode ser que, simplesmente, coincidiu de as variáveis X e Y serem correlacionadas positiva, neutra ou negativamente. A explicação causal necessita um pouco mais. Uma sugestão óbvia é uma regressão múltipla, envolvendo mais variáveis. Eu diria mais. Acho que um bom meio de se iniciar esta análise é aplicar variáveis instrumentais aos dados, sob um arcabouço teórico específico.

Em outras palavras, se eu fosse um jornalista realmente obcecado pelo tema, correria para um pacote econométrico qualquer, importaria os dados, e tentaria provar a causalidade entre Bolsa-Família e votos. Vai que ela existe mesmo…