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David Boaz em uma boa entrevista

Trechos reproduzidos:

B.I.: Por que, a seu ver, na América Latina nenhum político assume posições libertárias?

David Boaz: Acho que não é estritamente correto dizer que nenhum político tem uma visão liberal. O Movimento Libertário da Costa Rica tem Joaquin Lavin, no Chile, e talvez até Calderon, no México, possuem uma visão mais liberal da economia. Mas certamente são muito poucos. Acredito que a história da América Latina é muito politizada. Vocês tiveram colonizadores, ditadores militares, populistas e socialistas. Há muito pouca história de liberalismo e muito pouca experiência com liberdade econômica e social, como ocorreu nos Estados Unidos e na Europa ocidental. Também, a desigualdade na América Latina – enraizada em políticas feudais e antiliberais sustentadas por um antiliberalismo contínuo – tende a dividir os países em uma classe que guarda zelosamente seus privilégios e outra classe que tenta usar o Estado para tomar a propriedade daqueles que a possuem. Simplesmente faltam os pequenos proprietários e comerciantes independentes que geraram o liberalismo nos Estados Unidos e na Europa.

B.I.: Chávez é um bufão ou uma real ameaça à liberdade na América Latina?

David Boaz: Se ele verdadeiramente acredita nas coisas que diz, então Chávez é decididamente um bufão. Mas ele também é um inimigo mortal da Venezuela e uma ameaça para o resto da América Latina. Muitos eleitores e políticos são atraídos ao seu socialismo populista e antiamericano. O dinheiro advindo do petróleo ao seu dispor permite que ele encubra políticas econômicas ruins na Venezuela e que esbanje seus recursos com os amigos em outros países. Liberais latino-americanos precisam preparar uma resposta eficaz para esse desafio.

(…)B.I.: Nos Estados Unidos e no mundo, em geral, há uma grande oposição à intervenção armada norte-americana para impor a democracia ao Iraque e a outros países. Como o Sr. vê esse assunto?

David Boaz: A Paz é um elemento essencial do liberalismo. A guerra é a violação mais horrível das liberdades e direitos humanos que podemos imaginar. Às vezes é preciso lutar, mas devemos tentar evitar a guerra sempre que possível. Adam Smith dizia que tudo o que é necessário para um país prosperar era “a paz, impostos baixos e uma administração tolerante da justiça”. Acredito que os Estados Unidos devem ficar fora dos assuntos de outros países, exceto quando eles nos ameaçam diretamente. Não é nossa tarefa levar a democracia para outros países, e não se deve exigir que soldados americanos morram por essa causa.

B.I.: É justo que os EUA intervenham em países como Ruanda e outros, para pôr fim a conflitos étnicos e/ou tribais, sob o argumento de que estão defendendo o Estado de Direito e a democracia?

David Boaz: Não, os Estados Unidos devem enviar suas tropas apenas para defender a vida, a liberdade e a prosperidade dos cidadãos americanos. Temos muita pena dos povos que sofrem sob governos despóticos. Mas a maioria dos países vive sem democracia e sem o Estado de Direito. Não pode ser obrigação dos cidadãos americanos lutar e morrer em todos esses países.

Não é difícil entender porque os não-liberais (ou não-libertários) adoram criar confusão chamando conservador de liberal e vice-versa. Também é compreensível porque tanta gente tenha ressalvas quanto ao liberalismo: ele maximiza as liberdades, coisa que muita gente não deseja. Note a posição libertária quanto à política externa, claramente ausente de qualquer debate presidencial norte-americano (exceto, talvez, pelo discurso de Ron Paul).