cultura japonesa · off-topic

Cinema

Um bom comentário sobre Kurosawa e sua visão dos “heróis”.

Anúncios
Cultura · Desenvolvimento econômico · história econômica · liberalismo

Quem são os conservadores no Brasil?

Ainda sobre o mesmo texto sobre o qual eu falava…

As Veliz comments, “the cultural tradition of the Spanish-speaking peoples … proved unresponsive … to industrial capitalism” and their governments often sought to repress the market forces for change. Socialism, progressivism, and other collectivist ideologies in this sense were not a force for modernization—as many of their leading advocates preached—but a conservative movement to limit the extremely rapid pace of social transformation that capitalism was bringing about. Reflecting a fear of an unknown market-driven future, those peoples in Spain and Latin America whose values were shaped by a Spanish colonial history “appear to be sheltered (imprisoned?) by a magnificent past, unable to come to terms with a disappointing present,” reflecting a Spanish Catholic culture that for centuries manifested “an overriding affection for persons rather than a respect for things; a reluctance to sever the cords of the safety net; … a distrust of novelty and, generally, a sturdy disinclination to step outside the dependable protection of the dome, even in this, our own century of modernity” [Veliz 1994:201, 202].

Pense no seguinte: o discurso católico atual na América Latina é um discurso conservador, no sentido citado acima? Eu aposto que sua resposta é “sim, e muito”. Este é um desafio não apenas para o batalhão de militantes que se dizem qualquer coisa menos conservadores, mas também para uma vertente de liberais que pensa ser liberalismo um sinônimo do catolicismo (quando não falam de alguma suposta não-separabilidade entre ambos).

A questão da sua fé em Deus é, exclusivamente, sua. Não há dúvida quanto a isto. Agora, se a doutrina católica, tal qual transplantada para a América Latina produz algum efeito sobre a atitude média do latino-americano em relação ao funcionamento dos mercados é uma outra questão completamente diferente e, talvez, mais importante do que uma reles discussão sobre Deus, Marx ou Darwin. Pelo menos no que diz respeito ao desenvolvimento econômico.

ciência econômica · economia austríaca · Política monetária

Novamente os Austríacos

Antony Mueller está nervoso. Ao comentar um artigo crítico da atuação do FED, diz:

The sad fact is that even guys like Ambrose are largely ignorant about the Austrian school of economics. There is the glimpse of hope that the current crisis may wake up at least a few from their slumber of ignorance. What is needed is a thorough transformation of how economics and management are practiced, taught and researched. What is needed is a change of perspective as it is provided by the Austrian school of economics.

Já falei aqui sobre a economia austríaca em outras – várias – oportunidades. Mas Mueller nos deve um pouco mais de explicações. Quer dizer que os cursos de economia e administração (ou seriam o mundo da economia e da administração em geral?) deveriam mudar na direção do que preconizam os simpáticos às teses austríacas?

Primeiro, temos o teste do mercado. Por que esta prática não é mais comum? Alguém poderia falar do papel do governo nesta história, “perseguindo” economistas austríacos, mas não vejo algo assim.

Também é difícil saber o que, exatamente, é a “Escola Austríaca”. A diversidade é tão grande que nunca surgiu um único livro-texto austríaco. Talvez se possa falar do Eonomic Logic, mas seu autor, Mark Skousen, brigou com outros austríacos (da FEE), o que nos deixa com a suspeita de que talvez não baste ser (e pensar como) austríaco para que a Escola Austríaca deslanche. Mesmo assim, seu manual só tinha como diferença a adaptação do esquema dos triângulos de Hayek (cuja interpretação, inclusive, não é trivial) a problemas econômicos.

Em terceiro lugar, para ser bem austríaco (na verdade, este ponto se relaciona com o primeiro), o conhecimento é disperso e, portanto, é difícil dizer que a solução seja que todos passemos a pensar, andar e respirar como austríacos. De certa forma, o mais correto seria lembrar que mudanças racionais são mudanças na margem (creio que os austríacos ainda não jogaram fora o conceito de racionalidade, embora alguns deles briguem com as funções de utilidade). Logo, é difícil, senão impossível, ver um mundo tão austríaco assim (e alterado de forma tão rápida).

O Guilherme, do Rabiscos, e eu, outro dia, discutimos um pouco sobre o tema. Sei que há o Joel e outros frequentadores deste blog que têm simpatia pela escola austríaca. Eu sou um deles, mas creio que sou menos otimista em relação ao poder de mercado de uma teoria na qual nem os próprios proponentes concordam sobre a necessidade de um teste empírico (é diferente você debater calibragem e econometria pois, neste caso, ambos querem ter alguma idéia quantitativa dos parâmetros, algo que Mises, creio, não aprovaria). Como, por exemplo, um economista austríaco trabalharia no mercado financeiro?

Gosto do prof. Mueller mas acho que, nesta observação, ele errou o tiro (se é que existe alvo). Pensando bem, um austríaco diria que o alvo tem que ser descoberto (piadinha besta, mas bem ao gosto dos austríacos…). ^_^

Finalmente, sim, há muita coisa interessante entre os insights austríacos. De longe são os heterodoxos mais consistentes que conheço. Mas, não, não acho que esta bronca contra o mainstream seja muito precisa.

jornalismo

Repórteres compram gato por lebre?

