bolivarianismo · brasil · democracia · economia · Venezuela

Democracia e Venezuela

Aqui está uma boa análise sobre a leitura correta de relatório dos nossos amigos do Latinobarómetro. Mas, claro, se você acha que ditadores urinam sobre o povo, está perigosamente perto da verdade, embora os jornalistas tenham temor em divulgar estas notícias engraçadas. De qualquer forma, há sempre alguém para falar das contradições deste povo.

ensino de economia · homenagem aos monitores · monitoria

“Teaching Assistant” ou, no popular, “Meu Amigo Monitor”

 

Professor Shikida analisa plano de aulas de sua monitora

Outro dia, em um jornal, disse uma americana: “For me, teaching is life-giving”. Quem é esta moça? Mais uma das centenas de monitoras (ou, como dizem no IBMEC-MG, Teaching Assistant – TA) que auxiliam professores e alunos nas faculdades pelo mundo afora.

Monitores, como quaisquer seres humanos, possuem vida normal. Há quem lhes crie homenagens como um suposto dia internacional (ITA), mas acho que há mais a se falar sobre eles.

O papel de um monitor é similar ao do sistema de preços no mercado. Poderíamos, na verdade, perguntar-nos sobre o porquê da existência de pessoas com esta função. Assim como Coase perguntou sobre a origem da firma, podemos fazer uma analogia simples. Afinal, se estudante estuda e se professor ensina, por que existem monitores (em um excelente livro de bolso, McCloskey faz pergunta similar sobre a profissão de economista)?

A monitoria tem um papel fundamental no crescimento humano dos envolvidos no processo educacional. Se não unicamente neste aspecto, pelo menos na formação intelectual há um papel importante a ser cumprido pelo monitor. Não nos enganemos: a realidade do aluno brasileiro é uma realidade de preguiça e de cultura da desonestidade. Incentiva-se o desrespeito, a desonestidade intelectual e o mínimo de esforço (preferencialmente sobre as costas alheias). É neste ambiente que o professor e seu auxiliar mais importante, o monitor, trabalham.

Em outras palavras, o trabalho do monitor não é apenas o de auxiliar o aluno a, de fato, transformar-se em estudante. Trata-se de se lhe ensinar valores que fazem toda a diferença se você quer morar em um país menos violento e no qual as pessoas respeitem seu direito de ser “assim ou assado”. Enfim, um país nos quais sua liberdade civil, política e econômica sejam garantidos até mesmo contra chantagens de políticos safados.

Ensinar é uma experiência interessante, frustante e excitante, na qual se aprende muito sobre o abismo que existe entre o aluno mal-informado e preguiçoso e seu colega mal-informado, mas atento ao que lhe dizem sobre seu futuro e sua relação com o capital humano. O monitor é muito importante no esclarecimento dos colegas ainda sujeitos ao véu das maravilhas da vida de pouca responsabilidade.

Aos professores esforçados, que sabem o quão escasso é seu tempo, a ajuda dos monitores é muito importante. Diversos ex-monitores (e minha monitora atual) corrigiram (corrigiu) uma apostila de exercícios de microeconomia que já tem quase dez anos de “vida”. Neste processo, novos exercícios surgiram (e surgem), adaptados ao contexto da vida dos alunos ou com desafios mais interessantes.

Finalmente, monitores existem porque alunos e professores ganham com isto. A localização de problemas e sugestões de novas formas de se abordá-los é tarefa dos monitores, ainda que os mesmos só percebam isto ao longo do tempo. Só tenho a agradecer a gente como Cristina (Economia Matemática), ao Marcelo Meira e à Mariângela (Microeconomia III), ao Pedro Silva Castro (Microeconomia) e à Cristiane (Teoria dos Preços).

Aliás, hoje é aniversário da Cristiane. Parabéns a ela.

bem-estar · Econometria

Computers and Welfare

Measuring the Welfare Gain from Personal Computers

Jeremy Greenwood and Karen A. Kopecky

NBER Working Paper No. 13592

November 2007

JEL No. E01,E21,O33,O47

ABSTRACT

The welfare gain to consumers from the introduction of personal computers is estimated here. A simple model of consumer demand is formulated that uses a slightly modified version of standard preferences. The modification permits marginal utility, and hence total utility, to be finite when the consumption of computers is zero. This implies that the good won’t be consumed at a high enough price. It also bounds the consumer surplus derived from the product. The model is calibrated/estimated using standard national income and product account data. The welfare gain from the introduction of personal computers is about 4 percent of consumption expenditure.

brasil · China · economia mundial

A importância da boa estatística ou “A China não é tão ameaçadora assim como querem os empresários com déficit de reserva de mercado às nossas custas”

In a little-noticed mid-summer announcement, the Asian Development Bank presented official survey results indicating China’s economy is smaller and poorer than established estimates say. The announcement cited the first authoritative measure of China’s size using purchasing power parity methods. The results tell us that when the World Bank announces its expected PPP data revisions later this year, China’s economy will turn out to be 40 per cent smaller than previously stated.This more accurate picture of China clarifies why Beijing concentrates so heavily on domestic priorities such as growth, public investment, pollution control and poverty reduction. The number of people in China living below the World Bank’s dollar-a-day poverty line is 300m – three times larger than currently estimated.Why such a large revision in the estimates of China’s economic condition? Until recently, China had never participated in the careful price surveys needed to convert accurately its gross domestic product into PPP dollars.

