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Ah, os parágrafos destes jornalistas…

Se o país não quebra com a moeda em seu maior valor real desde 1980 e os economistas não sabem como impedir a trajetória de apreciação do real sem mudar as regras do jogo, alguns exportadores deixaram de fazer coro pedindo uma desvalorização e aprenderam a fazer negócios mesmo com uma taxa de câmbio desfavorável.

Se a imprensa não evolui e se os jornalistas não sabem como fazer isto sem mudar as regras do jogo…

Se o jogo não evolui e se os jogadores não sabem como fazer isto sem mudar as regras do jogo…

Vem cá, “redação” (é o autor da matéria), você tem certeza que não faz parte daquilo que os jornalistas fanáticos pelo sr. da Silva chamam de “imprensa golpista”?

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A solução keynesiana para Vila Prudente

Outro dia alguém saiu por aí dizendo que havia poucos funcionários públicos por quilômetro quadrado no país o que, segundo o mesmo, era um argumento para se aumentar o número de concursos públicos. Economista bom tem emprego. Economista ruim, claro, corre para um concurso público, onde quer que seja. Talvez haja algo de “altruísta” na proposta estranha…

Mas, sim, isto não é privilégio de economistas: outros profissionais adoram fazer o mesmo.

Dito isto, eu leio que:

?Senhor Felipe. Sua obrigação é cuidar do bairro (…) Você quer se promover para seu chefe e anda fazendo serviço de polícia. (…) Não iremos matar você, mas vamos deixá-lo alejado (sic), pois só assim sentirá pelo resto da vida.? A carta enviada ao subprefeito de Vila Prudente, Felipe Sigollo, mostra o novo desafio das autoridades em São Paulo: o domínio territorial do Primeiro Comando da Capital (PCC). Desde que assumiu, em novembro de 2006, Sigollo recebeu, além da carta, duas ameaças de morte por escrito, outra por telefone, teve equipamentos roubados e foi assaltado. O motivo: quis abrir ruas, remover favelas, apoiou a interdição de bingos, a apreensão de caça-níqueis ou circulou por redutos do PCC na zona leste.

O tal “?” é um erro do jornal que adora menosprezer blogs, o Estadão (para mim, ainda assim, o melhor que há em termos de jornalismo impresso). No lugar do “?”coloque-se aspas. Que feio, heim, Estadão? Aqui, na blogosfera, a gente te corrige, tá?

Mas voltemos ao raciocínio estranho dos “funcionários por quilômetro quadrado”. Em uma perspectiva pterodoxa, sem microfundamentos (existem pterodoxos pró e contra a microfundamentação), bastaria jogar hordas de funcionários de um helicóptero em Vila Prudente que o problema da criminalidade estaria resolvido, certo? Caso contrário, a proposta seria apenas para empregar amiguinhos e coleguinhas.

Aí é que está a diferença entre os liberais e os não-liberais (o que, claro, inclui padres, como o ameaçado pelo PCC na reportagem do link acima citado): ambos não vêem com bons olhos a ação de grupos criminosos. A diferença é que os liberais fariam a pergunta certa: por que tantos recursos em ilusórios programas desenvolvimentistas e nenhum para ajudar nas comunidades escravizadas pela ordem alternativa, a do PCC?

Eis mais um ponto para você debater com seu professor: o que é e o que não é hipocrisia no discurso não-liberal? Por que padres têm, no Brasil, uma dificuldade (quase patológica, eu diria) de entender que vivem sob um governo que nunca foi liberal e que, a cada dia, promove menos o liberalismo e mais a intervenção estatal? Trata-se de lavagem cerebral? Ou é wishful thinking? Ou é uma estratégia que oculta outros interesses?

Difícil entender este povo. Mas é fácil ver que, do jeito que vai, a solução pterodoxa deveria ser adotada. Sou favorável a que vários concursados sejam alocados para ajudar no real combate à pobreza. Vamos colocá-los em um helicóptero keynesiano e despejá-los em Vila Prudente.

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O presidente da Venezuela deve estar louco

Se alguém sequestrasse a esposa do presidente Chávez e a escondesse no meio da selva por anos, ele, pelo visto, acharia ótimo. A questão que ainda está no ar: por que a administração da Silva demora tanto para se posicionar nesta questão? Por que os intelectuais do governo demoram tanto para assumirem uma posição? É medo de algo?

