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No dia das Mulheres (acho que foi ontem)…

E o carinho também se expressa através de belos presentes. Acho bacana esta idéia de Mona e Maya de fornecerem um produto diferenciado. Outro dia alguém me disse que as meninas estão cansadas destas bonecas que imitam gente e têm, cada vez mais, buscado bonecas simples, que não piscam os olhos, não fazem barulho, não fazem xixi, etc.

Dá para entender. Afinal, como é que a menina vai se divertir se não precisa imaginar muita coisa?

Na foto de hoje, Mayuminha se diverte com flores e um belo chocolate (note seu lado high-tech perto do pé direito…)

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Meu xará mulatão manda bem na crítica: o que é um país racista?

Descubra neste excelente texto do xará:

09 Março 2008

Defendendo o Bananão daqueles que querem “ajudar”

A moda entre os descolados é dizer que o Brasil é mais racista que do que um dia foram os Estados Unidos e a África do Sul. Devido a isso temos que ler coisas como:

Após fazer dois gols no time de Bauru, o tricolor cede o empate. Vexame. Torcida irritada. Torcedor troglodita xinga o juiz de todos os nomes. Depois, urra um “macaco!” para defensor negro do Noroeste. Alguns se constrangem, mas ninguém protesta, até porque só tem branco nas cadeiras numeradas. O Brasil é racista.

Aposto meu salário do mês que, entre os torcedores que zoaram o defensor do Noroeste, havia negros e mulatos. A afirmação de que “só tem branco nas cadeiras numeradas” é típica de quem acha que lugar de negro é na cozinha. O cara nem se dá o trabalho de ir conferir: negro para ele é sinônimo de pobre e ponto final.

E ainda quer me dar lição de moral.

Certas coisas são tão elementares que me impressiona termos que discutir certos conceitos em pleno Século XXI. Um país não é racista porque tem pessoas racistas no meio da sua população. Um país é racista quando adota a raça como critério para favorecer ou prejudicar determinados grupos. E até um passado recente, o Brasil não era assim. Lembro que no meu vestibular, no final dos anos 80, não precisei indicar minha raça e tive que disputar minha vaga na UERJ aos tapas com brancos, asiáticos, negros e mulatos como eu.

Mas uma certa colunista de economia de um certo jornal diz que eu tive sorte apenas. Claro, claro. Como eu poderia imaginar que negros e mulatos podem conseguir algo por esforço próprio, sem a ajuda dos brancos? Tolinho!

Pois então eu desafio a qualquer um dos descolados a me apontar uma única lei federal, estadual ou municipal vedando a um negro o acesso a qualquer serviço público.

Desafio ainda a apontar qualquer caso de vestibular onde o critério “raça” tenha sido utilizado para excluir um negro de uma universidade.

Desafio também a me mostrar qualquer concurso público onde a raça fosse um critério para seleção ou classificação.

Resmungado às 11:19:00

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Olha só…

Ontem tinha gente vindo aqui em busca de…

Ontem

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o papel do estado liberal na economia 5
“números negativos” 4
curva indiferença dois bens neutros 3
receitas para engordar 3
de gustibus non est disputandum 3

Curvas de indiferença para dois bens neutros? Três colegas chegaram aqui. Previsão: alguém fará prova em breve. Esta pergunta nem deveria estar no Google. Vou dar a dica, de graça (mas pode comprar meu livro para me ajudar, tá?).

Seja a seguinte função de utilidade U(x, y). Suponha que x e y sejam “bens neutros”. Isto significa que dU(.)/dx = dU(.)/dy = 0. Isto pode ser ilustrado por U(.) = ax + by, com a = b = 0.

Agora, desenhe o diagrama com x na horizontal e y na vertical (ou o contrário).  Seja x = 1 e y = 1. Qual o valor de U(.)? Ok. Agora faça x = 1 e y = 2. Depois com x = 1 e y = 3. Qual é o desenho da curva de indiferença? Notou? Não? Então, fixe x = 1 e varie os valores de y. Esquisito? Qualquer par ordenado (no caso, “cestas”) retorna exatamente o mesmo valor de utilidade?

Ok, ajudei três leitores. Seriam eles alunos? Professores picaretões? Ou curiosos? Vai saber…

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Afagos meio esquisitões

Diz o grande Gabeira ao repórter do Estadão (negrito da resposta do Gabeira por minha conta):

O modelo de relação com o governo federal seria um pouco o do governador Sérgio Cabral?

Seria um modelo de relação parecido com o que existe com o Aécio e o Fernando Pimentel em Minas. Talvez não tenha, necessariamente, esse calor humano que existe entre os dois. Mas um modelo maduro de buscar solução para as questões do Rio, com o máximo de eficácia, passando por cima das divergências políticas e dos eventuais ressentimentos.

Agora, de Minas Gerais, algumas observações:

  • O mensalão surgiu aqui.
  • Todo jornalista engajadinho de Beagá odeia o nome do governador, mas adora o do prefeito. Inclusive, reclama de censura do primeiro, mas faz uma voluntária para o segundo.
  • O que uniria gente tão diametralmente oposta (segundo os engajadinhos)? E o que dizer da aliança com o ex-governador Newton Cardoso com os chefes dos militantes há algum tempo? Nem pegou mal, né?
  • O mensalão surgiu aqui (de novo).

Calor humano? Sei…

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Tire a mão da minha lingüiça já é clássico da literatura no Brasil

Pare o mouse em cima da foto do livroEi, tire o mouse da minha lingüiça!