Humm…leia mais aqui.

centro-periferia · economia

Países periféricos exploram países centrais – II

Os heterodoxos da velha guarda, como sempre, arrancam os cabelos quando lêem notícias como esta. Claro, como não eram chegados a um teste simples de hipóteses, sempre mudavam a hipótese conforme a conveniência da hora (incentivos importam).

Mas eis uma notícia, portanto, que se junta a uma das expressões mais procuradas no google e que resultam na visita das pessoas a este blog. Deve ter muita gente que ainda acredita nesta divisão do mundo entre “centro” e “periferia”, como se o mundo fosse um grande centro urbano. Ou, sei lá, algum professor de geografia anda tentando convencer os meninos que o mundo se encaixa em modelos teóricos nunca antes testados (…na história deste país…).

brasil · economia · relações internacionais · Venezuela

Sabedoria econômica em relações internacionais

Diz Abreu sobre a discussão de Venezuela, Espanha e nosso papel na América Latina:

“Criar e liderar um bloco sul-americano” parece objetivo inalcançável. O protagonismo de Chávez põe na defensiva as pretensões brasileiras de liderança. Se o Mercosul é o embrião do bloco sul-americano que quer liderar, seria razoável que o Brasil se dispusesse a mediar a crise entre a Argentina e o Uruguai. E, no entanto, o Itamaraty se tem mostrado singularmente omisso. Com base neste retrospecto é difícil acreditar que o Brasil seja capaz de controlar efetivamente Chávez com a Venezuela integrando o Mercosul. O Congresso Nacional tem, portanto, oportunidade histórica de se mostrar guardião do interesse nacional e se opor à proposta imprudente do Executivo, impedindo a entrada da Venezuela no Mercosul. Mesmo que o presidente Lula ache que Chávez é tão democrata quanto Thatcher, Mitterrand ou Kohl, em declaração “espontânea” que nos faz refletir sobre terceiros mandatos.

Talvez a mais expressiva avaliação das possibilidades de sucesso quanto ao assento permanente no Conselho de Segurança tenha sido a implícita nas declarações do presidente Lula quanto a um Conselho de Segurança “do B”, a despeito de sua alegada ojeriza à idéia de plano B. Fica a impressão de que alguém deveria explicar ao presidente o que é multilateralismo. A tradução de “negociar regras internacionais que não restrinjam o desenvolvimento do País”, no jargão do novo Itamaraty, provavelmente se refere à liberdade de manobra para fazer “política industrial” e escolher vencedores sem limitações de regras multilaterais. E, no entanto, o G-20, liderado pelo Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC), enfrenta dificuldades em manter coesão em torno destas idéias.

Aumentar o volume das declarações bombásticas sobre política externa não vai disfarçar os seus pobres resultados, para não falar na duvidosa seleção de prioridades. É preciso autocrítica, explicitação de responsabilidades e reformulação de estratégia. Um recado claro do Congresso a Chávez, e a Lula, seria um bom começo.

Eis aí bons conselhos para os políticos minimamente inteligentes de nosso Congresso. E também para os menos inteligentes, mas com visão pouco turva.

Desarmamento · economia · racismo

As origens racistas do controle de armas…

…na Georgia. Outro que segue na íntegra:

THE RACIST ROOTS OF GUN CONTROL in Georgia.

Very interesting data on the 1906 Atlanta race riots, where mobs attacked black neighborhoods, the residents fought back (in an early form of straw man sales, light skinned residents bought guns for their neighbors), and police and the state militia responded with house to house searches for guns. The Atlanta Journal ran an editorial entitled “Disarm the Negroes,” endorsing the searches with comments such as “Should a collision between the races occur, it would be too late to deplore the fact that the negroes had been permitted to arm themselves.” The study also probes why GA law bans carrying at public assemblies, and notes the law was enacted after night riders attacked blacks who were travelling to a … public assembly, and they fought back.

This kind of thing isn’t news to those who have been paying attention, but it’s probably news to everyone else.

É interessante também ler isto. Talvez o argumento valha uma crítica, mas eis que aí está mais uma ponderação para não se sair por aí defendendo o desarmamento como algo intrinsecamente bom, cujos defensores são, intrinsecamente angelicais…

Blogs de economia · ciência econômica

O rei heterodoxo continua nu

Mais uma vez a falta do debate nos jornais é suprida pela boa blogosfera. Desta veze é o Laurini quem fala. E fala tão bem que vai na íntegra:

Erik escreveu dois bons comentários sobre o expurgo no IPEA e sobre a inconsistência das críticas heterodoxas. Felizmente esta problema do IPEA está tendo uma boa atenção.
Sobre o último comentário é estranho que para os pós-keynesianos a teoria de equilíbrio geral é base de toda a chamada teoria ortodoxa. E não é; é apenas uma construção que pode ser útil em muitos problemas. Por exemplo toda a literatura de microestrutura de mercado não é baseada em equilíbrio geral. Uma boa parte dos modelos em finanças não é baseada em equilíbrio, mas apenas em não-arbitragem que é um condição mais fraca.
O mais engraçado é que por desconhecimento dos pós-keynesianos, que raramente leêm o que criticam, eles perderam uma crítica possível aos modelos baseados em equilíbrio geral, que era o péssimo ajuste destes modelos aos dados reais . Algo que sempre foi criticado pelos demais macroeconomistas ortodoxos.
E estas críticas já vão ficando sem sentido, já que a nova literatura de modelos DSGE (Dynamic Stochastic General Equilibrium) tem tido bastante sucesso no ajuste aos dados reais.
A grande diferença é que na economia ortodoxa modelos que são rejeitados pelos dados são criticados e substituídos por modelos melhores.