Eu já ia dizer: “discuta com seu professor”, mas garanto que, nesta hora, ele vai arrumar uma desculpa ou subitamente será humilde e dirá que não entende nada do assunto.

Mas eu ajudo a informá-lo:

a) um terrorista estava escondido

b) um governo legitimamente eleito deu cabo dele

c) um presidente que adora golpes de estado (quando não são contra ele) chamou o ato de covardia.

Pronto. Nem é preciso ter um semestre de aulas no Itamaraty (ou em algum curso de Relações Internacionais) para saber o que ocorre, né?

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Tire a mão da minha lingüiça

Ah sim, no livro você encontrará geniais pétalas de filosofia como:

  • Revendo a História da Sagrada Família da História (ou “Crítica à Crítica Crítica de Karl Marx e Consortes”)
  • Alunos, orientadores e monografias: Mini-manual de sobrevivência

Ambos os capítulos do genial clássico da literatura fazem a contundente e definitiva crítica das filosofias existentes. Como bom brasileiro, não há um único dado para comprovar o que eu digo porque, sabe como é, “economistas frios e calculistas só conseguem pensar com dados” enquanto pensadores profundos (isto me lembra uma piada sobre uma privada e o nobre ato da defecação) ignoram os dados sujos e feios em prol de sua mente limpa, pura e, quem sabe, algo afetada pelo LSD dos dias de hoje.

Como brasileiro não gosta de dados, não gosta de lógica e, portanto, deve acreditar apenas em quem usa mais palavras bonitas ou “escreve bem” (algo sempre vago).

Não importa! O importante, como dizem os soldados dos batalhões dos departamentos de recursos humanos modernos, é ter atitude! Então, compre o seu exemplar, leia e forme sua própria opinião! Eu garanto que você terá ao menos uma (opinião) sobre mim após ler o livro. Só não posso garantir que será a mesma que você tinha antes da compra…

O Cristiano não resistiu e comentou. Resumo sua crítica: o cara é bom. Mas se você quer ler tudo, eis um trecho (que, reconheço, é justo):

A despeito das piadas internas e duma visão extremamente economática – o autor é um ortodoxo professor de economia – do mundo, as crônicas de Shikida divertem. Honestamente bem escritas, engraçadas e desprovidas de pedantismo formal. Não é uma obra prima literária, mas faz cumpre seu papel: entreter quem gosta de crônica. Uma boa surpresa. Sinceramente, a coletânea no papel é preferível ao seu lendário blogue de economia.

Cristiano também faz uma justa referência: eu fazia blog muito antes de existirem blogs:

Assumidamente uma pessoa vanguardista, Shikida começou em sítios em html básico, mantidos pelo próprio. Ele relatava suas coisas cotidianas. Assumo que me tornei leitor assíduo na fase doutorado sanduíche do autor. Até onde vai minha memória, eram interessantes crônicas sobre um brazuca descendente de japonês estudando no exterior. Antes desta fase, confesso que eu achava útil a página PPGE Review.

É, Cristiano, eu escrevia já naquela época. Agora, eu não assumo nada. Não sou vanguardista! Nem contra! Muito antes pelo contrário! Si hay gobierno, sei lá! Mas agradeço as palavras. A gente não foi lá muito chegado naqueles tempos, mas eu admiro as pessoas que se encontram e seguem em frente. Erik fugiu do Direito, você correu para o Cinema e eu estou na sala de aula. Acho que, dos três, eu me dei mal. Se bem que ainda há o Laurini…que ficou só na Econometria. He, he, he.

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Brasil cresce apesar do governo ou por causa do mesmo?

O Gustavo Franco é um sacana mesmo. Ele só faz levantar perguntas que desafiam o status quo do raciocínio superficial pterodoxo. Eis um tema interessante para debates. Eu acrescentaria mais: eu diria que aposto numa assimetria do ciclo econômico. Mais ou menos assim: quando o governo entra na roda, a economia desacelera. Quando nada faz, a economia cresce ou não, conforme a economia mundial.