Hehehe! Agora eu possuo em papel o novo clássico (neoclássico?) da literatura luso-afro-brasileira: “Tire a mão da minha lingüiça”, o qual eu tive o prazer de ler o ‘manuscrito’, ainda antes do lançamento do livro. Não existe algo como um fio-central que conduza a obra, o que, claro é uma boa notícia para CEOs com déficit de atenção. De fato, as histórias são deliciosamente aleatórias (sendo a aleatoriedade um dos elementos do humor).

O que mais? É uma grande pedida, providencie a sua cópia em papel ou em e-book aqui.

Eis aí o depoimento do revisor do meu texto. Depois desta, eu encomendaria 200 exemplares para a biblioteca. Digo, 200 para cada biblioteca que existe no Brasil (não são muitas mesmo…). Ou então, seguindo a tradição não-liberal brasileira, eu faria um lobby que obrigasse todas as bibliotecas (inclusive as dos institutos-braços dos partidos políticos) a comprarem, cada, 200 exemplares. Tudo em nome do social, claro.

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O tal Bolsa-Família

Ok, eu gostei da matéria do Estadão. Meus poucos amigos jornalistas sabem que admiro jornalista que realmente trabalha. Estes aí, do jornal de São Paulo, trabalharam. Cruzaram informações. Já é muito. Querer uma regressão múltipla, sim, seria querer demais (exceto se o cara tiver feito um MBAzinho decente).

A questão do Bolsa-Família é sempre polêmica. Falei disto para 50 cabeças de estudantes no início do semestre que ora se desenvolve. Alguns me olharam com um ar de indiferença, outros acharam interessante, alguns palpitaram e outros continuam a falar muito sem entender as implicações disto para suas vidas.

Há um artigo que eu, Leonardo Monasterio, André Carraro, Otávio e Ari escrevemos sobre a existência ou não do impacto deste programa social sobre a reeleição do sr. da Silva. O debate é importante, inclusive, do ponto de vista metodológico. Há um outro artigo, com uma base de dados diferente, que afirma ser um ponto crítico ao nosso. Ambos foram submetidos ao último encontro nacional da ANPEC, mas apenas o outro foi escolhido. Imagino se a tradição dos debates na ANPEC sucumbiu a outros fatores, já que ambos os artigos falam do mesmo tema, com metodologias e bases de dados distintas, o que é sempre um prato cheio para o aprofundamento do conhecimento do tema.

Mas a matéria do Estadão desperta em mim meus mais primitivos instintos científicos, para citar o ex-aliado do presidente da Silva, o sr. Roberto Jefferson. Pergunte ao seu professor:

  • Qual a melhor forma de se medir o fenômeno: “bolsa-família no município”? Este é um debate que você encontrará em nosso artigo e é muito relevante para se começar a discutir o tema. O outro artigo citado também sofre deste problema, creio, em um grau mais forte, já que usam dados estaduais.
  • Se existe impacto do bolsa-família sobre a votação do atual ocupante da Granja do Torto,  sem a correspondente melhora na escolaridade das crianças, isto ocorre por conta de fatores externos ao programa? Ou o programa é mal formulado? Ou a má formulação técnica oculta uma bela formulação política, com fins eleitoreiros?
  • Por que alguns governos preferem gerar mais empregos do que usar mecanismos de transferências (ou mesmo de “criação estatal de empregos”)? Por exemplo, otimistas radicais quanto a este tipo de receita (transferências) são os socialistas e Cuba ou Coréia do Norte seriam os melhores exemplos de “sucesso” deste tipo de política (inclusive com reeleições maciças dos ditadores destes campos de trabalho gigantes). Isto significa que toda transferência é ruim do ponto de vista da manutenção das liberdades individuais? Radicalizo: dar esmola é algo que deveríamos evitar sempre, independente do estado de saúde aparente do pedinte?
  • Países que adotam políticas mais liberais geram mais empregos, suponha apenas para fins da pergunta (mas olhe os dados!). Posto isto, pode-se dizer que liberalismo é um conceito absolutamente contrário, oposto ou radicalmente contra o de caridade? É possível um sujeito ser liberal e caridoso? Posto de outra forma: pode um sujeito não-liberal ser caridoso? Até que ponto o controle social da vida das pessoas (o bordão preferido dos não-liberais) é, de fato, um ato compatível com a melhoria de suas vidas?
  • Viver como um animal no matadouro sendo alimentado com ração de primeira é a melhor opção de um sujeito muito pobre? Discuta as implicações disto no curto e no longo prazos. Elabore, em linhas gerais, um programa de incentivos que seja o mais imune possível à manipulação eleitoreira e aos interesses dos apaniguados (que jamais desejarão tirar a mão do vil metal…).

Eis aí muito material para análise. Ah sim, o povo do Banco Mundial é fascinado com este tipo de programa. Pesquisa o site deles (www.worldbank.org) e enriqueça sua discussão. A única dica de leitura adicional é aquele famoso livro do William Easterly, cuja tradução estranhíssima do título é: “O Espetáculo do Crescimento”.

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O povo educado não vota em você? Não o eduque!

Regras básicas:

1. Mantenha uma linguagem pitoresca, próxima da do menos educado, inclusive com preconceitos e falsidades científicas (ou, como gostam alguns, “não-verdades”, “inverdades”…).

2. Distribua dinheiro e se preocupe pouco (ou nada) com a mensuração do impacto do dinheiro (ou mensure de forma errada) no tal bem-estar social.

3. Tome medidas hilárias, absurdas e inacreditáveis para causar barulho na imprensa, mas jamais, jamais mesmo, deixe que o debate seja mediado por alguém inteligente (dica: incentive o radicalismo para nunca ter um inimigo mais inteligente que você no debate).

Eis aí a receita do sucesso.