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Democracias menos liberais são também as mais falidas – o papel da lei

Em prosseguimento à nossa discussão com os que acham democracia e liberalismo incompatíveis, mais uma colaboração do Cristiano Costa. Trecho que ele cita da The Economist:

“After putting them on a comparable basis, the causal link is clear. The better a government upholds the rule of law, the more likely its people are to be richer: every rich country, with the exception of Italy and Greece, scores well on rule-of-law measures.”

Espere: fazer o que os presidentes bolivarianistas (somente os assumidos, não os que estão no armário) fizeram com os contratos internacionais do gás e do petróleo é, então, uma péssima idéia? Claro. Se você estudasse economia há uns, digamos, 100 anos, saberia disto.

Contudo, muitas vezes, o canto da sereia da preguiça é maior. O pessoal não-liberal tem até candidato à presidência da República.

Eis aí o ideal de vida deste povo: somente uma pessoa toma decisão e tudo na vida é em função do “social” (ou “da coletividade”). Você pode rasgar a Constituição se for a rainha Borg, claro. Ou seja, este papo do “social” acima de tudo é, na verdade, a maior balela. Na verdade, quem está acima de tudo é a rainha Borg. Mas como ela não quer estar lá sozinha, provavelmente levará muitos de seus apaniguados junto.

Engenharia social é tudo para esta gente. Liberalismo, claro, nunca será compatível com engenharia social embora, sim, haja muito economista bom de serviço que adora a rainha aí acima e se acha distante do pessoal da rasgação de contratos. Esta é uma questão interessante que envolve um texto de Hayek (algo como Individualism: True and False) que nunca foi traduzido antes (alô, alô, alguém aí do Ordem Livre acordado?) e que é muito esclarecedor.

Claro que não há nada disto lá na The Economist. A revista pára com a discussão lá na econometria do gráfico que o Cristiano cita. É óbvio que a redação da revista tem lá seus interessantes mas, como lembrou o Drumond, outro dia, em um comentário a outro post do blog:

“Obviamente a campanha defende interesses dos empresários do setor de TV a cabo. Mas é uma campanha que também atende aos interesses dos consumidores. Como resultado (indireto?) da campanha deles, sua liberdade prevalece.”

É uma boa observação, interessante como usualmente o fato de existirem interesses ‘por trás’ de algo parece ser, para alguns, justificativa para desmerecer uma causa. Como se não houvessem interesses por trás deste projeto de lei(leia-se, produtoras nacionais, atores, etc.). Existe, ao meu ver, uma predileção em julgar contra a defesa dos interesses que já prevalecem, e que ingenuamente não enxerga a luta de novos interesses para prevalecer.

Desde Adam Smith que sabemos desta história de interesses. O que os não-liberais não entendem – de jeito nenhum, tenho visto ao longo de minha vida – é que a socialização e a politização da vida não é nada mais do que dar a uma visão da sociedade o domínio autoritário (e totalitário) sobre todas as outras.

Eis aí a importância de se discutir o papel da lei no crescimento econômico. Para mim, vai além da estúpida rasgação de contratos que vimos neste continente, sob a complacente e silenciosa visão dos bolivarianos-que-estão-no-armário. Rasgar contratos é dizer, simplesmente, que os interesses de duas partes, previamente acordadas e celebradas em um documento oficia, é lixo para uma das partes. Que tipo de sociedade pode viver sem conflitos violentos, no longo prazo, se a regra é sempre a do mais forte, ou seja, daquele que detém o monopólio da violência?

Mais uma vez, você tem muito material para perguntar ao seu professor.

Se você chegou aqui agora e não leu a sequência de posts anteriores, sugiro que use o link do início deste pequeno texto e leia criticamente tudo. Faça a si mesmo as perguntas óbvias: por que sempre me falam o oposto do que este cara diz? A quem interessa defender o direito à liberdade de todos? É a liberdade compatível com um estado socialista/social-democrata/bolivariano (comunista ou socialista real, tanto faz)/etc ?

Até a próxima.

Um comentário em “Democracias menos liberais são também as mais falidas – o papel da lei

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