história econômica brasileira

Corrupção ao longo da história brasileira: um histórico de não-liberalismo explícito

No Império, restringiu-se o acesso de imigrantes à terra abundante para preservar a grande propriedade agrícola. Na República Velha, embora tenha havido progresso quanto aos direitos de propriedade da terra, se criou aparato institucional que permitiu a valorização do café sob a proteção de barreiras à entrada de novos produtores. Às tarifas de importação, muito altas já no final do Império, somaram-se restrições quantitativas às importações, em resposta à grande depressão, que duraram 60 anos. Com a aceleração da inflação pós-2ª Guerra Mundial se tornou esporte nacional ter acesso ao câmbio barato e ao crédito subsidiado. A 3ª República afundou-se na agonia de um déficit crônico das contas públicas. Apesar da arrumação das contas públicas após o golpe militar – na esteira da panacéia da correção monetária -, houve continuidade na essência da política econômica: abertura assimétrica, privilegiando exportações, persistência do gosto de escolher vencedores, grande peso do Estado na economia. Os choques externos e a deterioração das contas públicas alimentaram a voragem inflacionária na economia indexada.

A estabilização de 1993-1994 marca a reversão de clara tendência de longo prazo de erosão de direitos de propriedade associada à perda de poder de compra da moeda. A conversão de reais de 1993 em mil-réis (1822-1942) requer multiplicador eloqüente: 2,75×1015. Na falta de índices de preços seculares podem ser usadas taxas cambiais para comparar diferentes períodos. A deterioração até o golpe militar foi inexorável: no Império, a desvalorização cambial anual média foi de 1,4%; na República Velha, aumentou para 3,6%; e no primeiro período Vargas, para 5,5%; para atingir 30,7% na terceira República. Houve redução sob o regime militar até 1980, mas foi limitada: 22,5% de desvalorização anual. Mas, entre 1980 e 1993, a taxa foi melancólica: 565% ao ano. Esse desempenho patético necessariamente relativizou qualquer progresso associado à evolução de políticas públicas que reduziram o escopo para a extração de “rendas de escassez”.

Excelente retrospecto este aí do Marcelo Paiva Abreu. Agora, o que será que se aprende nas escolas, quando o assunto é história? Certamente há professores sérios que não saem para a escola sem, antes, fazer o seu dever de casa (sim, parte do salário de um professor é devido a atividades extra-classe em preparação de aulas). Em outras palavras: há quem cheque os dados e as publicações científicas.

Mas há os que não têm acesso às publicações científicas e, para não ficarem mal na fita, socorrem-se nas cartilhas de partidos políticos preocupados com a doutrinação e com o imperialismo de sua visão particular da história mundial ou brasileira. O que eles ensinam aos seus filhos?

Eles admitem que há algum não-liberalismo na história brasileira mas, logo, logo, dividem a sociedade entre “bons” (= “populares”) e “maus” (= avôs dos alunos, etc). Aí chamam urubu de meu louro, isto é, chamam liberalismo de “rent-seeking” (ou usam argumentos maliciosos sobre como uma coisa gera a outra).

Enfim, este ensino médio é um “luxo”…

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