off-topic · personalidades famosas

Pessoas que admiro (e que mudaram o mundo marginalmente) – I

Hirofumi Daimatsu.

Por que? Eu nem jogo vôlei, mas a história da busca pela excelência deste famoso treinador japonês é uma lição que pouca gente aprende porque, como sempre, adora a desculpa do “é outra cultura, jamais seremos assim”. Relativismo cultural é sempre uma armadilha para os cientistas sociais (mais ainda para os leigos).

Hirofumi adotou os incentivos certos? Vejamos:

Under Daimatsu’s tenure as coach, the Japanese National Women’s Team won 175 successive victories in Japan and in the international arena. He trained the team with an austere and unrelenting schedule, devoting long and physically demanding days to mastering the new techniques. He coached the Japanese Women’s Team to a silver medal in the World Championship in 1960 and a gold medal in 1962. Leading the Japanese Women’s National Team to a gold medal in the 1964 Olympics in Tokyo, one of the most successful Olympiads held, was a crowning moment for the nation, as it won the first Olympic gold medal in a favorite sport.

Então, em primeiro lugar, ele mostrou que no pain, no gain. Já começou bem. Resultados? Bem, olhe só aí em cima. Vejamos mais:

Daimatsu was not only the head coach of the national team, but also the head coach of a company club, Nichibo-Kaizuka, which was one of the biggest textile companies in Japan. Almost all national team players belonged to that particular club, lessening the difficulty of training together. His hard-work approach to training was praised as a role model of team sports and his practical instructions and father-like-figure became very popular among various generations in Japan.

His favorite remark to the players was, “you just got to follow me”. The Daimatsu Family became more and more popular year by year building up towards the Tokyo Olympic Games in 1964.

Incrível, não? Há histórias de gente que chorava sob seu treino. Nada mais natural para alguém com a fama de sargentão.  Repare na vantagem de um time formado por pessoas que trabalham em um mesmo local: a diminuição considerável do custo de oportunidade do treino em equipe. Claro que sempre há quem reclame:

The team’s authoritarian coach, Hirofumi Daimatsu, was known for putting his players through long, brutal practices every night, after they’d spent the day working in the company office. “I was growing my nails, because I wanted to retain some of my femininity,” recalled captain Kawanishi Kasai. “He thought I was growing my nails to hurt him, which wasn’t true … but I did often wish the ball would hit him in the face.” In winning gold in Tokyo, Daimatsu’s team won all five matches, outscored the opposition 238-93 (in points) and dropped just one set — against Poland — when Daimatsu noticed that the Soviet coach was watching and decided to pull some of his stars.

Mais um pouco sobre o brilhante treinador:

No vôlei, por outro lado, se viu tudo, menos silêncio. No masculino, o Japão terminaria em terceiro, após perder duas partidas; no feminino, ganharia o ouro, em uma final emocionante diante da União Soviética, durante a qual nada menos que 80% dos lares japoneses com televisão estavam sintonizados na partida, um recorde durante muito tempo não batido. Formado principalmente por trabalhadoras do moinho Nichibo, o time feminino do Japão tinha como treinador Hirofumi Daimatsu, o Bernardinho da época. Totalmente o inverso do que se espera de um japonês, Daimatsu gritava, berrava, insultava, ameaçava suas atletas, e chegava até a chutá-las no bumbum quando erravam. Apesar do metodo pouco ortodoxo, Daimatsu tinha uma visão ampla do esporte: diante das gigantes dos países comunistas, as miúdas japonesas só conseguiriam a vitória se tivessem uma defesa perfeita. Foi ele quem criou o que hoje se chama de “escola oriental”, onde as atletas se jogam no chão como se mergulhassem em uma piscina, salvam as bolas com as pontas das unhas, viram cambalhotas e estrelas, tudo para impedir que a bola toque o chão e armar o próximo ataque. Com esta disposição, o Japão venceu todos os seus cinco jogos, sendo campeão do certame de forma invicta. Os métodos de Daimatsu, porém, o levariam a perder o emprego: após a vitória, as meninas do Japão foram convidadas a visitar o Primeiro Ministro Eisaku Sato, e aproveitaram para colocar para fora todas as suas mágoas. A capitã do time, inclusive, queixou-se de que Daimatsu não permitia que elas namorassem, e que deste jeito ela jamais arrumaria um marido. Irritado com esta “insubordinação”, Daimatsu entregou o cargo, e foi trabalhar em uma agência de publicidade.

Como se vê, o perfil do Daimatsu se encaixa no que os guruzinhos da auto-ajuda para CEO mais adoram: o “heterodoxo”. Palavra-chave para disparar páginas e páginas de asneiras, hoje, no Brasil, Daimatsu provavelmente seria visto como um “neoliberal sem alma e machista”. Claro, as (sempre reclamadoras) feministas do tipo C(hatas) dirão que o problema é das meninas pois elas queriam apenas…”arrumar marido”. Note como Daimatsu também destrói aquele estereótipo de que todos os japoneses são iguais (lembra do papo furado da “cultura”, lá no alto?) e tal.

Lições importantes para CEO’s em busca de auto-ajuda e frases feitas: (i) disciplina da equipe é importante, (ii) respeito ao chefe é algo que ou se conquista (quando o chefe é líder) ou se impõe, dados os objetivos da equipe, (iii) o treino duro supera as dificuldades mas não curará suas mágoas, garotinho(a).

Aprenda estas lições e sua vida será melhor. Eu garanto.

Hirofumi Daimatsu é um homem que mudou o mundo para melhor, marginalmente.

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