Boettke sobre o padrão-ouro

O sobre bom e ponderado Boettke fala sobre os problemas de alguns argumentos acerca do padrão-ouro.

Anúncios

Droga no ônibus

O passeio com destino ao Estado da Bahia acabou cedo para 12 universitários e um professor formado em Belas Artes. Por volta das 18h dessa quinta-feira, cinco viaturas do Batalhão de Rondas Táticas Metropolitanas (Rotam) cercaram um ônibus fretado para uma excursão: uma denúncia anônima indicava que havia drogas no veículo.

Este pessoal não toma jeito. Mais sobre o caso aqui. Mais detalhes? Veja abaixo.

Entre os detidos estão um professor de educação física, estudantes universitários, pósgraduados e duas mulheres. A maioria reside em bairros nobres da região Centro-Sul da capital e no Sul de Minas. A média de idade deles é de 25 anos. Todos alegaram que a droga era para uso próprio.

A alegação é que me parece ridícula. Lembra aquela história dos caras que espancaram uma diarista e disseram que a confundiram com uma prostituta…

Interessante mesmo é ver como a elite se vê:

De acordo com os familiares, os presos passaram a madrugada amontoados, sendo 11 em uma van da PM e dois em um camburão. Foi um dos advogados que solicitou o almoço. “É muito tempo de espera para uma coisa tão boba e que acontece todos os dias”, disse uma mãe. O primo de um dos detidos afirmou que era uma tática da polícia para que o verdadeiro dono da droga aparecesse. “Estão cansando eles até que em confessem ou entreguem quem levou a droga.”

Não se pensa em questões legais, mas em privilégios ou justificativas. Se um crime ocorre todos os dias, devemos ser mais tolerantes com os criminosos? Argumento fraco. Lembra da reflexão do meu xará sobre quem defende o capitalismo no Brasil? Pois é. A elite está confortável com esta defesa desde que o capitalismo, efetivamente, seja um socialismo, isto é, um regime com privilégios para os amigos dos burocratas e políticos. Daí a noção de que crimes são coisas “comuns” e “não deveriam ser levados tão a sério”, principalmente quando os presos são da patota. Puro “rent-seeking”? Puro “cartorialismo”? É a impressão que fica.

Feliz 2008 para você também.

Todo adolescente já tentou…e eu também

Raspadinha de cerveja

Pois é. Eu pensava em fazer um sorvete de cerveja, mas minha distinta e smarter senhora resolveu inovar e tentamos uma raspadinha de cerveja. A boa notícia é que congela. A ruim é que não desce redondo. Estamos a pensar em novos condimentos para resolver o problema. Talvez o Bender possa nos ajudar.

“Software” livre, o discurso bolivariano da esquerda brasileira e nós

Por coincidência dois bons blogs comentaram sobre este tema que, sim, eu já critiquei um bocado aqui. Laurini, estou com você. Aliás, diz o nosso grande econometrista:

Sábado, Dezembro 29, 2007

DRM e Linux

O DRM é demoníaco”, diz o especialista em software livre Jon “Maddog” Hall Desde muito tempo atrás eu me interesso pela chamada “economia do software” livre (e mais ainda por software livre). Ao contrário de muita gente eu sempre acreditei que software livre e proprietário poderiam subsistir, com modelos de negócio e objetivos diferentes. Um bom exemplo disso é a recente colaboração entre a Insightfull, que comercializa o S-Plus, e os produtores do software R. O R se tornou o software padrão em pesquisa estatística, por dois motivos principais – é livre, sólido e permite reproduzir os resultados de outros pesquisadores. Estes 3 fatos são fundamentais em pesquisa científica, e o terceiro é o mais importante de todos.
Mas o ponto que me interessa nesse artigo é o seguinte comentário “Contudo, é preciso criar um “ecossistema de software”. Aqui no Brasil houve um grande interesse governamental, em especial em governos ligados ao PT, pelo uso de software livre. O grande motivo dessa atração era uma mistura de uma visão de “socialismo” e ódio as empresas de software, e uma certa propaganda de redução de custos. Embora a redução de custos de operação seja significativa em grande parte dos casos, essa visão deturpada do software livre é extremamente perigosa, em primeiro lugar porque é falsa. A visão de que os programadores de software livre são “socialistas” e doam seu trabalho para a sociedade por nobres ideais é em geral falsa. As duas principais motivações dos programadores de software livre são a possibilidade de interação com melhores códigos e programadores, e em especial interesses de carreira. Uma análise destas motivações está no artigo “The Simple Economics of Open Source”, Josh Lerner e Jean Tirole, Journal of Industrial Economics. A maioria dos programadores que eu conheço é radicalmente pró-capitalista. E outro ponto contra esta visão é que o desenvolvimento de software livre é em muitos casos bancado por grandes empresas como a IBM ou a Sun.
O que me irritava nesta propaganda da adoção de software livre no brasil era o extremo oportunismo – basicamente se usava o software livre para tarefas simples como produtos de escritório, e a grande vantagem que era a possibilidade de melhor desenvolvimento técnico era simplesmente ignorada. As salas de software livre no brasil são basicamente pontos de acesso a internet, e não representam nenhuma possibilidade de desenvolvimento de software livre ou subsídio a produção de capital humano.
Era o velho oportunismo do PT em ação apenas.
O que eu gostaria de ver era ver parte do dinheiro economizado em software proprietário usado para a formação de capital humano, e quem faz isso não é o governo diretamente, e sim as grandes empresas que investem em laboratórios em associação com as universidades, como o novo laboratório bancado pela IBM na Unicamp.

