brasil · economia · relações internacionais · Venezuela

Sabedoria econômica em relações internacionais

Diz Abreu sobre a discussão de Venezuela, Espanha e nosso papel na América Latina:

“Criar e liderar um bloco sul-americano” parece objetivo inalcançável. O protagonismo de Chávez põe na defensiva as pretensões brasileiras de liderança. Se o Mercosul é o embrião do bloco sul-americano que quer liderar, seria razoável que o Brasil se dispusesse a mediar a crise entre a Argentina e o Uruguai. E, no entanto, o Itamaraty se tem mostrado singularmente omisso. Com base neste retrospecto é difícil acreditar que o Brasil seja capaz de controlar efetivamente Chávez com a Venezuela integrando o Mercosul. O Congresso Nacional tem, portanto, oportunidade histórica de se mostrar guardião do interesse nacional e se opor à proposta imprudente do Executivo, impedindo a entrada da Venezuela no Mercosul. Mesmo que o presidente Lula ache que Chávez é tão democrata quanto Thatcher, Mitterrand ou Kohl, em declaração “espontânea” que nos faz refletir sobre terceiros mandatos.

Talvez a mais expressiva avaliação das possibilidades de sucesso quanto ao assento permanente no Conselho de Segurança tenha sido a implícita nas declarações do presidente Lula quanto a um Conselho de Segurança “do B”, a despeito de sua alegada ojeriza à idéia de plano B. Fica a impressão de que alguém deveria explicar ao presidente o que é multilateralismo. A tradução de “negociar regras internacionais que não restrinjam o desenvolvimento do País”, no jargão do novo Itamaraty, provavelmente se refere à liberdade de manobra para fazer “política industrial” e escolher vencedores sem limitações de regras multilaterais. E, no entanto, o G-20, liderado pelo Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC), enfrenta dificuldades em manter coesão em torno destas idéias.

Aumentar o volume das declarações bombásticas sobre política externa não vai disfarçar os seus pobres resultados, para não falar na duvidosa seleção de prioridades. É preciso autocrítica, explicitação de responsabilidades e reformulação de estratégia. Um recado claro do Congresso a Chávez, e a Lula, seria um bom começo.

Eis aí bons conselhos para os políticos minimamente inteligentes de nosso Congresso. E também para os menos inteligentes, mas com visão pouco turva.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s