aborto · ambientalismo · fanatismo

Ambientalista sério faz aborto…como é?

Este segue integral:

A Brit woman with a “no kids” policy aborted her baby to reduce her carbon footprint.

“Having children is selfish. It’s all about maintaining your genetic line at the expense of the planet,” Vernelli told the Mail, adding she believes bringing new life into the world only adds to the problem.

And I thought that drinking Fiji water and thus leaving “huge carbon footprints” was the insane act!

Note: Sorry, I can’t help but make fun of the poor guy – and the most hysterical post ever – who believes that we consumers buy great products from abroad only because we want to “fulfill subjective preferences about our impact on the world and other people.”

Posted by Karen De Coster

Ambientalistas podem ser tão fanáticos quanto qualquer outro…

brasil · economia · Economia do Crime · Gary S. Becker

Mais policiais, menos crimes?

É o que parece. Trecho:

Intelectuais têm o direito de oferecer seus expedientes de curandeirismo social para tentar o que não se conseguiu em nenhum lugar do mundo, a redução da violência de forma ampla e consistente por intervenções sociais ou panacéias comunitárias.

O que não faz sentido é que essas idéias mirabolantes se transformem em políticas públicas destinadas ao fracasso, comprometendo instrumentos de controle do crime e prometendo o que não podem cumprir, com experimentações que não amenizarão a violência.

Pelo trecho, gostei. Mas leia o resto.

ditados populares · e-book · economia · provérbios

Lembra do e-book dos provérbios?

Pois é. O Jornal do Commercio, de Pernambuco, fez uma matéria sobre ele. Uma versão ampliada da mesma, feita pelo jornalista Renato Lima, está aqui. Eis um trecho:

Há muito de economia em ditos populares, como “faz a fama e deita na cama” ou “de graça, até injeção na testa”. O que poderia ser apenas uma interpretação isolada ganhou conteúdo e análise pormenorizada através do livro eletrônico “Em terra de cego quem tem um olho é rei: usando a teoria econômica para explicar ditados populares”, organizado pelo doutor em economia e professor da Universidade Católica de Brasília (UCB), Adolfo Sachsida.

“O objetivo é mostrar aos alunos e a comunidade em geral que a teoria econômica é algo aplicável. Não é apenas teoria, mas que ela está aí para resolver problemas práticos do dia-a-dia”, diz Sachsida. A própria idéia do livro surgiu durante uma aula no curso de economia e contou com a rápida adesão de alunos e outros professores. Assim, vários colaboradores pensaram ditados populares e como eles poderiam ser analisados de acordo com o instrumental econômico.

Aliás, este blog do Renato fará parte dos links laterais em instantes…

bancos · Econometria

Dica do Matizes: aprenda a fazer relatórios econômicos dignos

Cheguei a este relatório de um grande banco internacional por conta do Matizes Escondidos. É uma excelente dica ler este documento. Por que? Porque todo aquele preguiçoso que diz que não se lembra de Econometria quando chega ao final do curso perceberá que preguiça tem um custo: o de nunca conseguir se manter em um baita emprego como o do autor do relatório. Há sempre um assim, em qualquer faculdade (e o papo é sempre o mesmo: “eu aprendi, mas já esqueci”…coisa que nunca acontece com sexo…, etc).

Você pode até enganar alguns por algum tempo, mas jamais todos por muito tempo.

bolivarianismo · movimentos sociais · socialismo · socialismo real

Bom livro para você

Você, que chegou aqui procurando “movimentos sociais” ou “socialismo real” (hoje, conhecido como bolivarianismo, graças a Chávez, sr. da Silva e Morales), certamente gostará deste livro. Não, não é a volta do idiota, é a vida de um sujeito que fez o que você queria fazer, mas nunca teve coragem para tanto: fugiu para a Coréia do Norte, o paraíso de Marx.

Recomendo como presente de Natal, mesmo que você tenha fé no materialismo histórico.

brasil · escolha pública · justiça · Rawls · reeleição

Vários mandatos são possíveis

Under a political regime of clientelism, voters may be willing to trade-off the fact that a politician is corrupt for a certain policy stance or other desirable benefit (Rundquist, Strom, and Peters 1977). Thus, voters may knowingly vote for a corrupt politicians in exchange for particularistic goods and material benefits, as is commonly the practice in machine politics (Scott 1969). If some voters are compensated for corruption through increases in transfers or public good provisions, then providing information about corruption may also have a minimal effect on the incumbent’s electoral performance.

O trecho acima é de um working paper de 2005 que trata do nosso país. Não sei se virou artigo, mas é bom ver que, ao contrário do que se pode imaginar, reeleição de um político cercado por corruptos (seja ele um Ali Babá ou um fantoche dos assessores corruptos) é algo bem palpável. Basta que se construa uma máquina política que produza espelhos e colares para os eleitores. Por exemplo: se eu dou R$ 100,00 para você, a chance de você votar em mim é maior do que se eu não te dou nada.

