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Democracias menos liberais são também as mais falidas – continuação

Se você leu este último comentário meu (reproduzido também aqui), sabe que estou com este gráfico em minha cabeça .

Hoje, conversando com meu amigo e colega de trabalho (e de blog), o Ari, resolvi brincar um pouco com os dados. Então, com os dados deste famoso artigo de Easterly & Levine, resolvi explorar os dados (ALERTA: apenas ex-colônias entraram na amostra). Eis um exemplo do que obtive:

Primeiro, a regressão é entre o valor do índice de falência das democracias (ou melhor, dos governos, mais ou menos democráticos), failed e as variáveis que suponho serem importantes para explicar a falência. Lancei, no texto anterior, algumas perguntas (para as quais não obtive resposta mas, tudo bem, blog mais “técnico” dá nisto…).

Tem gente que gosta de relacionar boas instituições com crescimento econômico e, penso eu, porque não com a competência governamental em manter instituições que funcionem? Mas o que são instituições “que funcionam”? Há um famoso índice criado pelos caras do Banco Mundial e que, na regressão, aparece como instittutionkk.

Há quem diga que o nível de riqueza passado é importante. Bem, o lgdppc95 que é o PIB per capita em paridade do poder compra parece indicar que os ricos em 1995 não se transformaram em falidos, em 2007. De forma mais simples, talvez riqueza desestimule a falência de um governo.

Finalmente, a liberdade econômica (freedom). A liberdade econômica parece ir na direção inversa à falência estatal.

Eu sei, como disse ontem, que meu argumento está precariamente fundamentado. Um gráfico, uma regressão, enfim, um post na internet….estas coisas nunca são suficientes. Mas acho importante, como disse, que se lance luz sobre várias bobagens que se dizem por aí sobre a relação entre liberdade econômica e democracia (ou tamanho do governo).

Milton Friedman disse – mas quem lê Milton Friedman? Melhor a crítica do professor de Tailândia, PA, né? – que o bom governo é aquele que cuida do jardim incentivando o florescer natural do mesmo. Em outras palavras, a liberdade econômica é quase sinônimo de um governo forte, mas não no sentido que a moçada diz por aí. No argumento dos ingênuos, dos desinformados, dos confusos e dos mal-intencionados há uma confusão entre “força” e o que eu chamo de “obesidade”.

Um governo obeso se preocupa em encher o país de funcionários públicos ou aumentar indefinidamente a carga tributária. Um governo forte, por sua vez, estimula o crescimento econômico sem intervenção mas com uma regulação que, por sua vez, também não é anti-mercado, mas inteligente.

Ontem eu lancei a pergunta: “empreendedorismo é sinônimo de liberalismo”? Há gente que confunde mais ainda estes dois termos, criando uma estranha relação entre “liberalismo” e “individualismo”. O melhor texto que já li sobre o assunto é de Hayek. No primeiro capítulo de Individualism and Economic Order (ou algo assim), ele diferencia duas concepções de individualismo (algo que nem todo economista conhece, diga-se de passagem…quanto mais seus detratores).

Digo isto porque a pergunta feita tem tudo a ver com a correta conceituação de individualismo. O comportamento rent-seeking, por exemplo, aparece em democracias liberais, tanto quanto em regimes não-liberais.

Acho que já basta por agora. Divirta-se com o gráfico acima e, como falei (e como diz a própria organização que lançou o índice de Estados Falidos):

We encourage others to utilize the Failed States Index to develop ideas for promoting greater stability worldwide. We hope the Index will spur conversations, encourage debate, and most of all help guide strategies for sustainable security.

Fica aí o convite: vamos pensar mais antes de falarmos de “liberalismo”, “individualismo”, “democracia” e termos tão belos quanto perigosos se mal conceituados.

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