Uncategorized

Eu adoro o futebol

A história da famosa música I Love You Ferrão

Um dos slogans mais conhecidos do futebol cearense é o famoso: “I Love You Ferrão”. Criada pelo competente jornalista Alan Neto, no início dos anos 90, a frase caiu no agrado do público cearense e, sobretudo, foi acolhida pela torcida coral.

“I Love You Ferrão” pode ser visto nos adesivos dos carros, nas faixas nos estádios, nas camisetas das crianças e em vários outros locais. O que pouca gente recorda é que o famoso slogan virou até música!

Em 1994, para comemorar o título do Ferrão, que evitou o tri-campeonato do Ceará, o conhecido compositor cearense Jackson de Carvalho homenageou o Ferroviário com a música “I Love You Ferrão”.

Não poderia haver local mais convidativo para o lançamento da canção. Ela foi apresentada pela primeira vez justamente no programa de rádio do Alan Neto.

Eu sei, parece até que incorporei o Cardoso ou o Bender, mas é difícil não rir imaginando um menino com uma camisa destas…e viva o Ferrão (acho)!

Anúncios
Uncategorized

Reflexões pós-almoço

Direto do Ordem Livre:

Ainda a linguagem

Respondendo ao Diogo, lembro que a pressuposição de “um processo de deliberação coletivo” vem da democracia ateniense, em que um número relativamente diminuto de pessoas tinha a oportunidade de discutir face a face. Apenas os cidadãos – homens com mais de 18 anos que tenham completado seu treinamento militar – poderiam votar. E já nessa época havia a preocupação com a linguagem. “Sofista” era o professor de retórica que ensinava a falar nas assembléias, daí que tenha sido uma profissão de extremo prestígio. Como não havia imprensa, e muito menos TV, as condições de comunicação eram bastante distintas – o que já não impediu a grande tríade Sócrates-Platão-Aristóteles de combatê-los, mostrando que a busca pela verdade não se coadunava necessariamente com a ação política imediata. Se hoje professores universitários de esquerda pretendem restabelecer o prestígio dos sofistas (e seria tolo dizer que todos eram oportunistas malvados; vide, por exemplo, o famoso Górgias), é porque pretendem eliminar a esfera da interioridade humana, a esfera do pensamento despolitizado.

Também é preciso dizer que a manipulação da linguagem não é um problema em si. Se um poeta manipula as palavras, por que um político não poderia fazer o mesmo? O problema, para o qual não advogo nenhuma solução estatal (Deus me livre do Ministério da Linguagem), é a atmosfera de pomposidade criada pela política, o que já foi perfeitamente retratado por Dias Gomes com o personagem de Odorico Paraguaçú. Só que, às distorções naturais do ambiente político (e todos os ambientes têm suas distorções peculiares), acrescentam-se as distorções da mídia de massas, que pressupõe um espectador genérico; por mais segmentado que seja, ele sempre é criado a partir de pesquisas de opinião. A existência de uma fala onipresente – e aí recordo a frase perfeita de Churchill, “não existe opinião pública, e sim opinião publicada” – cria a ilusão de que há também o ouvinte médio, onipresente.

Não creio que este problema tenha solução coletiva. A única coisa a fazer é meditar individualmente sobre aquilo que se fala e ouve, lembrando que, apesar de os políticos terem publicitários coordenando sua comunicação, devem ser responsabilizados pelo que dizem.

Bom texto. Bom texto.
Uncategorized

Democracias menos liberais são também as mais falidas – Mais “food for brain”

Antes de ler o que se segue, veja estes posts. Agora vejamos alguns gráficos. Primeiramente, a relação entre Estados Falidos e o Respeito à Propriedade Intelectual.

Novamente, nada que não esperássemos. Contudo, em um dos posts desta série, eu levantei a peteca para a moçada que conhece Nova Economia Institucional e o conceito de rent-seeking. Em outras palavras, eu perguntei: será que empreendedorismo é sinônimo de um governo saudável? A resposta é: nem sempre. Não quero me estender agora sobre o tema, mas deixo aqui o gráfico usando os dados do GEM (já falei disto hoje, leia o blog com atenção).

