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Um e-book diferente. Para entender a motivação, leia meu prefácio. Parabenizo a turma pelo trabalho. Com todos os problemas que um trabalho deste pode ter, creio que todos os autores aprenderam um pouco mais (inclusive sobre problemas de ação coletiva, free-rider e incentivos).

Gostaria de saber o que você, leitor, achou do e-book. Por favor, use o espaço de comentários.

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Corrupção · história · marxismo · ONG · pseudo-história · terceiro setor

Não é o rei que está nu. É o Rainha…e mais ramificações sobre tudo o que originou a mística do “Terceiro Setor Puro e Angelical”

Sim, o terceiro setor, como já disse aqui milhões de vezes (o que me valeu o rótulo de “direitoso” entre os ladrões que habitam esta ficção chamada “terceiro” setor), tem problemas. Agora o jornalismo investigativo tem mais farinha para seu bolo: o MST, digo, o Rainha, que agora é conhecido (por algum motivo que desconheço) como dissidente do MST.

Claro que isto não significa que não se deva investigar as ONGs de gente que era antiga aliada de Rainha, não é, delegado?

Veja bem, leitor. O problema do brasileiro doutrinado no mainstream da história do segundo grau na era democrática (pós-1985) é que ele busca a pureza e a verdade nos tais “movimentos sociais”, mas só dos não-liberais. É verdade que ele tem poucas opções de movimentos liberais mas não sei se isto é causa ou efeito da doutrinação mainstream em história. Que raios é este mainstream? É o marxismo, em suas mais diversas variantes. O vulgarizado (como os divulgados na antiga coleção “O que é”, não a da Brasiliense, que era pluralista, mas a da editora Mir, vinda diretamente de Moscou), o gramscianismo (este é disseminado até em algumas escolas de Administração do Brasil!), o leninismo-stalinismo (a “doença infantil” do movimento estudantil), etc.

Nesta visão de mundo, tal como passada para os filhos do senhor e da senhora leitora pelos “professores”, existe o “bem” (Luke Skywalker, classe proletária e os burgueses que se arrependem antes do juízo final) e o “mal” (o resto). Esta história é martelada na cabeça dos meninos sob o manto de “visão crítica” (experimente criticar a visão crítica…como fez o próprio Marx com os irmãos Bauer em “Crítica a Crítica Crítica de Bruno Bauer e consortes”, em sua juventude filosófica, para ver o que acontece com a nota do menino no final do ano…) durante todo o ensino médio.

Como nem tudo menino é estúpido, alguns percebem que a história não segue apenas a visão do professor marxista. Estranhamente (estranhamente?), nada se fala sobre a visão da história de outros autores consagrados. Teste simples: pergunte a um menino egresso do ensino médio sobre quem é Douglass North, por exemplo. O cara conhece o pseudo-historiador Leo Huberman, o engajado Eric Hobsbawn, mas não conhece Douglass North. Lord Acton? Nem pensar. Sejamos mais bonzinhos: Leopold von Ranke? Nada. Quando a inovação vem, ela só pode ser baseada no marxismo (como na tribo de historiadores fiéias à “hidráulica na antiguidade e os meios de produção”). Nem Kenneth Maxwell escapa da vulgarização que se faz por aí. Não é que não haja historiadores marxistas sérios no Brasil. Há. Jacob Gorender é um deles e tudo o que ele publica deve ser, sim, lido, entendido e, claro, criticado (como tudo o que qualquer cientista escreve).

A ciência não é uma luta do bem contra o mal (ou do mal contra o bem, como diria algum imbecil sobre alguma “visão alternativa” do problema).  A ciência – e a história é parte da ciência – é algo muito mais rico do que se ensina por aí. Após meu doutorado em história e desenvolvimento econômico, hoje, percebo o quanto os professores do ensino básico e médio me prejudicaram com sua visão limitada ou parcial dos fenômenos. Vá lá que alguns não fizessem isto por mal e que fossem apenas incompetentes no sentido de não serem capacitados para a tarefa a que se propuseram. Isto é verdade. Mas a história vai muito além do que se ensina no colégio. Refaço a frase: não existe apenas uma visão da história e explorar outras visões nos ajuda a ter um verdadeiro espírito crítico.

Finalmente, se você tem um verdadeiro espírito crítico, é óbvio que jamais cairia no papo furado de alguns “marketeiros” do Terceiro Setor que vendiam isto, no início dos anos 90, como a panacéia contra a sacanagem e “tudo isto que está aí” dos políticos ou de alguma suposta sociedade repressora. É óbvio que há corrupção e muita sacanagem no Terceiro Setor tanto quanto nos outros setores. É óbvio que há ONG’s que se salvam no mar de lama. Mas é óbvio que não é justo vender esta história de que ONG’s “de esquerda” são “do bem” e ONG’s “de direita” (não conheço nenhuma) são do mal. Isto sem falar, como disse ontem, na proposital confusão entre  “direita”, “conservadores” e “liberais (ou libertários)”. Já falei muito disto aqui neste blog e nosso plantel de leitores não varia muito de forma que é desnecessário voltar ao tema. Apenas indicarei o Politopia como referência.

É isto aí leitor, nem tudo que reluz é ouro.