brasil · CPMF · socialismo real

Fazendo o mesmo que eles

Reproduzo na íntegra este excelente texto da Nariz Gelado.

Da coluna Painel, da Folha de S. Paulo de hoje:

Lenha. Com a conclusão ontem de sua eleição interna, que deve reconduzir Ricardo Berzoini à presidência, o PT prepara um contra-ataque à oposição. A Executiva Nacional do partido se reúne na quarta-feira e deve divulgar documento em que acusa PSDB e DEM de derrubarem o imposto do cheque guiados apenas por fins eleitorais.”

Hora da oposição saltar na frente e chamar este súbito amor dos petistas à CPMF pelo nome: luto eleitoral.

Conforme eu já expliquei, a oposição precisa avisar ao povo que o Lula só queria o dinheiro da CPMF para eleger prefeitos petistas no ano que vem. E, conforme eu ilustrei hoje cedo, a tarefa é fácil. Basta fazer um discurso tão rasteiro quanto o de Patrus Ananias – ou quanto este que virá da nota que a Executiva Nacional Petralha está preparando.

Se ficar falando bonito e difícil, a oposição não vai se fazer entender para quem desequilibra o resultado das urnas.

Portanto, vamos lá, senhores… Todo mundo ensaiando diante do espelho: “Lula queria a CPMF para eleger prefeitos petistas no ano que vem. Lula queria tirar dinheiro do povo para eleger petistas. Nós não deixamos Lula tirar o dinheiro do povo para eleger petistas.“*

*Notem que a repetição é um elemento importante para o processo cognitivo do público que vota em Lula. Isto explica porque, enquanto nós já estávamos enjoados da sua ladainha lá por 1990, a popularidade dele seguiu crescendo. Não discutam comigo; repitam, sempre que estiverem diante de um microfone. É teletubbie na veia.

crédito · história econômica · juros · pensamento econômico

Textos que eu gostaria de ler…se tivesse tempo

Calculating Credibility: Print Culture, Trust and Economic Figures in Early Eighteenth-Century EnglandNATASHA GLAISYER
York University – Department of History
Economic History Review, Vol. 60, No. 4, pp. 685-711, November 2007
Abstract:
Credit in early modern England has been studied by both social historians of the market and historians of the book. The intersection of these literatures is explored by asking the question: how did producers of books about interest (which was closely connected to credit) convince readers that their books could be trusted? One particular book is considered: a palm-sized book of interest calculations by John Castaing. Most importantly, and unusually, many copies of this book contain his signature, which, it is argued, must be interpreted in the context of the particular role that signatures played in guaranteeing financial transactions.

economia dos esportes

Coisas que passarinhos verdes me contam

Em um destes departamentos de economia da selva brasílica, uma aluna fez seu projeto em Economia dos Esportes (precisa mais referências do que dizer que existe o Journal of Sports Economics?). A orientadora, por algum motivo, resolveu reprovar a aluna, após resenha feita no projeto entregue. A justificativa? O que me chega aos ouvidos não é que o projeto é ruim ou que a aluna não fez o prometido (motivos, claro, razoáveis), mas sim que “Economia dos Esportes” não é tema de economia.

Pode?

Vejamos algumas referências: esta palestra, a esportometria e, claro, o que foi publicado em uma das mais importantes revistas de economia, a RBE.

Então, é verdade que aluno tem que pesquisar o tema, mas também é verdade que professores de economia precisam entender de economia…

brasil · Capital Humano · economia política · falhas de governo

Educação

“…: boa parte dos melhores cursos universitários está nas instituições estatais, mas, dadas a dificuldade do exame de acesso e a má qualidade do ensino escolar estatal, a maioria dos alunos vem de abastadas escolas privadas. Perverso? Talvez, mas isso é obra da legislação brasileira sobre educação, dos planejadores governamentais, e não um efeito da “maldade do capitalismo”. Aliás, tente perguntar a algum professor universitário de um curso de prestígio se ele preferiria ver suas turmas repletas de alunos menos qualificados, todos oriundos da rede estatal.”

A pergunta está no ar. Quantos professores gostariam de responder a perguntinha do Pedro?