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Mais uma dos nossos “neocons”

Neocon, no Brasil, é todo aquele que defende o status quo que, no caso do país, é o não-liberalismo. Uma vez definido isto, chamo a atenção para o esclarecedor post do Lucas, lá no Ordem Livre que reproduzo abaixo.

Não precisamos de um novo currículo do governo

O governo acaba de instituir a obrigatoriedade do ensino das culturas africana e indígena nas escolas.

Esse tipo de notícia provoca uma vontade quase irresistível de discutir nossas preferências curriculares. Eu mesmo, ao terminar de lê-la, logo me vi defendendo mentalmente a cultura grega.

No entanto, fazer isso seria simplesmente perder o foco. A grande questão não é qual currículo as escolas seguirão, mas sim, quem tem a autoridade para escolhê-lo. Quando começamos a discutir se o novo currículo do governo é bom ou ruim, deixamos de ver todos os problemas que qualquer currículo do governo sempre terá.

Em primeiro lugar, dar ao governo a autoridade para escolher o currículo de todo o país implica em uma uniformização enorme de todo o ensino. Isto implica no fim da competição entre currículos: uma escola fica proibida de tentar elaborar um currículo inovador para adquirir uma vantagem sobre a concorrência.

Em segundo lugar, isso significa que toda futura mudança curricular precisará passar pelo processo político. Ao invés do professor ir progressivamente afinando seus métodos, ele precisará formar um comitê político e tentar pressionar o congresso para aprovar cada nova reforma.

Em terceiro lugar, nunca teremos certeza de que o interesse dos políticos sempre coincidirão com os nossos. Na medida em que a educação dos nossos filhos passa a ser decidida pelo governo, isso significa que estamos efetivamente abrimos mão de nossa autoridade sobre eles. O atual governo talvez concorde com nossos ideais. O próximo talvez trabalhe diretamente contra eles.

Não precisamos de um novo currículo do governo. Precisamos que o governo pare de escolher os currículos.

O negrito foi por minha conta. Note bem, leitor, que o todo o textinho está bem escrito e claro na argumentação. Mas, para mim, os negritados são os mais importantes. As pessoas, quando saem por aí criticando o que pensam ser o liberalismo, nunca gostam destes argumentos. Sempre fogem da argumentação abstrata, nestas horas, para um ponto como: “na realidade sempre haverá mudanças de governo, por isto não deveríamos nos preocupar”.

O argumento, como se pode perceber sem muito esforço, não é bom. Eu poderia argumentar pelo massacre de judeus com a mesma história: “se a democracia escolheu massacrar judeus agora, não é problema porque sempre haverá novos governos eleitos posteriormente…”.

Ora, se assim o é, então você percebe que podem existir tendências geradas por idéias estúpidas e não estúpidas. Na verdade, o bom do liberalismo é que se você mesmo perceber que uma idéia é estúpida, você pula fora rápido. Alguém dirá: “ah, mas e se você não perceber? Não é melhor que alguém guie você para a boa idéia”? A resposta é: não, não é uma boa idéia. Ou pelo menos não é uma boa, exceto se o mundo for habitado por anjos que são eunucos em termos do interesse próprio, na feliz expressão de James Buchanan.

Por isto o liberal gosta de limitar o tamanho do governo. Quanto menor o tamanho do bolo, menor o quinhão que poderá ser roubado da sociedade. Isto vale não apenas para gastos públicos ou carga tributária. Isto vale, principalmente, para sua vida. Regulação é um remédio que nossos neocons gostam de aplicar em excesso, gerando obesidade estatal e dependência do governo como o Lucas, brilhantemente (brilha de tão clara a explicação…), expôs acima.

Não é questão de ser contra ou a favor do aprendizado da cultura indígena ou africana. É questão de permitir às pessoas que não querem estudar isto se moverem para outras escolas. Regular tudo é tirar as opções das pessoas, o que nos leva aos dois posts anteriores neste blog:

São questões para se pensar. Pergunte ao seu professor sobre o que ele acha do post de Lucas, reproduzido aí no alto. Pergunte também sobre o que ele acha destas reflexões. Exercite seu direito de compreender melhor a realidade. Em um regime liberal, claro, isto sempre ocorre. Não é à toa que você encontra neste blog temas os mais diversos debatidos sem o menor preconceito ou medo de errar. Faz parte do jogo liberal e é exatamente o que não querem nossos neocons bolivarianos e autoritários. Se não acredita em mim, ótimo. Vá lá ler Hayek para ver o que ele diz sobre liberalismo e depois volte aqui para dizer que se enganou. ^_^

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