Outro ponto interessante: se eu faço com que você possa, por escolha própria, obter um aparelho que lhe permita falar com as pessoas onde quer que esteja a um preço bacana (chamamos isto, claro, de “telefone celular”, mas eu prefiro destacar o pacote de serviços envolvido: mp3, câmera fotográfica, etc), será que você votará em mim? E se eu te dou o equivalente do aparelho em dinheiro?

Veja só: um candidato pode ser punido mesmo que tenha criado toda a infra-estrutura que a esmola do outro lhe permita usar. Em outras palavras, talvez seja importante considerar a forma como o benefício do político lhe é dado.

Eleitores, creio, podem até ser indivíduos cruéis. Digo: talvez eles prefiram que você tire dos outros para lhes dar (a visão errônea, mas difundida, de que, em um mercado livre, só se enriquece se alguém empobrece) do que alguém que crie condições para que todos tenham acesso a um determinado serviço, embora o acesso dependa da renda de cada um. O segundo meio é mais democrático (universal) do que o primeiro (eu escolho quem recebe os espelhos e colares) mas, mesmo assim, o eleitor prefere o meio mais injusto.

John Rawls, se morasse no Brasil, reescreveria suas teses?

capitalismo cartorial · falácias econômicas · rent-seeking

Manchetes alternativas: Itamaraty quer ver o déficit na balança comercial crescer

Eis a nova moda de engenharia social: controlar os microfundamentos do comércio internacional.

O secretário geral do Ministério das Relações Exteriores, Samuel Pinheiro Guimarães, afirmou em seminário sobre Integração na América do Sul que as exportações e investimentos de empresas brasileiras geram “muitos ressentimentos” em países da região. “Empresas brasileiras vêm comprando empresas nesses países e a recíproca não ocorre, exceto no caso do Chile e da Colômbia”, disse ele no evento na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Quero ver aqueles “empresários” que choram a cada resultado da balança comercial e seus representantes baterem neste burocrata como bateram em Gustavo Franco por anos. Não vejo a hora de ver a coerência dos amantes do capitalismo cartorial…

brasil · falácias econômicas

Papo furado

Por que não ponho meu dinheiro em banco estatal? Porque não há gente mais confusa em suas justificativas quando o resultado do mês é um prejuízo.

Uma falácia econômica básica é que “o lucro não tem função social”. O sujeito que fala isto, ou não entende direito Economia ou é um mentiroso. Não há nada além destas duas opções. Vejamos, o espertinho que diz isto, normalmente, tem dinheiro aplicado em algum banco porque, como sabemos, pobre só consegue microcrédito (e olhe lá!) para ser empreendedor em um país no qual “empreender” significa aprender a fazer caixa dois, ser desonesto ou se corromper com o fiscal da prefeitura, estado ou (des)governo federal.

Se tem dinheiro no banco, quer um retorno no final do mês, pelo menos maior que a inflação (chamamos isto de “retorno real”). Se não tem um retorno real minimamente positivo, reclama com a patroa (ou bate nela, o que, convenhamos, é bem pouco “social”) e enche o saco inventando histórias sobre como Bush e a Opus Dei (junto com Geraldo Alckmin) roubam dinheiro dos poupadores e levam para o Iraque (ou algo mais fantasioso…).

O fato é que o lucro de um banco tem uma única função social: remunerar os que trabalharam para que este lucro ocorresse. Então, sim, há o salário do gerente, do caixa do banco e de quem colocou dinheiro nas mãos dos especialistas em ganhar dinheiro: os poupadores (como nosso bronco acima, espancador de mulheres).

Mais ainda, quando um bancário faz greve, ele, no fundo, está a dizer – embora minta dizendo que não é nada disto – que o banco tem que ter lucro porque senão o salário dele não sobe. Sim, meu caro, greve de bancário é greve por salário e o salário dele está vinculado ao desempenho do banco. Dou um exemplo para os leitores não-liberais. Um exemplo mais simples. Suponha um militante cujo objetivo é implantar o socialismo no bairro. Seu desempenho, junto ao comitê central do partido (ou, se preferir, “núcleo duro”) é medido pelo número de doutrinados que ele faz. Quanto mais fanáticos, inclusive, melhor (massa de manobra nunca é demais).

Entendeu? Quanto mais militantes, maior o ganho do primeiro militante. É uma velha técnica de administração (aliás, burguesa) de premiar o desempenho. Quanto menos militantes convertidos ao credo socialista, menor o desempenho do partido nas eleições e, portanto, a chance do militante ser repreendido ou mesmo ignorado pelos seus pares como um simples imbecil que não é capaz de converter nem a sogra aumenta.

Simples, não?

Agora, cá para nós, se o dito amiguinho não conseguir cumprir sua missão histórica (porque “divina” é “fanatismo”), normalmente reagirá como todo espertinho: jogará a culpa nos outros. Ou tentará dizer que seu desempenho só foi pior porque seu amigo militante, do mesmo bairro, roubou-lhe sua quota bovina de militantes potenciais. Consequência? Pedirá pelo monopólio de conversão doutrinária no bairro.

