cultura japonesa · off-topic

Novas (e boas) aquisições

A cinemateca do tio Shikida ganha mais dois membros de valor. Um, claro, dirigido por Kurosawa e, o outro, por Ozu. Artistas? Mifune em um e a bela Setsuko Hara em outro. O que mais você quer?

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brasil · escolha pública · justiça · Rawls · reeleição

Vários mandatos são possíveis

Under a political regime of clientelism, voters may be willing to trade-off the fact that a politician is corrupt for a certain policy stance or other desirable benefit (Rundquist, Strom, and Peters 1977). Thus, voters may knowingly vote for a corrupt politicians in exchange for particularistic goods and material benefits, as is commonly the practice in machine politics (Scott 1969). If some voters are compensated for corruption through increases in transfers or public good provisions, then providing information about corruption may also have a minimal effect on the incumbent’s electoral performance.

O trecho acima é de um working paper de 2005 que trata do nosso país. Não sei se virou artigo, mas é bom ver que, ao contrário do que se pode imaginar, reeleição de um político cercado por corruptos (seja ele um Ali Babá ou um fantoche dos assessores corruptos) é algo bem palpável. Basta que se construa uma máquina política que produza espelhos e colares para os eleitores. Por exemplo: se eu dou R$ 100,00 para você, a chance de você votar em mim é maior do que se eu não te dou nada.

Outro ponto interessante: se eu faço com que você possa, por escolha própria, obter um aparelho que lhe permita falar com as pessoas onde quer que esteja a um preço bacana (chamamos isto, claro, de “telefone celular”, mas eu prefiro destacar o pacote de serviços envolvido: mp3, câmera fotográfica, etc), será que você votará em mim? E se eu te dou o equivalente do aparelho em dinheiro?

Veja só: um candidato pode ser punido mesmo que tenha criado toda a infra-estrutura que a esmola do outro lhe permita usar. Em outras palavras, talvez seja importante considerar a forma como o benefício do político lhe é dado.

Eleitores, creio, podem até ser indivíduos cruéis. Digo: talvez eles prefiram que você tire dos outros para lhes dar (a visão errônea, mas difundida, de que, em um mercado livre, só se enriquece se alguém empobrece) do que alguém que crie condições para que todos tenham acesso a um determinado serviço, embora o acesso dependa da renda de cada um. O segundo meio é mais democrático (universal) do que o primeiro (eu escolho quem recebe os espelhos e colares) mas, mesmo assim, o eleitor prefere o meio mais injusto.

John Rawls, se morasse no Brasil, reescreveria suas teses?

capitalismo cartorial · falácias econômicas · rent-seeking

Manchetes alternativas: Itamaraty quer ver o déficit na balança comercial crescer

Eis a nova moda de engenharia social: controlar os microfundamentos do comércio internacional.

O secretário geral do Ministério das Relações Exteriores, Samuel Pinheiro Guimarães, afirmou em seminário sobre Integração na América do Sul que as exportações e investimentos de empresas brasileiras geram “muitos ressentimentos” em países da região. “Empresas brasileiras vêm comprando empresas nesses países e a recíproca não ocorre, exceto no caso do Chile e da Colômbia”, disse ele no evento na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Quero ver aqueles “empresários” que choram a cada resultado da balança comercial e seus representantes baterem neste burocrata como bateram em Gustavo Franco por anos. Não vejo a hora de ver a coerência dos amantes do capitalismo cartorial…

brasil · falácias econômicas

Papo furado

Por que não ponho meu dinheiro em banco estatal? Porque não há gente mais confusa em suas justificativas quando o resultado do mês é um prejuízo.

Uma falácia econômica básica é que “o lucro não tem função social”. O sujeito que fala isto, ou não entende direito Economia ou é um mentiroso. Não há nada além destas duas opções. Vejamos, o espertinho que diz isto, normalmente, tem dinheiro aplicado em algum banco porque, como sabemos, pobre só consegue microcrédito (e olhe lá!) para ser empreendedor em um país no qual “empreender” significa aprender a fazer caixa dois, ser desonesto ou se corromper com o fiscal da prefeitura, estado ou (des)governo federal.

Se tem dinheiro no banco, quer um retorno no final do mês, pelo menos maior que a inflação (chamamos isto de “retorno real”). Se não tem um retorno real minimamente positivo, reclama com a patroa (ou bate nela, o que, convenhamos, é bem pouco “social”) e enche o saco inventando histórias sobre como Bush e a Opus Dei (junto com Geraldo Alckmin) roubam dinheiro dos poupadores e levam para o Iraque (ou algo mais fantasioso…).

O fato é que o lucro de um banco tem uma única função social: remunerar os que trabalharam para que este lucro ocorresse. Então, sim, há o salário do gerente, do caixa do banco e de quem colocou dinheiro nas mãos dos especialistas em ganhar dinheiro: os poupadores (como nosso bronco acima, espancador de mulheres).

Mais ainda, quando um bancário faz greve, ele, no fundo, está a dizer – embora minta dizendo que não é nada disto – que o banco tem que ter lucro porque senão o salário dele não sobe. Sim, meu caro, greve de bancário é greve por salário e o salário dele está vinculado ao desempenho do banco. Dou um exemplo para os leitores não-liberais. Um exemplo mais simples. Suponha um militante cujo objetivo é implantar o socialismo no bairro. Seu desempenho, junto ao comitê central do partido (ou, se preferir, “núcleo duro”) é medido pelo número de doutrinados que ele faz. Quanto mais fanáticos, inclusive, melhor (massa de manobra nunca é demais).

Entendeu? Quanto mais militantes, maior o ganho do primeiro militante. É uma velha técnica de administração (aliás, burguesa) de premiar o desempenho. Quanto menos militantes convertidos ao credo socialista, menor o desempenho do partido nas eleições e, portanto, a chance do militante ser repreendido ou mesmo ignorado pelos seus pares como um simples imbecil que não é capaz de converter nem a sogra aumenta.

Simples, não?

Agora, cá para nós, se o dito amiguinho não conseguir cumprir sua missão histórica (porque “divina” é “fanatismo”), normalmente reagirá como todo espertinho: jogará a culpa nos outros. Ou tentará dizer que seu desempenho só foi pior porque seu amigo militante, do mesmo bairro, roubou-lhe sua quota bovina de militantes potenciais. Consequência? Pedirá pelo monopólio de conversão doutrinária no bairro.

Papo furado assim é que me cansa.