Dizem as repórteres do Estado:

Cerca de 300 integrantes da Via Campesina – organização sem fins lucrativos que luta pelos direitos de camponeses no mundo inteiro, enfocando questões como a reforma agrária, agroecologia e o fim de pesquisas e comercialização de transgênicos – invadiram na manhã de hoje, por volta das 6h15, a sede da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que realizará, a partir das 10 horas, o leilão para a construção da primeira usina hidrelétrica no Rio Madeira.

No mínimo, creio, um “supostamente” caberia ali, entre o “que” e o “luta”. Se cada um de nós for pautado por folhetos dos órgãos que pesquisamos, encontraremos apenas serafins e querubins. Há muita controvérsia sobre se tal instituição defende o interesse dos “camponeses no mundo inteiro”. Se observamos um país subsidiar seus camponeses para vender mais barato em outro país que também tem camponeses, não seria difícil ver os dirigentes da dita organização pularem como pipoca para se explicarem como defensores de ambos os camponeses.

off-topic

E o país abençoado por Deus tem terremotos

Não é que aconteceu mesmo? O pior é que, até onde sei, ninguém explica o porquê disto. Só o que encontrei foi:

Essa não foi a primeira vez que um tremor de terra atingiu a região de Itacarambi neste ano. De acordo com o geólogo do observatório sismológico da Universidade de Brasília (UnB), Cristiano Chimpliganond, houve um abalo no último dia 24 de maio que alcançou 3,5 pontos na escala Richter, o suficiente para fazer vibrar portas e janelas. Depois desse episódio, a universidade foi contactada e, em outubro, seis sismógrafos foram instalados na área para monitoramento. Desde então, 20 tremores pequenos já foram registrados.

“No Brasil inteiro podem ter tremores de terra, mas são terremotos pequenos”, explicou Chimpliganond. Segundo ele, o que aconteceu na área de Itacarambi deve ter sido ocasionado pela movimentação de uma falha geológica, caracterizadas por rachaduras nas rochas. “Esse movimento ocorre de forma rápida e gera ondas físicas. Por isso, o tremor pode ter afetado Januária, Manga e Vargem Grande”, ressaltou.

A projeção do foco do terremoto de ontem, ou seja, o epicentro, foi o distrito de Caraíbas. Apesar de não haver como prever novos tremores, o estudioso informou que é comum haver outros abalos após a ocorrência de um de grande porte. “Isso porque é uma fratura da rocha que se movimentou e precisa se ajeitar. Essa situação pode levar a novos tremores”, disse. A equipe de pesquisadores pretende coletar os dados assinalados nos sismógrafos para estudá-lo. Além disso, um trabalho de orientação será feito para amenizar as tensões da população.

Em termos de previsão, os não-econometristas não parecem melhores do que os colegas…

CPMF · economia política · falhas de governo

O que é ser responsável?

Suponha a seguinte situação: você e um bandido estão em uma sala. O bandido tem uma arma. Ambos sabem que ele vai matá-lo de qualquer jeito. Você seria irresponsável se pedisse para ele acabar logo com sua vida ou se tentasse tirar a arma da mão do fascínora? Lembre-se: ele vai matá-lo de qualquer jeito.

Pensou? Agora pense nisto. Note que nem entro no mérito da elástica “ética” da antiga oposição que, hoje em dia, diz que todo seu berreiro era, digamos, um blefe de mau gosto. O ponto da crítica não é ideológico ou ranzinza quanto à cara-de-pau dos políticos. Mais ainda: o governo está a criar muito caso em torno da CPMF. Alguém duvida que seus aliados tentarão impor qualquer outra medida de aumento de receita (mas não de queda de gastos públicos, até porque gente do IPEA diz que temos poucos fiscais por quilômetro quadrado…) se o dito imposto não for aprovado?

brasil · economia política · falhas de governo · intervencionismo · lula · rent-seeking · socialismo real

O governo não-liberal aumenta o custo social?

indícios e há medidas que servirão para estudos futuros, caso sobre alguém para fazê-los. Curioso mesmo é a visão dos empresários: antes a favor, agora críticos. Nada misterioso, claro, quando se lembra que nosso país vive sob intensa atividade rent-seeking. Indícios disto não faltam.

Academia

Macroeconomia: um debate bacana

The Heterogeneous State of Modern Macroeconomics: A Reply to Solow

V. V. Chari and Patrick J. Kehoe

NBER Working Paper No. 13655

November 2007

ABSTRACT

Robert Solow has criticized our 2006 Journal of Economic Perspectives essay describing “Modern Macroeconomics in Practice.” Solow eloquently voices the commonly heard complaint that too much macroeconomic work today starts with a model with a single type of agent. We argue that modern macroeconomics may not end too far from where Solow prefers. He is also critical of how modern macroeconomists use data to construct models. Specifically, he seems to think that calibration is the only way that our models encounter data. To the contrary, we argue that modern macroeconomics uses a wide variety of empirical methods and that this big-tent approach has served macroeconomics well. Solow also questions our claim that modern macroeconomics is firmly grounded in economic theory. We disagree and explain why.