Papo furado assim é que me cansa.

e-book

Novo e-book

Um e-book diferente. Para entender a motivação, leia meu prefácio. Parabenizo a turma pelo trabalho. Com todos os problemas que um trabalho deste pode ter, creio que todos os autores aprenderam um pouco mais (inclusive sobre problemas de ação coletiva, free-rider e incentivos).

Gostaria de saber o que você, leitor, achou do e-book. Por favor, use o espaço de comentários.

Corrupção · história · marxismo · ONG · pseudo-história · terceiro setor

Não é o rei que está nu. É o Rainha…e mais ramificações sobre tudo o que originou a mística do “Terceiro Setor Puro e Angelical”

Sim, o terceiro setor, como já disse aqui milhões de vezes (o que me valeu o rótulo de “direitoso” entre os ladrões que habitam esta ficção chamada “terceiro” setor), tem problemas. Agora o jornalismo investigativo tem mais farinha para seu bolo: o MST, digo, o Rainha, que agora é conhecido (por algum motivo que desconheço) como dissidente do MST.

Claro que isto não significa que não se deva investigar as ONGs de gente que era antiga aliada de Rainha, não é, delegado?

Veja bem, leitor. O problema do brasileiro doutrinado no mainstream da história do segundo grau na era democrática (pós-1985) é que ele busca a pureza e a verdade nos tais “movimentos sociais”, mas só dos não-liberais. É verdade que ele tem poucas opções de movimentos liberais mas não sei se isto é causa ou efeito da doutrinação mainstream em história. Que raios é este mainstream? É o marxismo, em suas mais diversas variantes. O vulgarizado (como os divulgados na antiga coleção “O que é”, não a da Brasiliense, que era pluralista, mas a da editora Mir, vinda diretamente de Moscou), o gramscianismo (este é disseminado até em algumas escolas de Administração do Brasil!), o leninismo-stalinismo (a “doença infantil” do movimento estudantil), etc.

Nesta visão de mundo, tal como passada para os filhos do senhor e da senhora leitora pelos “professores”, existe o “bem” (Luke Skywalker, classe proletária e os burgueses que se arrependem antes do juízo final) e o “mal” (o resto). Esta história é martelada na cabeça dos meninos sob o manto de “visão crítica” (experimente criticar a visão crítica…como fez o próprio Marx com os irmãos Bauer em “Crítica a Crítica Crítica de Bruno Bauer e consortes”, em sua juventude filosófica, para ver o que acontece com a nota do menino no final do ano…) durante todo o ensino médio.

Como nem tudo menino é estúpido, alguns percebem que a história não segue apenas a visão do professor marxista. Estranhamente (estranhamente?), nada se fala sobre a visão da história de outros autores consagrados. Teste simples: pergunte a um menino egresso do ensino médio sobre quem é Douglass North, por exemplo. O cara conhece o pseudo-historiador Leo Huberman, o engajado Eric Hobsbawn, mas não conhece Douglass North. Lord Acton? Nem pensar. Sejamos mais bonzinhos: Leopold von Ranke? Nada. Quando a inovação vem, ela só pode ser baseada no marxismo (como na tribo de historiadores fiéias à “hidráulica na antiguidade e os meios de produção”). Nem Kenneth Maxwell escapa da vulgarização que se faz por aí. Não é que não haja historiadores marxistas sérios no Brasil. Há. Jacob Gorender é um deles e tudo o que ele publica deve ser, sim, lido, entendido e, claro, criticado (como tudo o que qualquer cientista escreve).

A ciência não é uma luta do bem contra o mal (ou do mal contra o bem, como diria algum imbecil sobre alguma “visão alternativa” do problema).  A ciência – e a história é parte da ciência – é algo muito mais rico do que se ensina por aí. Após meu doutorado em história e desenvolvimento econômico, hoje, percebo o quanto os professores do ensino básico e médio me prejudicaram com sua visão limitada ou parcial dos fenômenos. Vá lá que alguns não fizessem isto por mal e que fossem apenas incompetentes no sentido de não serem capacitados para a tarefa a que se propuseram. Isto é verdade. Mas a história vai muito além do que se ensina no colégio. Refaço a frase: não existe apenas uma visão da história e explorar outras visões nos ajuda a ter um verdadeiro espírito crítico.

Finalmente, se você tem um verdadeiro espírito crítico, é óbvio que jamais cairia no papo furado de alguns “marketeiros” do Terceiro Setor que vendiam isto, no início dos anos 90, como a panacéia contra a sacanagem e “tudo isto que está aí” dos políticos ou de alguma suposta sociedade repressora. É óbvio que há corrupção e muita sacanagem no Terceiro Setor tanto quanto nos outros setores. É óbvio que há ONG’s que se salvam no mar de lama. Mas é óbvio que não é justo vender esta história de que ONG’s “de esquerda” são “do bem” e ONG’s “de direita” (não conheço nenhuma) são do mal. Isto sem falar, como disse ontem, na proposital confusão entre  “direita”, “conservadores” e “liberais (ou libertários)”. Já falei muito disto aqui neste blog e nosso plantel de leitores não varia muito de forma que é desnecessário voltar ao tema. Apenas indicarei o Politopia como referência.

É isto aí leitor, nem tudo que reluz é ouro.