câmbio · economia política · escolha pública · falhas de governo

A língua portuguesa nunca foi levada a sério neste país, né?

Pense na palavra “emergência”. O que lhe vem à cabeça? Um sujeito vestido de bombeiro correndo para um incêndio ou um político gorducho sentado em seu gabinete cochilando?

Pois é. Esta é a importância das palavras. Um sujeito que não sabe o significado de “emergência” é capaz de confundir alhos com bugalhos. Agora pense na origem da CPMF. Lembra de seu caráter emergencial? Muito antes de Bush justificar seus erros e acertos com a ameaça terrorista, o governo não-liberal deste país inventou a catástrofe da saúde.

Mas os anos se foram e o caos não veio.

Aí você pensa nos grupos de interesses que adoram pedir esmola ao governo e vislumbra uma burocracia eficiente no cumprimento de seus desejos. Como nada é assim, você logo diz: “bobagem, isto não existe: a burocracia é muito lenta. Este papo de grupo de interesse é balela”.

O socorro do governo aos setores considerados “órfãos” do câmbio foi divulgado no dia 12 de junho, mas a regulamentação só foi concluída há cerca de 20 dias. Embora a medida tenha sido anunciada como emergencial, as empresas interessadas tiveram de esperar mais de cinco meses para poder solicitar os recursos. 

Mas, será mesmo? Ou será que o atraso é do interesse dos que pedem o benefício? Em Economia Política é comum ver hipóteses teóricas nas quais o atraso faz parte do jogo (qualquer um que entenda minimamente de estratégia sabe do que falo).

O que é engraçado mesmo, para mim, é como uma “emergência” pode durar meses. Se eu realmente precisasse de socorro, eu faria como certos movimentos sociais: invadiria a granja do presidente e ficaria lá acampado até o final do dia. É uma estratégia muito mais visível, inteligente e com apelo na mídia do que esperar…5 meses.

Ou então não tem emergência e a língua portuguesa é apenas uma ilusão da mente…

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O uso da língua: alex castro x a torre

Eu me lembro de ter citado a bronca do Alex aqui, neste blog. Mas eu ainda não havia lido este texto lá da Torre. Não é um debate econômico, eu sei, mas é bem interessante quando se pensa em artigos científicos. Nesta área, não há como se comunicar com erros de português, inglês, japonês, etc.

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Sobre como o governo quer diminuir seu acesso à informação (e atrapalhar sua evolução econômica)

Phillipe Berman deu a dica.

Trecho:

Enquanto aqui na selva os deputados tentam escolher o que você assiste na sua televisão a cabo, Robert Jensen e Emily Oster mostram como esse tipo de entretenimento e informação é benéfico em comunidades pobres e rurais.

Pronto. Agora é só esperar até que o governo consiga, novamente, diminuir as liberdades individuais. O preço disto? Bem alto, principalmente no longo prazo.

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Por que Chávez perdeu? É a economia, companheiro!

A pista é do Ângelo da CIA:

Eu posso falar de Hugo Chávez sim senhores! Aquele papo de “só pode falar dele quem tem propriedade ou experiência” não cola comigo porque as merdas dele respingam diretamente em mim, tenho muita propriedade. É por causa do caos em que ele mergulhou a Venezuela que tenho trabalhado muito nas últimas 6 semanas. E o caos deve continuar em altíssima tensão até o dia 1o de janeiro, ficando em alerta até o fim de abril. Sabem do que estou falando?
Muita gente não sabe até porque a nossa mídia até agora ignorou o assunto: A Venezuela, por causa de sua inflação galopante, cortará zeros de sua moeda! Lembram do Brasil antes da era Real, do Brasil inflacionário, das nossas trocas periódicas de moeda, de nossos economistas malucos e suas fórmulas exóticas? Então, a Venezuela está passando por isto.
Não foi à toa que dia desses Luiz Carlos Bresser Pereira saiu a dizer que há democracia sim na Venezuela e a cortejar Hugo Chávez. Bresser Pereira não é como Lula, uma metamorfose ambulante: Um cara que “enfrentou” com tanto insucesso a inflação brasileira no Governo Sarney tem mais é que defender as mesmas sandices na Venezuela.
Pois é isto que tem me tirado daqui deste front: A empresa para qual trabalho, assim como todas as grandes multinacionais com operações na Venezuela, está correndo contra o tempo para adaptar seus sistemas e processos a esta mudança cambial. A partir do dia primeiro de janeiro a Venezuela conviverá com duas moedas, o Bolívar e o Bolívar Fuerte, sendo que o Bolívar Fuerte se tornará a única moeda a partir de maio.

Algum analista político tocou no assunto nas últimas semanas? Não. Algum jornalista? Também não. Por que tanta distração quando parece óbvio e simples explicar que Chávez transformou a economia venezuelana no paraíso para experimentos com seres humanos (= planos heterodoxos)? Após a sequência Cruzado-Bresser-Collor-Verão, não seria fácil prever o que aconteceria lá?

p.s. o link do Bolívar Fuerte é por minha conta.