Claro, estou desconsiderando o fato óbvio que o governo deve ofertar bens públicos. Isto aí, eu acho, é apenas a obrigação permanente dele, que não fede nem cheira, mas é importante e por isto – apenas – a gente deveria manter um bando de políticos em Brasília ou em alguma outra sede de governo estadual/municipal.

Aliás, isto me leva a outra pergunta: qual seria o tamanho ótimo de uma câmara de vereadores, do ponto de vista econômico? Do ponto de vista sociológico, ninguém se entende. Do ponto de vista do Direito, obviamente, vão me falar de leis e jurisprudência, nem sempre ancoradas no sentido econômico porque, como se sabe, muita gente do lado do Direito realmente acredita que tal sub-área do conhecimento humano se sobrepõe às outras sub-áreas. Mas, e do ponto de vista econômico? Alguém já fez este estudo?

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Bolivarianismo = Rent-Seeking (not ideology, stupid!)

If we may call it that without insultng economists, the new “economic” team in the Chavez Government has been in place for eight weeks and we are finally seeing some important changes in policy, which if all true are in the right direction in terms of removing some of the distortions in the Venezuelan economy. While the new team has no economists or economic expertise to speak of, it appears as if the advisers are better than the ones Rodrigo Cabezas had, curiously the main adviser to the new Minister of Finance reportedly comes from that very capitalistic, oligarchic world of hedge funds.

O que nos leva à divisão do trabalho observada em outros simpatizantes bolivarianos na América Lat(r)ina: nunca os governantes bolivarianos recorrem aos seus assessores ideológicos, mas sim aos pertencentes ao (atenção, tire as crianças da sala, aí vai o palavrão) mercado. Presidente de esquerda tem um tesão quase pornográfico por assessores do mercado. Não pode ver um que corre para colocar o homem no Banco Central ou nos ministérios.

A conclusão, novamente, é que socialismo, comunismo, consumismo, individualismo, é tudo bullshit quando sai da boca de gente que se diz preocupada com o social. Social o cacete, meu jovem. Cada grupo está doidinho para obter seus privilégios. É a corrida pela busca de renda, em detrimento da geração de renda. Em ambos, no pain, no gain. A diferença é que um gera estagnação no país e o outro gera crescimento para todos (eu prefiro corrigir desigualdades na França do que na Nigéria, mas cada qual tem sua preferência pela vizinhança, né?).

É isto aí, leitor. Cada vez mais Mancur Olson se torna mais importante nestas análises…

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Democracias menos liberais são também as mais falidas – continuação III

O Selva Brasilis (SB) me ajuda a pensar no problema que venho discutindo com meus leitores (embora ninguém tenha comentado, eu sei que tem gente lendo e pensando….cabeça vazia, oficina do diabo…) sobre os Estados Falidos.

O SB encontrou uma reportagem interessantíssima sobre o papel do Judiciário na destruição econômica de um país. Ele não é o primeiro a levantar este ponto. Há anos, em um famoso livro (está na estante, aqui, em algum lugar…) de Brock, Magee et alii, sobre rent-seeking e comércio internacional, eu encontrei a famosa lawyer’s equation que era uma (engraçada e séria ao mesmo tempo) relação entre uma variável que media o grau de rent-seeking relativamente ao de profit-seeking e o PIB (acho que era PIB per capita, mas não lembro). A variável era algo como “número de advogados / número de cientistas” (ou algo assim).

Obviamente que a relação era inversa e muito advogado que não conhece a literatura, principalmente no Brasil, não entende a curva e fica ofendido, bravo e chateado. Não entendem que seu papel na sociedade pode ser bem destrutivo conforme as instituições que permeiam suas ações – muitas vezes criadas por seus coleguinhas mais importantes, que viram fazedores de leis – o que, sim, influi no grau de falência dos governos.

Veja bem, advogados podem ajudar no estabelecimento dos direitos de propriedade como também podem ajudar em sua destruição. Obviamente, advogados, como outros seres humanos, gostam de bons carros, apartamentos e são, portanto, motivados pelo lucro. Se as leis favorecem sua ação na destruição do desenvolvimento econômico, adeus alegria do resto da sociedade.

