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Ainda a Economia Política do IPEA

Sachsida conta mais detalhes:

Há muito tempo o IPEA vem contratando consultores heterodoxos. Há muito tempo a visão UNICAMP domina o IPEA. Isso não é fato recente. O que é recente é que agora esta visão está mais explícita. Mas vamos olhar para o passado: nos concursos públicos de 1995, 1996 e 1997 o pesquisador tinha que saber ao menos os manuais básicos de macroeconomia (Blanchard e Fisher ou Romer), microeconomia (Mas-Collel) e econometria (Green) para ser aprovado no concurso do IPEA. Desde então o formato do concurso para acesso ao IPEA mudou muito, favorecendo cada vez mais a corrente heterodoxa. O que os diretores anteriores fizeram para impedir isso? Quando fui aprovado para trabalhar no IPEA no concurso público de 1996, quase fui demitido na segunda fase do concurso por causa de minhas opiniões sempre liberais. Não me lembro de ter visto algum diretor do IPEA indignado com aquela perseguição. Já há algum tempo o IPEA Brasília NÃO PUBLICA textos para discussão em inglês. O que os diretores antigos fizeram contra esse absurdo? O IPEA apesar de ser um instituto de pesquisa NUNCA premiou pesquisadores que tivessem artigos publicados em periódicos científicos. O que os diretores antigos fizeram para sanar esse problema? O IPEA gastou razoável quantidade de recursos publicando o “livro do ano”. Publicação difícil de ser defendida em termos acadêmicos. O que os diretores anteriores fizeram para evitar ou minimizar isso? Em resumo, há muito tempo a visão dominante no IPEA é uma visão contrária ao liberalismo e ortodoxia. Muitos dos que estão reclamando agora são os mesmos que nada fizeram para impedir isso.

Vou ser bem claro: eu sou contra o que esta acontecendo no IPEA hoje. Mas o que esta acontecendo hoje começou há uns 10 anos atrás. Tenho alguns colegas no IPEA-Rio que tem reclamado muito, mas pergunto: o que o IPEA-Rio fez para evitar isso?

Perfeito o comentário: os próprios diretores cruzaram os braços e se deixaram levar pela gostosa rede macunaímica. Ou são muito distraídos. Ou gostam de apanhar.

A blogosfera tem reagido muito pouco a respeito. Mas há gente revoltada, como o ph ácido e o selva. O engraçado é que não há um único pio dos tais “movimentos sociais”. Nem ONG’s, nem UNE, nem CNBB, nada. É disto que é feito o poder dos tiranos: da conivência não só dos aliados, mas também dos democratas.

Vejamos os desdobramentos disto. Sinto dizer, mas a blogosfera que vê “Alckimin-e-Opus-Dei-juntos-embaixo-do-colchão” precisa parar de bancar a besta e pensar mais sobre o que tem ocorrido. Só porque eu não concordo com fulano ou beltrao, não quer dizer que não haja uma conspiração em curso. E uma conspiração feia, de má qualidade e que só ganha espaço quando a boa qualidade fica lá, paradinha, achando tudo lindo.

Mesmo dentro do jogo democrático – que é o que todo liberal defende – é muita passividade. É duro dizer isto porque admiro muita gente do antigo IPEA, mas, sim, a culpa é de vocês também, caras. A sorte é que, ao contrário de muita gente, vocês ainda conseguem uma temporada nos EUA ou uma transferência para outros órgãos do governo. Mas isto é hoje. Amanhã, como diria John Rawls, você pode estar do outro lado da distribuição não apenas econômica, de renda, mas também do jogo político. Judeus, em 1933, fizeram aposta similar. Uns ficaram, outros saíram. Deu no que deu.

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2 comentários em “Ainda a Economia Política do IPEA

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