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Da série: manchetes alternativas

Não se pode fazer do terrorismo de esquerda um santo aliado.

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As FARC e os governos latino-americanos

De fato, esta notícia acabou com qualquer esperança da parte da esquerda equatoriana. Diante disto, o que fazer?

Se alguém se propõe a reunir liberais para pensar em estratégias chovem acusações de que existe alguma “Operação Condor”. Se a reunião é de não-liberais de esquerda, diz-se que é inofensiva e sempre pensando no bem-estar social. Bem, a primeira coisa a se fazer é mudar esta mentalidade viesada.

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Ordem livre

Povos livres criam ordens livres. Como dizia Adam Ferguson, as instituições “são o produto da ação humana, mas não a realização de um desígnio humano”. Muitas pessoas acreditam que a existência de uma autoridade centralizadora é necessária para que haja harmonia e previsibilidade no mundo social. Mas ninguém planejou a complexidade das instituições que governam uma grande sociedade. Políticos, burocratas e generais jamais conseguiriam conceber a abrangência da ordem que emerge da interação entre milhões de pessoas livres, cooperando de acordo com seu conhecimento e interesse. Pierre-Joseph Proudhon já afirmava que a liberdade não é a filha, mas a mãe da ordem.

Pense bem, leitor, nisto. Aí vai o texto inteiro.

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Devemos entregar as estatais para termos recursos!

Quem disse isso? Da série: história do pensamento econômico brasileiro, vem…

Ignácio Rangel!

Pois é. Um dos heróis do pessoal que não estuda História do Pensamento Econômico, mas repete chavões em assembléias de professores (ou de outras patotas) foi, na verdade, um sujeito bem diferente do que a própria caricatura. Antes de dizer que Roberto Campos era um liberal falso porque trabalhou no governo, amiguinho, olhe para seu telhado de vidro.

E o que isso tudo tem de tão sério? Na verdade, nada disto importa muito. O sujeito chega lá, no governo, olha os números, e joga o discurso fora. Claro que existe uma tensão interessante entre o que se deseja ser e o que se é (um pterodoxo começaria, certamente, a falar de Sein e Dasein, ou qualquer outro verbo alemão que tivesse exatamente o mesmo significado do que eu acabei de dizer).

É triste, eu sei, ver gente como o Bernanke fazer o que tem feito. Mas é a vida. Se Ignácio Rangel pode…

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ONG’s também são caso de segurança nacional?

Criada para investigar suspeitas envolvendo repasses oficiais para organizações não-governamentais, a CPI das ONGs acabou por ganhar o apelido de CPI do Google, porque só manuseia dados públicos encontrados na internet, sem acesso a dados sigilosos. Instalada em outubro, a comissão patina e alguns de seus integrantes dizem que o trabalho está próximo de ser enterrado. De posse de relatórios considerados insuficientes para avançar nas investigações, o presidente da CPI, senador Raimundo Colombo (DEM-SC), avisa que, se não conseguir ao menos quebrar o sigilo de alguns investigados e aprovar requerimentos, deverá “jogar a toalha” e pôr fim ao que chama de “palhaçada”.

Interessante é pensar que, sim, a internet é uma fonte de informações mas, não, não é possível que este povo defensor da administração da Silva esteja a falar sério quando bloqueia o acesso da CPI aos dados. Lamentavelmente, a democracia no Brasil não ganha muito com este tipo de brincadeira de mau gosto.

Economicamente, claro, é fácil ver que há interesses fortes que não desejam, de forma alguma, ter seus dados disponibilizados para uma investigação. Entretanto, com a quantidade de ONG’s financiadas majoritariamente pelo setor público, o correto, economicamente falando, é que os dados sejam de domínio público. Afinal, quem paga imposto somos nós.

Pergunte ao seu professor: como o conceito de rent-seeking, a obra de Mancur Olson e esta história das ONG’s podem ser relacionadas? Até que ponto é correto dizer que ONG’s fornecem bens públicos? Até que ponto uma entidade com 99% de financiamento estatal pode ser dita “não-governamental”? É possível confiar em dados sobre este setor? Há algum levantamento sério (= feito pelo IBGE) sobre o assunto? Por que o governo não dá a mínima para a quebra de sigilo individual (lembre-se da “super-receita”), mas faça muito barulho quando o caso são cartões corporativos ou ONG’s?

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FMI elogia a administração da Silva: e você com isso?

Valor: O Brasil cresceu 5,4% em 2007 e há sinais de que a atividade econômica continua forte no começo do ano. O sr. acha que esse nível de crescimento é sustentável?

Singh: Fundamentalmente, a economia brasileira está aproveitando os benefícios de políticas bem-sucedidas de estabilização, das reformas estruturais, da abertura externa crescente e da redução das vulnerabilidades. Em especial, uma administração macroeconômica adequada contribuiu para reduzir a inflação para níveis baixos, diminuir a relação dívida pública/PIB e melhorar o seu perfil e permitir uma forte queda dos juros reais e prêmios de risco, que eram historicamente altos. Houve uma mudança surpreendente no desempenho econômico do Brasil nos anos recentes. Como resultado, o crescimento aumentou. A economia ganhou impulso nos trimestres recentes, principalmente refletindo a força da demanda doméstica, incluindo um considerável crescimento do investimento privado, impulsionado pelos elevados preços de commodities e grandes fluxos de investimentos estrangeiros diretos. Os números mais recentes do PIB, como o resultado do quarto trimestre de 2007, são outra indicação da continuidade da força da economia brasileira. Números parciais mostram que o crescimento se manteve robusto nos primeiros meses de 2008. As perspectivas econômicas de curto prazo são em geral favoráveis, embora sujeitas ao ambiente externo, e o Brasil está certamente construindo capacidade para sustentar um crescimento elevado no médio prazo. Um fator-chave para essa última questão é promover melhoras adicionais no ambiente de investimentos, em infra-estrutura, na intermediação financeira e na eficiência da política fiscal.

