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Capital Humano · educação

O lado sujo da (des)educação que os pais desejam para seus filhos

Trecho:

Sou do tempo – e creio que a maioria que me lê também é – em que notas baixas no boletim eram motivo para um castigo. As penas eram duríssimas: de uma semana sem ir brincar na rua a uma mês inteiro sem matinê, elas variavam de acordo com a nota e os danos que a mesma poderia causar no aproveitamento escolar anual. Sem contar a vergonha a que éramos submetidos nos churrascos e reuniões familiares, quando todos nos olhavam com reprovação. Um tio meu, aliás, tinha uma técnica infalível. Sempre que algum moleque – os meninos eram piores – aparecia com notas baixas, ele vinha com um discurso semelhante: “Fulano, não se preocupe. Nós te amamos assim mesmo. Entendemos que você é limitado e jamais vamos lhe deixar desamparado. O tio está guardando um dinheirinho para lhe comprar um taxi. Esteja certo de que comida não vai lhe faltar” , etc e tal. Era tiro e queda.

São práticas educacionais familiares de um tempo que já morreu. Hoje, quando a criança apresenta notas insatisfatórias, os pais vão à escola para xingar os professores. As reuniões não ocorrem mais para discutir o comportamento da meninada em sala de aula – e para orientar os pais sobre o que eles devem cobrar de seus filhos. São, isto sim, verdadeiras sessões de linchamento dos professores. Nenhuma ou pouca responsabilidade se exige dos estudantes.

Não é difícil perceber como se chegou a isso. Nos últimos 30 anos, a introdução de novos conceitos pedagógicos acabou por questionar valores antes tidos como certos: a nota como parâmetro de produção, a exigência de um bom rendimento, a valorização da competitividade e o respeito a autoridade do professor caíram por terra. Em substituição, vieram a subjetividade do conceito, o respeito à diferença de ritmo de cada aluno e a exagerada valorização de “saberes” outros, não adquiridos nos livros – aquela história de que saber tocar pandeiro é tão importante quanto saber somar. E se hoje os professores são responsabilizados por tudo é porque houve um momento em que eles se mostraram absolutamente coniventes com estas inovações pedagógicas.

Leia tudo. Esta praga é tal qual o plágio e a saúva: abundam no Brasil.

off-topic

Qual seria a melhor palavra para se caracterizar o ano de 2007 no Brasil?

Direto do Tokyo Times:

With a slew of food-related scandals throughout Japan, and the nation’s pension problems persisting, the kanji officially considered most apt for this year is that depicting ‘fake’. The newly chosen symbol, as tradition demands, carefully composed by a Buddhist monk.

O ano de 2007 começou com uma campanha – que me pareceu ser estatal, mas não tenho certeza – sobre o sujeito “ser brasileiro e não desistir nunca” (como, por exemplo, Paulo Maluf ou Luis da Silva). Acho que ouvi este bordão por boa parte do ano. Ou teria sido em 2006? Sei lá.

Mas se até japoneses se envergonham de seus escândalos, por que é que brasileiros não podem ter um símbolo, uma palavra, uma frase para caracterizar 2007?

Aceito sugestões.

incentivos · microeconomia

Incentivos funcionam (mais uma prova cabal)

Este aí maximizou sem dó, nem piedade:

A college student withdrew from school after winning the five million yuan (S$988,180) jackpot in a lottery in China’s eastern city of Nanjing, local media reported yesterday.

Difícil dizer que incentivos não funcionam, não é? Você pode até dizer que ele não deveria ter feito isto, etc. Mas o fato é que o homo economicus existe e responde direitinho aos incentivos, tal como nos livros-textos de Microeconomia. Leia a notícia toda e descubra porque “socialismo real” é o termo adequado para notícias que mostram governos que morrem de inveja de loterias.