off-topic

Uau!

Fonte: Kirainet.

Um leitor me envia esta sugestão de legenda: economista do IPEA observa, despreocupadamente, o monstro da censura oficial que cresce sob os auspícios dos novos diretores da burocracia econômica (ele está despreocupado porque pensa que este tipo de gente é muito pouco importante, se tomados com relação à área do país…).

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Expectativas de inflação desagregadas: a importância do gênero

Mulheres são de Vênus, Homens são de Marte…e a racionalidade quanto à expectativa de inflação depende do gênero? Eis um trecho:

“That men and women occasionally see things differently is not a remarkable observation,” says Michael Bryan, economist at the Federal Reserve Bank of Cleveland. “But that the sexes could report vastly different perspectives on the rate at which prices are rising over a long period of time is astonishing.”

Bryan has studied decades of data on this battle of the sexes, using the University of Michigan Survey of Consumers, a joint survey conducted by the Cleveland Fed and Ohio State University among others. He found that demographics played a role in determining the public’s estimates and predictions of inflation.

Those who are rich, married, white and middle-aged have lower inflation perceptions and expectations than those who are poor, single, non-white and young. That seems almost intuitive: Society’s “haves” are better positioned to endure cost-of- living increases than the “have-nots.

O fundamento microeconômico das variáveis macroeconômicas só não existe para quem não acha o indivíduo algo importante em uma sociedade, não é mesmo?

Falando em gênero, o que será que nossos governantes, entusiastas da CASPA (Cúpula Árabe e Sul-Americana, ou algo assim) pensam disto?

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Dica para pesquisadores

Enquanto o governo destrói a vida de seus pesquisadores, lá no IPEA, eu me lembrava do que disse Jean-Laurent Rosenthal, numa de suas aulas lá na UCLA (google it, boy!): “a pesquisa tem que ser sua. Se for preciso, colete você mesmo os seus dados. Ou então você só fará pesquisas que o governo quer”. A idéia é simples: se você só depende de fontes oficiais para fazer pesquisa, você não tem uma pergunta, você é, sim, um mero reprodutor de idéias alheias. Claro, sempre é possível que você sinceramente goste de trabalhar com dados oficiais do mercado de trabalho, por exemplo. Mas muita gente, por preguiça ou falta de convicção mesmo, deixa de lado bons temas de pesquisa porque…teriam que coletar os próprios dados.

O que acontece no IPEA, claro, é mais grave. É dizer que pluralismo, cantado em verso e prosa pelos pterodoxos tipo H(eterodoxos), sempre foi uma mentira. E os pterodoxos tipo O(rtodoxos) ficam todos caladinhos ou acham que é normal que isto ocorra porque você tem um “modelo formal que gera uma proposição positiva compatível com o evento”. Ora, pitombas, sempre se pode fazer um modelo que gere uma proposição testável compatível com algum evento da realidade. Mas isto não significa que você deva bancar o espertinho e cruzar os braços.

Mas voltemos aos problemas menores, aqueles nos quais os pesquisadores ainda podem pesquisar seus temas livremente, com a independência que o verdadeiro pluralismo requer. Neste caso, há muita gente que, honestamente, procura fazer artigos mais sérios, sólidos, com metodologia decente, sem estas histórias estranhas de batuta ideológica que vemos no IPEA-fiel-ao-Mangabeira (onde está Dani Rodrik agora, com suas críticas ferinas? E Paul Krugman, o que diria disto?).

Para estes pesquisadores, eis a dica do dia.

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Ainda a Economia Política do IPEA

Sachsida conta mais detalhes:

Há muito tempo o IPEA vem contratando consultores heterodoxos. Há muito tempo a visão UNICAMP domina o IPEA. Isso não é fato recente. O que é recente é que agora esta visão está mais explícita. Mas vamos olhar para o passado: nos concursos públicos de 1995, 1996 e 1997 o pesquisador tinha que saber ao menos os manuais básicos de macroeconomia (Blanchard e Fisher ou Romer), microeconomia (Mas-Collel) e econometria (Green) para ser aprovado no concurso do IPEA. Desde então o formato do concurso para acesso ao IPEA mudou muito, favorecendo cada vez mais a corrente heterodoxa. O que os diretores anteriores fizeram para impedir isso? Quando fui aprovado para trabalhar no IPEA no concurso público de 1996, quase fui demitido na segunda fase do concurso por causa de minhas opiniões sempre liberais. Não me lembro de ter visto algum diretor do IPEA indignado com aquela perseguição. Já há algum tempo o IPEA Brasília NÃO PUBLICA textos para discussão em inglês. O que os diretores antigos fizeram contra esse absurdo? O IPEA apesar de ser um instituto de pesquisa NUNCA premiou pesquisadores que tivessem artigos publicados em periódicos científicos. O que os diretores antigos fizeram para sanar esse problema? O IPEA gastou razoável quantidade de recursos publicando o “livro do ano”. Publicação difícil de ser defendida em termos acadêmicos. O que os diretores anteriores fizeram para evitar ou minimizar isso? Em resumo, há muito tempo a visão dominante no IPEA é uma visão contrária ao liberalismo e ortodoxia. Muitos dos que estão reclamando agora são os mesmos que nada fizeram para impedir isso.

Vou ser bem claro: eu sou contra o que esta acontecendo no IPEA hoje. Mas o que esta acontecendo hoje começou há uns 10 anos atrás. Tenho alguns colegas no IPEA-Rio que tem reclamado muito, mas pergunto: o que o IPEA-Rio fez para evitar isso?

Perfeito o comentário: os próprios diretores cruzaram os braços e se deixaram levar pela gostosa rede macunaímica. Ou são muito distraídos. Ou gostam de apanhar.

A blogosfera tem reagido muito pouco a respeito. Mas há gente revoltada, como o ph ácido e o selva. O engraçado é que não há um único pio dos tais “movimentos sociais”. Nem ONG’s, nem UNE, nem CNBB, nada. É disto que é feito o poder dos tiranos: da conivência não só dos aliados, mas também dos democratas.

Vejamos os desdobramentos disto. Sinto dizer, mas a blogosfera que vê “Alckimin-e-Opus-Dei-juntos-embaixo-do-colchão” precisa parar de bancar a besta e pensar mais sobre o que tem ocorrido. Só porque eu não concordo com fulano ou beltrao, não quer dizer que não haja uma conspiração em curso. E uma conspiração feia, de má qualidade e que só ganha espaço quando a boa qualidade fica lá, paradinha, achando tudo lindo.

Mesmo dentro do jogo democrático – que é o que todo liberal defende – é muita passividade. É duro dizer isto porque admiro muita gente do antigo IPEA, mas, sim, a culpa é de vocês também, caras. A sorte é que, ao contrário de muita gente, vocês ainda conseguem uma temporada nos EUA ou uma transferência para outros órgãos do governo. Mas isto é hoje. Amanhã, como diria John Rawls, você pode estar do outro lado da distribuição não apenas econômica, de renda, mas também do jogo político. Judeus, em 1933, fizeram aposta similar. Uns ficaram, outros saíram. Deu no que deu.