Notou que o ajuste é ruim, não? Esta é uma dica: regressões simples são sempre simples e não são suficientes para melhor entendermos o que se passa. Mas eu gosto deste gráfico. Ele me dá a impressão de que a relação entre empreendedorismo (a TEA, medida pelo GEM) é não-linear no grau de falência de um governo. Isto me lembra aquela história do Baumol de que podemos ter empresários profit-seeking e rent-seeking conforme as instituições de um país. Obviamente, minha hipótese é que somente no primeiro caso existe possibilidade diminuir a falência de um Estado.

Apenas para brincar um pouco, fiz o que minha orientanda (uma delas) não fez até agora: o dever de casa. Então achei uns dados bem bacanas e os coloquei numa regressão. Os resultados estão aqui embaixo.

As variáveis independentes desta regressão – citadas no texto que está no link acima – são: LEGOR_XX (origem do código legal do país: GErmânico, SCandinavo, SOcialista, UK_Reino Unido). O LGDP98 é o logaritmo do PIB per capita em 98, o P_DEM94 é um índice de democracia (quanto maior, mais democrático), o RIGID é a rigidez da Constituição (no sentido de que quanto mais rígido, mais difícil é mudar a Constituição de um país) e o CONS_YR é a data da última constituição do país.

A variável dependente não é a colocação no ranking, mas sim o valor do “índice de falência dos estados”. Quanto maior, mais falido. É um modelo estimado que está aqui só para despertar sua crítica. Será esta especificação a melhor possível? Ou não? Que variáveis faltam em minha explicação? Liberdade econômica, instituições legais, cultura, riqueza….qual é o diagrama causal relevante entre todas estas variáveis?

Sim, um pouco mais de conhecimento da literatura ajuda. Bem, já dei milhares de dicas sobre onde você pode procurar mais sobre o assunto. Minha estratégia aqui é sempre esta “macroeconométrica” com pequenos casos específicos analisados. Algumas orientandas minhas devem se arriscar por este tipo de análise. Vejamos se estão atentas ao blog.

Para o leitor habitual, novamente, ficam aí as perguntas para você. E as dicas de onde procurar informações para seguir em frente.

Uncategorized

Democracias menos liberais são também as mais falidas – Colômbia e Venezuela

Já que o tema está em alta, que tal um pouco de análise do pessoal que fez o índice de Estados Falidos? Venho dialogando com o leitor há quatro ou três posts.

Sobre a Colômbia, diz parte da análise da patota do The Fund for Peace:

Economic Indicators
Colombia’s economy improved markedly in the FSI 2006, due largely to recovering coffee prices and President Alvaro Uribe’s strict financial policies. The public sector deficit fell to below 1.5% of the GDP and there was increased foreign direct investment in the Colombian economy in 2005, improving the indicator score by an impressive amount, nearly 4 points. Despite the improved economic situation in most of Colombia, there still exists chronic and acute poverty throughout much of the interior of the country, particularly in the large swaths of territory controlled by rebel and paramilitary groups. The indicator score for uneven economic development improved slightly in the FSI 2006, but severe disparities still exist between urban and rural areas.

Political/Military Indicators
President Uribe’s economic and security policies continued to gain approval from most Colombians living within government-controlled territory and he was granted the right to run for a second term by a constitutional court increasing his popularity and legitimacy, as evidenced by the improved score in this indicator. The continued clashes with the FARC throughout 2005 left a significant portion of the population without adequate access to basic public services, however, worsening the score in this indicator by over two points. In the territories which they control, the guerrilla and paramilitary forces act as the de-facto security forces, not the Colombian military or police, accounting for the high score in the security apparatus indicator. External influence primarily comes from the U.S., which provides massive amounts of aid and training for drug eradication programs. While the U.S. was still quite active in assisting Colombia in 2005, there was less reporting of direct U.S. military involvement in the country, which accounts for a lowering of the score for External Influence.

