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Nunca antes na história deste país um ministro foi tão sincero

Gostei de ver a sinceridade:

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, disse ontem que a nova política industrial será o “Bolsa-Família” do setor de produção. “Vamos pegar tudo que há no governo de forma desorganizada e dar uma coordenação. Será mais ou menos o Bolsa-Família da área industrial”, afirmou.

Nossos industriais não são exatamente aqueles “gigantes do capitalismo”. Afinal, “competição é coisa de estadunidense“, diz o empresário que ficou uma hora na fila do aeroporto de Miami e se irritou. Eis o destino de nossos empreendedores: dependerem do “Bolsa-Família” do setor de produção. O famoso “lado real” da economia, que tanto reclama do resto (provavelmente o lado fictício da economia) é o alvo da mais nova política social do governo.

Eu não sei se rio ou se choro, mas entendo bem quando os think tank liberais reclamam que não recebem doações desta gente: eles não querem liberalismo.

Mas, dirá você, Cláudio, você reinventou a roda! Nem tanto. Eu já sabia disto. Aliás, Stigler, uma vez, falou algo similar ao que estamos a conversar aqui. Há ainda aquele livro – como é mesmo o nome? – Salvando o Capitalismo dos Capitalistas (acho que é isso) que é bem pouco lido nas faculdades de Economia do Brasil (infelizmente), pois mostra que o discurso Woodstock do “socialistas-do-bem” versus “qualquer não socialista” não funciona para explicar nem cantiga de roda das meninas no clube matinal de domingo, com a família.

Todo mundo já sabe e vou repetir: há duas formas de se ter problemas:

Claro, pode-se combinar isto também. Uma vez que você se livre da burrice (todo mundo já foi burro um dia…eu, pelo visto, continuo burro em um monte de coisas) e enxergue bem os interesses que buscam subsídios às custas do dinheiro que poderia ir para a enfermeira que cuida da sua avó, o desafio maior consiste em entender como criar incentivos que nos levem para longe desta cloaca, sem perder a ternura (eu sou, por burrice, um democrata, mesmo sob a artilharia pesada dos inimigos que jogam, sim, bem sujo).

O lado ruim da história é que nós, liberais, também somos imperfeitos e erramos. Somos humanos. Reconhecer isto, na selva, é sinônimo de fraqueza. Quem berra mais alto (viva a “cultura” indígena de 1500!!), ganha! Argumentos racionais? Nenhum. Avaliação de políticas públicas? Nada. Debate? Só entre iguais (ei, isto é debate?).

Vá lá que exista um evento isolado, lá no Rio Grande do Sul, uma vez por ano, que realmente promove um debate. Entretanto, este ainda é confuso para a mídia que se apega a uma incorret identificação entre conservadores e liberais. Isto sem falar no pseudo-paradoxo entre “mais liberdade é sempre igual a mais fascismo”.

Aproveitando que acordei cedo hoje, vamos ver um pouco mais do que o excelente Ordem Livre nos fornece de leitura (sério mesmo, quando Pedro Sette me convidou a participar do blog do Ordem Livre, eu me espantei com a quantidade de excelentes traduções que eles estavam fazendo). Um pouco de reflexão para você:

A experiência transformou em cinzas as grandes esperanças que os coletivistas e socialistas depositaram na Rússia e na China. Na verdade, a única esperança desses países vem de seus movimentos recentes em direção ao livre mercado. Da mesma forma, a experiência, digamos, enfraqueceu as esperanças extravagantes colocadas no socialismo fabiano e no Estado do Bem-Estar Social na Grã-Bretanha e no New Deal, nos Estados Unidos. Um grande projeto governamental após o outro, todos iniciados com as melhores intenções, resultaram em mais problemas que soluções.

Poucos, hoje em dia, consideram que a estatização de empreendimentos é um meio de se promover uma produção mais eficiente. Poucos ainda acreditam que todo problema social pode ser solucionado pelo aporte de dinheiro do governo (ou seja, dos contribuintes). Nessas áreas, as idéias liberais – no sentido original da palavra “liberal”, do século XIX – venceu a guerra. O crescente fardo da tributação levou a população em geral a reagir contra o crescimento do governo e de sua ampla influência.

As idéias desempenharam um papel fundamental, como nos episódios anteriores, por manterem as opções abertas e por fornecerem políticas alternativas a serem adotadas quando há necessidade de mudanças.

Como nas duas ondas anteriores, a prática deixou as idéias para trás. Assim, tanto a Grã-Bretanha quanto os Estados Unidos estão mais longe do ideal de uma sociedade livre do que estavam há 30 ou 40 anos, em quase todas as dimensões. Em 1950, o gasto pelos governos federal, estadual e municipal, nos Estados Unidos era de 25 por cento da renda nacional; em 1985, era 44 por cento. Nos últimos 30 anos várias agências governamentais foram criadas: um Departamento de Educação, um Fundo Nacional para as Artes e outro para as humanidades, EPA, OSHA, e daí por diante. Funcionários públicos, nessas e em outras agências decidem por nós qual são os nossos interesses.

Pois é, leitor. O buraco é mais embaixo, né? Tudo bem, um dia a gente tem que começar a se perguntar sobre estas coisas. Por exemplo:

  • Se Hayek é um sujeito liberal, contra guerras ou conflitos, por que ninguém gosta de citá-lo nos cursos universitários que envolvam, sei lá, discussão de idéias de “grandes pensadores”?
  • Se Hayek é um economista tão importante quanto diz Friedman (este, mesmo que o leitor não goste, é muito importante, né?), por que sua ausência das salas de aula?
  • A quem interessa caracterizar Hayek como um “autor desta seita de fanáticos neoliberais malvados e feios”?

Boas perguntas. Duvido que haja uma única boa resposta que não envolva o preconceito ideológico. Mas, veja só, sou um liberal, pode ser que haja alguma. Comente educadamente e, claro, discuta com seu professor.

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Um comentário em “Nunca antes na história deste país um ministro foi tão sincero

  1. Claudio,

    lendo seu belo texto, surgiu uma dúvida. Por que no privado é mister o dito planejamento estratégio central via a figura do executivo e no publico, algo considerado como pecado dada a distinção dos poderes legislativo, executivo e judicial? A pratica libertária não parte de ações comuns em todos os setores na busca da eficiência de mercado? Afinal, ambas correntes (os neo-comunistas e os neo-liberais) pregam a economia solidária. Tanto o pessoal ligado ao movimento anti-ulilitarista (ao defender a economia solidária) quanto os economistas liberais pregam, no final, a mesma bandeira de concorrência perfeita. Não seria um grave problema de agenda de pesquisa entre a socilogia e a economia ou ela existe no mundo, mas aqui no Brasil é inexistente por total burrice?

    Nota:
    (1) já ouvi do outro lado da moeda que Hayek é um eugenista. A obra prova o contrário. Realmente, não seria um problema de agenda visto que o objetivo de ambos os lados é o mesmo, ie, concorrência perfeita?
    (2) quando falo nestes lados, falo em sociologia e economia.

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