posted by Márcio Laurini at 2:23 AM

O outro comentário é do Organization and Markets, e está aqui. Como se vê, há muito mais entre o céu e a terra do que supõem nossos estúpidos políticos e pseudo-cientistas (todos, todos preocupados apenas em fazer sua cabecinha…). Em um país no qual a moçada cai em golpes bobos, fica difícil explicar que “1+1 = 2” o tempo todo. Mas não é um problema do Brasil apenas. Pense nas palavras pichadas nesta universidade pelos narco-terroristas da FARC (membros do tal Fóro de São Paulo, dentre outros) .

Deixando de lado este nojo ideológico (em termos intelectuais, sociais ou humanitários) que é o discurso bolivariano, a economia da tecnologia segue como um dos temas mais interessantes da economia, como demonstrado pela própria carreira do grande Hal Varian (veja seu livro sobre economia da informação aqui).

O lado sujo da (des)educação que os pais desejam para seus filhos

Trecho:

Sou do tempo – e creio que a maioria que me lê também é – em que notas baixas no boletim eram motivo para um castigo. As penas eram duríssimas: de uma semana sem ir brincar na rua a uma mês inteiro sem matinê, elas variavam de acordo com a nota e os danos que a mesma poderia causar no aproveitamento escolar anual. Sem contar a vergonha a que éramos submetidos nos churrascos e reuniões familiares, quando todos nos olhavam com reprovação. Um tio meu, aliás, tinha uma técnica infalível. Sempre que algum moleque – os meninos eram piores – aparecia com notas baixas, ele vinha com um discurso semelhante: “Fulano, não se preocupe. Nós te amamos assim mesmo. Entendemos que você é limitado e jamais vamos lhe deixar desamparado. O tio está guardando um dinheirinho para lhe comprar um taxi. Esteja certo de que comida não vai lhe faltar” , etc e tal. Era tiro e queda.

São práticas educacionais familiares de um tempo que já morreu. Hoje, quando a criança apresenta notas insatisfatórias, os pais vão à escola para xingar os professores. As reuniões não ocorrem mais para discutir o comportamento da meninada em sala de aula – e para orientar os pais sobre o que eles devem cobrar de seus filhos. São, isto sim, verdadeiras sessões de linchamento dos professores. Nenhuma ou pouca responsabilidade se exige dos estudantes.

Não é difícil perceber como se chegou a isso. Nos últimos 30 anos, a introdução de novos conceitos pedagógicos acabou por questionar valores antes tidos como certos: a nota como parâmetro de produção, a exigência de um bom rendimento, a valorização da competitividade e o respeito a autoridade do professor caíram por terra. Em substituição, vieram a subjetividade do conceito, o respeito à diferença de ritmo de cada aluno e a exagerada valorização de “saberes” outros, não adquiridos nos livros – aquela história de que saber tocar pandeiro é tão importante quanto saber somar. E se hoje os professores são responsabilizados por tudo é porque houve um momento em que eles se mostraram absolutamente coniventes com estas inovações pedagógicas.

Leia tudo. Esta praga é tal qual o plágio e a saúva: abundam no Brasil.

Qual seria a melhor palavra para se caracterizar o ano de 2007 no Brasil?

Direto do Tokyo Times:

With a slew of food-related scandals throughout Japan, and the nation’s pension problems persisting, the kanji officially considered most apt for this year is that depicting ‘fake’. The newly chosen symbol, as tradition demands, carefully composed by a Buddhist monk.

O ano de 2007 começou com uma campanha – que me pareceu ser estatal, mas não tenho certeza – sobre o sujeito “ser brasileiro e não desistir nunca” (como, por exemplo, Paulo Maluf ou Luis da Silva). Acho que ouvi este bordão por boa parte do ano. Ou teria sido em 2006? Sei lá.

Mas se até japoneses se envergonham de seus escândalos, por que é que brasileiros não podem ter um símbolo, uma palavra, uma frase para caracterizar 2007?

Aceito sugestões.

Incentivos funcionam (mais uma prova cabal)

Este aí maximizou sem dó, nem piedade:

A college student withdrew from school after winning the five million yuan (S$988,180) jackpot in a lottery in China’s eastern city of Nanjing, local media reported yesterday.