Sobre a Venezuela, por algum motivo, não há informações. Mas o fato é que a mesma está em melhor colocação no ranking do que a Colômbia (enviei uma mensagem e ainda aguardo o retorno do pessoal de lá mas, enquanto isto, vamos nos divertir…). Eis aí material quente para debate.

Observe que há várias variáveis importantes que podem nos ajudar a explicar o mau desempenho destas democracias que, vimos, são também menos liberais, economicamente falando. Já fiz algumas regressões por aqui e o leitor já deve ter percebido que a análise de alguns casos paradigmáticos (como a Colômbia) podem ser interessantes para enriquecer nosso conhecimento dos dados.

O que seria interessante? Comparar Colômbia com Brasil? Ou com a Suécia? Que pergunta se deseja responder em cada caso? Discuta isto com seu professor.

Uncategorized

O divertido Muamar Kadafi

Kadafi é uma personalidade única. Deve ser o ditador mais divertido do mundo. Já provocou os EUA (e ganhou, portanto, o direito a um livro numa antiga coleção da Abril, uma tal de “Grandes Líderes”), chamou os talebans de homossexuais e projetou carros esporte (se não me falha a memória do que me disse o Leo Monasterio). Mas agora ele inovou.

Essencialmente, a proposta é interessantíssima em termos econômicos. Resumo: Kadafi diz querer que os cidadãos da Líbia usufruam, eles mesmos, das receitas de petróleo. Antes haviam os comitês que decidiam isto e Kadafi não gostou da demora (é o que ele diz…vai saber…).

Vamos ver o quanto disto se transforma em um aumento de renda para os líbios.

Discuta com seu professor de Microeconomia:

a) um aumento de renda aos cidadãos feito por comitês ou diretamente na conta do cidadão são a mesma coisa?

b) Pesquise sobre flypaper effect (ou, em português: “efeito papel pega-mosca”) em Economia. Como você visualizaria isto graficamente?

Uncategorized

O circo em chamas…

Diz o Coronel:

Equador: talibã bolivariano.

A defesa da Colômbia, hoje, na sessão extraordinária da OEA vai estar baseada nas duas resoluções do Conselho de Segurança da ONU, que autorizaram as ações americanas no Afeganistão, para lutar contra a Al Qaeda, lá instalada sem obstáculo governamental. Esta estratégia justifica a tentativa do Presidente do Equador, ontem, de provar que estava realizando gestões para a liberação de prisioneiros, entre eles Ingrid Betancourt e os três reféns americanos. E a demonstração ostensiva, por parte da Colômbia, dos materiais encontrados nos computadores de Raul Reyes, que comprovam as ligações amistosas entre as FARC e o governo equatoriano. Para a Colômbia, o que o Equador estava negociando com as FARC era receber alguns reféns para fins promocionais e, em troca, liberar as suas fronteiras para livre acesso dos guerrilheiros, inclusive com transferência de comandantes militares que não concordassem com a decisão. É o que está gravado no computador de Raul Reyes.
Ontem, na ONU, o vice-presidente colombiano, Francisco Santos, também evocou, em Genebra, a Resolução 1373, que exige dos Estados compromissos vinculantes contra o terrorismo, determinando que “neguem refúgio a quem financiam, planificam ou cometem atos de terrorismo e os impeçam de usar os seus respectivos territórios para estes fins, contra outros Estados e seus cidadãos.”

A Colômbia gostaria de levar o assunto para a ONU, tendo em vista que a OEA não tem claro em suas resoluções quais os direitos dos países no combate ao terrorismo. Leia mais aqui.

Bem, vejamos o que faz a (lerdíssima) ONU…

Uncategorized

Saíram os novos dados sobre empreendedorismo

E o Sautet tem comentários interessantes sobre eles.

Interestingly for Kirznerian economics, GEM tries to account for entrepreneurial perceptions, perceived opportunities, and entrepreneurial intentions. Although I am not sure how much of these issues can be accounted for empirically (and the report provides a lengthy discussion of the relationship between perception and activity), an attempt to get some data might offer interesting insights into what people currently do.

