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Responde aí, leitor

Mais um cabide

Então a TV do governo federal será criada.

Você não vai assisti-la, nem eu. Mas meia dúzia de pessoas empregadas por ela (ou que desejam ser empregadas por ela) vai defender a TV federal dizendo que precisamos de uma alternativa à “tirania do mercado”, isto é ao fato de muitas pessoas livremente preferirem assistir a outra coisa sem interferir no seu direito de assistir ao que bem entender. Contra essa “tirania” com aspas, acham justo impor a tirania sem aspas: “passe para cá o seu dinheiro para eu criar um canal de TV que pague meu salário”. E ainda acham-se democratas. Isso é um problema cognitivo muito grave.

Agora, como curiosidade, será que o governo democraticamente liberará os torrents para a gente baixar os programas? Ou vai disponibilizá-los num formato de vídeo que só pode ser tocado pelo iGovernoFederal Player? A BBC disponibiliza vários programas, mas você precisa preencher um formulário e estar no Reino Unido. Por isso a pergunta não é tão engraçadinha assim.

Pedro Sette é quem escreveu este texto. Lá no Ordem Livre.
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Bem público

Se tudo der certo, ainda hoje, terei aqui um bem público para o pessoal da Econometria, especificamente os que estimam fronteiras estocásticas. Quando estiver pronto, farei o upload em minha página pessoal, ou seja, só quando sair da faculdade porque aqui o firewall é forte.

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Para estes, claro, não existem medidas econômicas…

Dados inéditos da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo indicam que o novo critério de organização da fila do transplante de fígado, adotado no País em julho de 2006, que leva em conta a gravidade do estado de saúde dos pacientes, ainda não teve o resultado desejado – reduzir a espera para todos os casos graves e assim baixar as taxas de mortalidade de pessoas que precisam do órgão. Em São Paulo, onde estão mais de 50% dos doentes da lista do País, houve aumento das mortes. Por outro lado, já há indícios de que o critério Meld (sigla em inglês para Model for End-Stage Liver Disease) diminuiu o número de inscrições desnecessárias na lista do fígado. Com o novo parâmetro, médicos não podem mais inscrever pacientes só para “guardar lugar”, como ocorria quando o critério de organização da fila era cronológico (pela data de inscrição na lista). Hoje 6.452 pessoas no País esperam um fígado – a maior fila entre os órgãos, sendo que 3.432 pacientes estão no Estado de São Paulo.

Nem sonhe com um “pacote cambial” ou um “Bolsa-fígado” para salvar vidas de gente como a citada acima. Para o pagador de impostos (convertidos em subsídios para amigos e eleitores), nunca há jeito. Eis aí um problema de saúde pública que já é até exemplo de livro-texto de Microeconomia (adivinhe qual?) mas cujas propostas de solução via mercado são sempre vistas com muito desconhecimento e preconceito.

Mas há um ponto crucial aqui. Mercados, como já disse alguém, não funcionam no vácuo. São necessárias instituições. Agora, instituições podem incentivar a busca pelo lucro e maximizar o bem-estar social ou, por outro lado, podem incentivar a puxação de saco e a politicagem e maximizar a boa vida de alguns poucos (às custas dos outros).

Entendido isto, que fique claro que, a solução de mercado que nunca é discutida é aquela que vê a busca pelo lucro como algo que deva ser preservado. Pelo contrário, a discussão sempre se inicia com premissas falsas (“mercado é individualista e egoísta, malvado, feio, gera desigualdade, racismo, etc”) e, portanto, já inicia contaminada. Ficamos a anos-luz de uma discussão realmente séria sobre os incentivos econômicos que poderiam ajudar a salvar vidas.

Preste atenção, leitor: em nome do igualitarismo (ou do não-individualismo, da menor liberdade em sua vida), alguns que se denominam “preocupados com o social” deixam até que pessoas morram por falta de um fígado ou de um rim. Eis a lógica “não-mercado” e eis a ética que ela preconiza.

Claro, há os desinformados e os que desejam debater. Mas, como já disse, se o desejo do debate esbarra na incompreensão quanto aos incentivos adequados, obviamente a política que é gerada já nasce fadada à preservação do status quo, ou seja, do que você leu aí em cima.

Por isto é que medidas para o câmbio saem rapidinho para uns enquanto outros ainda lutam por uma saúde decente.