Até hoje há gente que compra o discurso do partido do presidente da Silva de que o FMI é um grande vilão. Eu penso um pouco diferente. Do ponto de vista das instituições, o FMI nada tem a ver com a microeconomia de um país. Por isto você consegue ver um elogio às políticas fiscais brasileiras, com quase ou nenhuma análise microeconômica sobre o jogo político que ocorre por aqui. Neste sentido, o FMI pode elogiar até o governo cubano, caso o mesmo siga o seu receituário.

Uma crítica completamente diferente é se o receituário do FMI é bom ou não. O presidente da Silva, há anos, faz o discurso de que, sim, é bom seguir o que diz o FMI. Em outras palavras, é fácil, macroeconomicamente, seguir o que diz o FMI. Outra coisa é culpar o FMI pelo mensalão e outros escândalos que surgiram na administração atual, com o envolvimento de gente importante no partido do presidente. Não é possível culpar as políticas do FMI como herança maldita.

Gente da esquerda gosta de socializar a culpa e privatizar os benefícios gerados por outros fatores e, por isto, você vê tanta ênfase em termos de marketing político como: “herança maldita”, “FMI e os imperialistas” ou “o economicismo frio e malvado”. Trata-se de uma estratégia de tentar se desvincular da própria responsabilidade em ser o governo que aumenta a carga tributária e jogar a culpa nos outros. Claro que esta é facilmente perceptível por quem tem algum grau de instrução (não de doutrinação).

Mas a outra crítica, a dos não-liberais da direita, é a que mais se mostra confusa. Ou se diz que o presidente da Silva capitulou, ou se diz que ele faz um ajuste fiscal para gerar recessão e…implantar o socialismo. Uma coisa contradiz claramente a outra. Aqui é “claramente” mesmo porque em uma das críticas o ajuste fiscal é o “mocinho” e, na outra, o “vilão”.

É importante diferenciar bem estas coisas. Primeiro, estudos de cientistas políticos sérios mostram que os governos não-liberais de FHC e da Silva não são idênticos. Segundo, o fato de um déficit primário estar próximo de zero não significa que o mesmo é obtido sempre de uma única forma. Terceiro, as circunstâncias externas que FHC enfrentou e as que o presidente da Silva enfrenta são muito diferentes sendo que, no último caso, herdou-se uma política macroeconômica muito mais adequada ao momento atual (câmbio livre e política monetária razoavelmente mais independente) do que em outros períodos de transição de nossa história.

Do ponto de vista liberal, sem dúvida, nem FHC, nem da Silva foram presidentes liberais. A confusão está, na verdade, entre os não-liberais, que ora criticam, ora elogiam o presidente atual…e sempre pelos mesmos motivos. Por isto eu insisto sempre nos tags “socialismo real” e “bolivarianismo”: as pessoas precisam aprender a dar nomes aos bois e, mais do que isto, explicar o que são os bois, de jure e de facto.

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Evolução da Macroeconomia

Acabei de ler o belo texto do Mankiw: Macroeconomist as a Scientist And Engineer. Mankiw descreve uma interessante trajetória do estudo da macroeconomia, passando pelas escolas e entrando no debate que estamos acostumados a ouvir (neo-clássicos vs neo-keneysianos). Recomendo a leitura a todos estudantes e interessados no assunto.

No texto, percebemos a evolução teórica e a contribuição de cada escola. Além disso, ele fala que o macroeconomista tem duas funções: o de cientista (desenvolve a parte teórica) e o engenheiro (utiliza a teoria para desenvolver modelos e assim aplicá-los).

Apesar de todo o avanço teórico, muito pouca coisa tem alterado na prática, segundo o autor. O modelo utilizado pelo governo Bush para avaliar o impacto do corte de impostos em 2001 e 2003, por exemplo, é baseado nos modelos de Klein, Modigliani e Eckstein da década de 1960.

Assim, muito pouco da evolução teórica dos anos 80 e 90, por exemplo, foram aplicadas modelos.

Outro ponto de vista que achei interessante no texto é o que é passado para agente (alunos) em sala de aula. Se formos pensar bem, o modelo IS-LM (e algumas de suas variações como o IS-LM-BP) é a base de muita coisa que vimos na graduação. Muito das evoluções recentes na macroeconomia são ignoradas pelos professores.

Quantas pessoas já viram o modelo IS-MP, muito mais relevante para países com metas de inflação? Eu vi. Sou um privilegiado, creio.

Mankiw fala que a maioria dos alunos estão mais interessados em serem engenheiros macroeconômicos a cientistas. Acho que realmente isso é verdade, vide o número de alunos que querem ir para o mestrado e Ph.D. Sendo assim, a ênfase em estatística e econometria nas universidades brasileiras não seria pequena?

Apesar de ter visto o Modelo IS-MP em sala de aula, por exemplo, não vi o modelo aplicado, ou seja, não vi como estimá-lo econometricamente.

Essas questões chamaram a minha atenção. E vocês, o que acham?