Paradoxalmente (apenas para os que se prendem aos rótulos), o estado mínimo (ou mais liberal) é o que mais protege os cidadãos. Não é difícil explicar isto, mas o preconceito e as barreiras à entrada existem. O mercado intelectual e o mercado de idéias são, ambos, cheios de barreiras. A fama tem seu preço, leitor, e muitos não querem ceder aos que têm mais razão em um debate….

Continuemos o debate. Pergunte ao seu professor o que ele pensa sobre a relação entre leis e crescimento econômico. Se sua faculdade tiver acesso ao livro de história do pensamento econômico de Robert Ekelund, procure por sua análise acerca dos incentivos econômicos que geraram a common law inglesa, leia e reflita sobre o tema. Garanto que você emergirá destas leituras e debates com muito mais “musculatura” intelectual para debater esta história de democracia e liberalismo.

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Mãe do Erik para Ministra da Educação!

Eu não conheço o Erik pessoalmente e muito menos a senhora sua mãe. Mas, vou dizer uma coisa leitor. Após ler o depoimento abaixo, eu sou o primeiro cabo eleitoral da mãe dele.

Humor sem graça

Minha mãe é igual a todas as outras mães, ou seja, uma santa (seja lá o que isso signifique). Pois bem, há alguns dias tenho pensado na melhor coisa que minha mãe me fez. Sem dúvida, a atitude vencedora foi a de não permitir que eu abandonasse o curso de economia para fazer direito. Eu desejava mudar para o direito não por gostar do curso e sim para poder ficar mais próximo de minha casa, dado que me transferiria de João Pessoa para Sousa (Uma cidade no alto sertão da Paraíba a uns 430 km da capital).

Dona Keké não imaginava que o curso de economia seria bom para mim no futuro. Ela apenas conhecia minhas verdadeiras intenções: ficar mais próximo de uma vidinha irresponsável regada à bebedeira e festas com meus amigos do sertão. Neste sentido, agradeço a senhora por esse puxão de orelhas.

O sertão da Paraíba ou de qualquer outro lugar no interior do Nordeste, não é um ambiente para se criar um filho. Não que as capitais sejam melhores, na verdade elas são menos ruins.

Fico me imaginando advogado no sertão a esta altura da vida. Talvez estivesse na porta de uma delegacia esperando um novo “caso”. Ou abordando os velhinhos para dar andamentos às suas aposentadorias no Funrural. Um verdadeiro rent seeking de porta de cadeia.

Contudo, meu destino poderia ser mais grandioso. Eu poderia me tornar um “bem-sucedido” advogado residindo na bela Mossoró.

P.S.: Não conheço Mossoró. Porém, ela se enquadra na categoria: “nunca fui mas não gosto de lá”.

Pois é, Erik. Pena que nem todos tenham mães com capacidade educacional como a sua. Eu nunca tive esta dúvida esquisitona sua (ha ha ha), mas ainda bem que sua mãe estava lá, para mostrar o caminho da iluminação.

Isto me lembra outro amigo meu (hoje, creio, mora na Europa), que foi de Benjamim Constant (acho que no Pará) para Porto Alegre fazer graduação em Economia. Após morar sozinho um tempo, sentiu-se assim, meio deprimido, e lascou a fichinha no orelhão e fez o interurbano. Começou a conversar com o seu pai, ou melhor, começou a se lamuriar com o mesmo quando a voz da razão paterna lhe caiu como um raio: “- Sejes [sic] homem, meu filho! Vai estudar! Pára com esta viad***!”

Depois disto, “- Sejes homem” virou um dos adágios entre minha turma de mestrandos do IPE-USP.

Talvez este seu depoimento sirva para lembrar muitos colegas mais jovens que as convicções devem ser moldadas com cimento, não com areia.

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A estratégia da administração da Silva virou moda: tudo, agora, deve ser sigiloso…segurança nacional?

O presidente da Silva está bem acompanhado. O que não falta é gente escondendo dados. Se você procurar por informações similares ligadas ao comportamento de certos governadores, encontrará mais evidências de que o presidente da Silva não é o único. Obviamente, isto mostra que um Estado não-mínimo (olha aí, bloco carnavalesco bolivariano-desenvolvimentista!) é sempre sinônimo de mais distorções na divulgação da informação.

Quanto maior o tamanho do governo, menor a veracidade da informação.