While GEM is by and large a good idea, it is clearly founded on the idea that measurement is the (only?) source of scientific knowledge. As Austrian economists understand it, the phenomenon of entrepreneurship is largely a phenomenon of the mind. It is about alertness, perception, and imagination. What can be measured is only the tip of the iceberg and may give a partial and/or false account of what really goes on (in the entrepreneurial market process).

Teste para você saber se entendeu este post:

  • O que é economia kirzneriana? (Dica: Procure por Israel Kirzner) Sua faculdade tem algum livro de Israel Kirzner sobre empreendedorismo?
  • A discussão do final do post de Sautet é sobre a metodologia dos economistas da linha austríaca. Há ali uma certa ojeriza à mensuração. Você já leu sobre Filosofia da Ciência? Conhece a metodologia austríaca? As dicas são: Ludwig von Mises e Karl Popper, lembrando que ambos, ironicamente, foram membros da Mont Pelerin Society.
  • Claro, quem é Frederic Sautet?
  • Empreendedorismo: conceito absoluto? Ou depende das instituições do país? Excelente pergunta feita por muitos e bem resumida por William Baumol.

Feito o checklist acima, aos pontos: minha maior crítica a estes dados talvez seja que esta amostra é muito pequena. Além disso, embora discorde do ponto final de Sautet, creio que ele tem razão: medir a atividade empresarial (ou empreendedora, como gostam os empresários vaidosos) não é algo fácil. Ok, eu não tenho nada a propor para melhorar a metodologia e, portanto, não ficarei naquela crítica pterodoxa que reclama de tudo mas, na hora do pênalti, sai correndo.

Note, contudo, o potencial que estes dados têm para uma pesquisa decente sobre o empreendedorismo no mundo. O leitor antigo deste blog já viu artigos sobre o tema aqui. Se quiser, vá à caixa de “busca” (search) no alto da página e comece sua pesquisa.

Questão extra: empreendedorismo, microcrédito e instituições…há uma relação? Eis algo em minha coluna do IM, não-acadêmica, aqui.

Uncategorized

O circo pega fogo…

O Reinaldo Azevedo estimula a participação popular de forma elegante:

Em linguagem respeitosa, envie o seu protesto ao Itamaraty contra a posição do governo brasileiro em face da agressão de que é vítima o povo colombiano. Envie os e-mails para os seguintes departamentos:

– Assessoria de Imprensa do Gabinete do ministro Celso Amorim
imprensa@mre.gov.br
– DEA – Divisão da Organização dos Estados Americanos
dea@mre.gov.br
– DHS – Departamento de Direitos Humanos e Temas Sociais
dhs@mre.gov.br

Envie, depois, uma cópia de seu protesto para a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado. Não é preciso mandar cópia a todos os membros. Basta que ela chegue ao senador Heráclito Fortes (DEM-PI), o presidente.
O e-mail do senador é este:
heraclito.fortes@senador.gov.br

Espalhe esses endereços na rede.

Ah sim, lembra do final do post anterior? Pois é. Só agora o Estadão noticia.

Ainda no mesmo tema, eis o depoimento de um venezuelano sobre a vida sob o governo atual. O bacana é a experiência que muitos dos meus alunos desconhecem: a vida sob uma economia com preços controlados. Foi moda da heterodoxia brasileira nos anos 80-90 pensar em controles de preços como forma de controlar a inflação.

Eis um trecho:

Consider breakfast. My breakfast, to be exact. It’s been months since I have had an oatmeal breakfast or a nice cup of espresso with a drop of milk because coffee and milk has literally vanished from supermarkets’ shelves since last November. And that includes “Mercal”, the government’s supermarket network where the poor are supposed to buy food at subsidized low prices

The reason? Stiff price controls, of course, and fixed currency rates that have been going on for 5 years, too.

I must confess that the very mention of price controls makes me drool at the thought of black beans and precooked corn flour, two staples absolutely essential in our spicy and usually inexpensive cocina criolla (Creole cuisine) that, according to señora Luz, the Dominican immigrant lady married to my office building’s Colombian janitor, I am not the only one to miss.

Leia tudo que é bem interessante.