jornalismo

O estranho mundo dos jornalistas

Toda vez que um iraquiano ou afegão morre ou é preso por tropas dos EUA, os jornais falam de “supostos terroristas” presos ou mortos. Por que no caso de tropas iranianas os terroristas não têm o mesmo benefício da dúvida?

Anúncios
off-topic

Mensagem de Natal

Olá colega,

O Natal chegou. Não tem mais jeito. Bate à porta e já está me olhando da janela. Junto com ele vem também aquela hora de reflexão. Não que eu queira algo de Papai Noel porque já sei que ele não existe. É só para me situar entre os objetivos que tracei e os resultados que alcancei. Coisa da época, sabe?

Neste ano, mais uma vez, eu tentei seguir o que meus pais me ensinaram. Mas não consegui. Fiquei aquém do que gostaria. Sabe, colega, meus pais me ensinaram quase tudo o que eu sei. Não me criaram com má intenção: meus pais são pessoas bacanas, gente de primeira. Sempre se preocuparam muito comigo. Quando eu era pequeno, eles me alimentaram, trocaram minhas fraldas, ajudaram a me fazer o que sou hoje.

Quando visitávamos os amigos de papai, eu costumava fazer muita bagunça e, muitas vezes, até quebrei algumas peças da decoração deles. Mas meus pais me ensinaram que eu tinha o direito de fazer isto sem ser reprimido.

Quando eu apanhava de algum colega, mamãe sempre me protegia, sem nunca me perguntar dos motivos das brigas.

Quando eu ia mal na escola, papai me ensinou que a culpa não era minha, nunca. A culpa sempre era do professor, do diretor ou, sei lá, de algum colega que me podava a criatividade querendo que eu ficasse quieto durante as aulas.

Quando me vi adolescente e engravidei minha quinta ou sexta namorada, já não me lembro, papai me ensinou que um aborto baratinho resolveria meu problema.

Quando arranhei o carro do vizinho dos meus pais pela primeira vez, eles me ensinaram que um “risquinho” a mais em carro dos outros não faz mal. Afinal, sabe-se lá como esta gente arruma dinheiro para comprar carros?

Quando cresci e fui à faculdade, meus pais me ensinaram que o estudo era coisa boba, o importante era a “network”. Afinal, para que estudar se uma boa mão sempre lava a outra?

Quando me formei e arrumei meu primeiro emprego, papai me ensinou que o importante era me dar bem com o chefe. Foi assim que aprendi que, às vezes, é bom acompanhar alguns CEO’s para os prostíbulos, deixando minha mulher em casa, cuidando do recém-nascido. Gente, todo mundo tem direito à diversão, à felicidade.

Quando minha mulher me deixou, mamãe me ensinou que as mulheres não prestam mesmo e que eu nem deveria procurar saber do meu filho. Eu me lembro que o advogado me olhou de maneira estranha, mas nunca me esqueci das lições de papai sobre o poder do dinheiro.

Hoje, próximo do Natal, estou aqui, na frente do computador, pensando em como, apesar de todas estas valiosas lições de papai e de mamãe, muitas vezes, eu me pego fazendo coisas estranhas. Por que será que eu ainda perco meu tempo escrevendo mensagens de Natal pensando, realmente, no significado do sacrifício e amor que esta data tem? Eu deveria estar me preocupando, agora, em anotar os erros do meu colega de repartição para ver se consigo acabar com a carreira dele. Tentei pegar a mulher dele, mas ela, porca que é, não me deu bola.

E aí eu vim para o computador e comecei a escrever. E aí algo veio à minha mente e comecei a pensar no significado de se ter um amigo verdadeiro, de se conjugar liberdade com responsabilidade, de se amar sinceramente alguém. Mas aí veio um problema sério: percebi que, apesar de todo o amor dos meus pais, eu não consigo me amar. Mais ainda: agora eu sei de quem é a culpa. A culpa é de papai e de mamãe que nunca foram suficientemente liberais comigo. Nunca me deixaram viver como eu queria. São uns monstros.

Deus, perdoe meus pais. Eles me reprimiram muito mas acho que fizeram isto sem querer. Agora sim, estou feliz. Aprendi algo hoje: eu continuo sendo o mais importante em mais este Natal…

À você, meu colega, um Feliz Natal.

bolivarianismo · comunismo · liberalismo · socialismo real

Quem são os corcundas?

Em prol do nacionalismo na língua portuguesa, adotarei, para a esquerda bolivariana, o alternativo “corcunda”, para respeitar as tradições históricas “deste país”. Obrigado, Diogo, pela aula de história do Brasil.

Os oponentes dos liberais brasileiros eram apelidados de “corcundas”, referência à atitude de prostração perante a Coroa. Mudaram os déspotas, mas permanece o despotismo. Os “corcundas” de hoje querem submeter o povo brasileiro aos caprichos de um partido político. Acusam os dissidentes de golpismo, de inimigos do povo e da democracia. Mas, como lembrava Bonifácio, “os homens de bem não servem à Pátria associando-se a um mau sistema, antes a servem roubando a este sistema a sua preponderância e autoridade.” Os protestos nas ruas não se opõem às instituições democráticas. Os brasileiros querem preservar a democracia, denunciando aqueles que tentam usá-la como instrumento para o autoritarismo.