Difícil dizer que incentivos não funcionam, não é? Você pode até dizer que ele não deveria ter feito isto, etc. Mas o fato é que o homo economicus existe e responde direitinho aos incentivos, tal como nos livros-textos de Microeconomia. Leia a notícia toda e descubra porque “socialismo real” é o termo adequado para notícias que mostram governos que morrem de inveja de loterias.

Aborto e Crime (na íntegra, by Moral Hazard)

Aborto e crime

Lambram da entrevista do Samuel Pessoa sobre crime e aborto? Pois bem, acredito que este seja o artigo que gerou tais conclusões. Ele foi apresentado na ANPEC, porém, pelo que li (leitura rápida), não vi elos tão fortes entre aborto e crime. Me pareceu mais estratégia de marketing do Samuel.

Metas de Inflação e o Mercado Imobiliário (dica para os interessados no tema, direto do NBER)

Housing and Monetary Policy

use a mirror
Use a mirror

download in pdf format
(267 K)

email paper

John B. TaylorNBER Working Paper No. 13682
Issued in December 2007
NBER Program(s): EFG ME

—- Abstract —–

Since the mid-1980s, monetary policy has contributed to a great moderation of the housing cycle by responding more proactively to inflation and thereby reducing the boom bust cycle. However, during the period from 2002 to 2005, the short term interest rate path deviated significantly from what this two decade experience would suggest is appropriate. A counterfactual simulation with a simple model of the housing market shows that this deviation may have been a cause of the boom and bust in housing starts and inflation in the last two years. Moreover, a significant time series correlation between housing price inflation and delinquency rates suggests that the poor credit assessments on subprime mortgages may also have been caused by this deviation.

This paper is available as PDF 4.0+ (267 K) or via email.
Machine-readable bibliographic record – MARC, RIS, BibTeX

Falou tudo

Este vai na íntegra

Atestado de incompetência

E a ANAC acaba de lançar a cartilha “Verão no Ar 2008” – uma espécie de manual do usuário da aviação civil.

Ainda não li as 72 páginas do compêndio. Mas persiste a sensação de que a Agência Nacional de Aviação continua confusa a respeito de suas funções. Embora a orientação de passageiros seja sempre interessante, a ANAC existe, antes de mais nada, para orientar e fiscalizar a conduta das companhias aéreas. E, uma vez que ela não está dando conta do recado, a nova cartilha mais parece uma tentativa subliminar de jogar o caos aéreo nas costas dos passageiros – estes mal informados, que atrapalham a aviação civil brasileira.

Em qualquer lugar medianamente civilizado, voar exige apenas o domínio de quatro operações básicas: comprar passagens, fazer check-in, embarcar e desembarcar. Se for preciso saber muito mais do que isso, é porque se está diante de um sistema falho. Quando este “muito mais” atinge 72 páginas é porque se chegou à bagunça.

Culinária japonesa no Brasil

Já que insistem em nos visitar e pedir – desesperadaramente – nos comentários por receitas para engordar, vamos a um ato de caridade natalina:

  1. Receitas de Okinawa
  2. Doces feitos de chá verde

Agora, se você quer falar de comida, vá ao Comidinhas.

Cingapura tem muitos funcionários públicos por quilômetro quadrado (embora isto não nos diga nada de relevante sobre a qualidade de seu governo)

É verdade. Olha o tamanho do país. Além disso, Cingapura passa por um modesto crescimento populacional. Eis aí um país para o qual deveríamos dedicar um pouco mais de atenção.

Sexo, dinheiro e a obesidade estatal

Comece a ler:

Robert Solow, Prêmio Nobel de Economia, disse certa vez, referindo-se a Milton Friedman: “Tudo para Milton o lembra da oferta de moeda. Já para mim tudo lembra sexo, mas, pelo menos, eu tento mantê-lo fora dos meus artigos”. Também tenho minhas obsessões e, entre as publicáveis, a questão fiscal no Brasil ocupa lugar de honra. Digo isto a propósito de dados recentemente publicados pelo Banco Mundial acerca da comparação entre diferentes países. A imprensa local deu ênfase à posição do Brasil como a décima maior economia do mundo, mas não prestou muita atenção a outro conjunto de dados, bem menos lisonjeiro, que destaca o elevado nível de gasto público no país.

Continue aqui.

Galera tá matando aula de montão!

Direto do “A Voz do Cidadão”:

A Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana/Ritla divulgou esta semana o terceiro Relatório de Desenvolvimento Juvenil, desta vez em sua versão 2007, que realizou um extenso cruzamento de dados do IBGE e dos ministérios da Educação e da Saúde e chegou a algumas conclusões alarmantes.

Por exemplo, segundo o relatório, nada menos que 53% dos 35 milhões de jovens entre 15 e 24 anos no país não freqüentam salas de aula. Além disso, 19% deles não trabalham nem estudam, uma porcentagem grande, que fica maior ainda quando se analisa apenas as classes mais pobres: 34%!

Clique aqui para conhecer e baixar a íntegra da pesquisa de Desenvolvimento Juvenil, da Ritla >>

Para quem quiser mais detalhes, o site da entidade é o www.ritla.net.