brasil · economia · rent-seeking

A nova era das parcerias público-privadas

SÃO PAULO – Sem ter de desembolsar um tostão para adquirir formalmente a BRA, a OceanAir costurou um acordo que fará com que ela herde quase toda a operação da empresa. A companhia dos irmãos Folegatti parou de voar na quarta-feira da semana passada (dia 7) com uma dívida de US$ 100 milhões e 70 mil bilhetes em aberto.O acordo anunciado ontem pelo presidente da OceanAir, German Efromovich, prevê a transferência da frota da BRA para a OceanAir. Em troca, atendendo a um apelo do governo, a OceanAir bancará as operações de fretamento da BRA nos próximos 120 dias. Assim como fez no fim de semana, a OceanAir vai arcar com custos de combustível e tarifas aeroportuárias para que sejam realizadas viagens com aviões e tripulação da BRA, em vôos fretados que estavam programados antes da quebra da empresa.

Se eu entendi bem, este é o país “neoliberal” no qual o mercado rege tudo? A notícia toda está aqui. Ou é um país no qual o atendimento da vontade real é recompensada com um mimo? Ou há algo a mais no fato que não foi noticiado?

Humor · microeconomia

Sinalização para leigos (e não tão leigos assim)

Há aproximadamente um mês, coloquei as instruções de um interessante (e importante) trabalho para os alunos mais jovens que tenho aqui. Quando chegou a época da listagem das músicas, listei-as, dia 08, aqui, com as instruções. Como as apresentações estão marcadas para a semana que vem e a entrega dos trabalhos para esta (ontem, dia 12, e hoje, 13), pensei que seria bom antecipar e reforçar o que já havia instruído, já que nesta era da “internet” a informação rápida é essencial.

No mesmo dia, o acesso foi pífio. Aproveitei um outro post para tentar provocar o animal spirit dos que se pretendem empreendedores (economista também é empreendedor, na acepção mais ampla do termo). Afinal, todos dizem acompanhar este blog. Pensei que não seria uma surpresa muito grande encontrar muitos leitores por aqui.

Pessoas gostam de ter tempo para se planejar e trabalhar, certo? Se a entrega é dia 12 e 13, você esperaria o seguinte padrão: muitos acessos no dia 08, idem no dia 09, com decaimento à medida em que nos aproximamos dos dias 12 e 13. Quem é que leria as instruções no dia da entrega? Só o sujeito que se atrasou e que não liga muito para instruções. Ou o distraído. Obviamente, há os que chegam aqui por acaso. Sim, o acesso não é fechado aos alunos. Então, as estatísticas que mostro a seguir podem, muito bem, ser fruto de acessos de outros leitores que não os meus alunos. Vejamos se o padrão AR(1) suposto acima foi verificado na prática. Minha hipótese: alunos que estão entre os melhores são alunos que se antecipam na leitura das instruções de suas tarefas para me sinalizar competência.

A série:

08.nov 5
09.nov 3
10.nov 3
11.nov 4
12.nov 19
13.nov 5

Opa, opa, opa. Em negrito estão as datas de entrega. O acesso maior às informações se deu….no primeiro dia da entrega. Minha hipótese de um comportamento AR(1) (vá lá, com menos de dez observações, diriam o Laurini, o Pedro, o Erik e outros feras da econometria que também estão na blogosfera…) não se manteve.

Isto mostra que os alunos não se antecipam? Talvez. Mas posso cometer erros do tipo I e II aqui. Há algumas qualificações que podem ser feitas aqui. Claro, algumas são do tipo “meu cachorro comeu meu trabalho”. Por outro lado, há o fato de que, talvez, todos os acessos (ou parte deles) tenham sido gerados por outros leitores que acharam o tema interessante.

Eis aí um bom uso para a internet na análise dos incentivos aplicados em salas de aula. Não é o melhor experimento estatístico que já vi mas, ei, eu tive mais trabalho do que muita gente que me diz trabalhar um bocado…^_^

p.s. meu aluno Márcio me deu uma idéia para outro e-book: publicar os melhores trabalhos. Sim, farei isto. Vejamos quantos alunos fizeram isto com cuidado (ou seja, salvaram o trabalho porque acreditam terem feito algo bacana). Márcio, valeu pela idéia. Vamos aplicá-la se pertinente for.

democracia · economia da defesa

O bolivarianismo iraniano

Não é à toa que a tal “Cúpula Árabe-Latino-Americana” (ou algo assim) fez sentido. Muito se aprende sobre eternas reeleições e sobre controle social da opinião pública. Muita gente achou que a cúpula foi uma perda de tempo. Pelo contrário, muita gente aprendeu muito sobre o modo de governar avançado das milenares monarquias do petróleo.

Selva é selva, esteja do lado de cá ou de lá do Atlântico.

Desenvolvimento econômico · economia · ideologia · jornalismo

A mídia e a ideologia

Tópico preferido de 10 entre 9 jornalistas (sim, isso mesmo), desde que a opinião não seja esta exposta aqui. Boa crítica. O papel da mídia no crescimento econômico é algo que, imagino, não é importante. Talvez o seja, sim, para a democracia. Evidências não faltam: na era da censura do primeiro regime bolivariano “contemporâneo” brasileiro (1964-85), crescemos como nunca sob a administração militar. Já a democracia, esta sim, precisa de alguém que dê vazão às opiniões de bolivarianos como os cronistas, economistas e outros “istas” apoiadores de nossos conservadores de esquerda ou de direita. Eventualmente, se algum liberal existe, também deve ter o direito de se expressar.

Eis um estudo interessante: que impacto há, se é que algum existe, da liberdade de imprensa sobre o crescimento econômico, dado que se está em tal ou qual regime político?  Uma aluna minha fez uma monografia bem parecida, mas eu acho que a pergunta ainda merece investigação. Ainda mais que a pergunta foi “parecida”, não idêntica.

democracia · Economia do Setor Público · ideologias · liberalismo · libertarianismo

Falácia econômica: o falso dilema entre liberdade e segurança

Outro dia falei aqui sobre a besteira que é supor que existe um trade-off entre liberdade e segurança. Bem, não é que Robert Higgs, também já citado aqui, várias vezes, lançará um livro explicando isto aos incautos? Vejamos um trecho da sinopse do novo livro:

Synopsis

“Those who would give up essential Liberty, to purchase a little temporary Safety, deserve neither Liberty nor Safety,” wrote Benjamin Franklin. Attempting to gain security by sacrificing liberty is also a foolish action, some would add, because it only increases the potential for harm.

In Neither Liberty nor Safety: Fear, Ideology, and the Growth of Government, economist and historian Robert Higgs illustrates the false trade-off between freedom and security by showing how the U.S. government’s economic and military interventions reduced the civil and economic liberties, prosperity, and genuine security of Americans in the 20th century. Extending the theme of Higgs’s earlier books, Neither Liberty nor Safety stresses the role of misguided ideas in the expansion of government power at the expense of individual liberty. Higgs illuminates not only many underappreciated aspects of the Great Depression, the two world wars, and the postwar era, but also the government’s manipulation of public opinion and the role that ideologies play in influencing political outcomes and economic performance.

Higgs tem insistido neste ponto há anos. Acho importante que haja gente assim, como sempre diz o Adolfo (Sachsida), interessada em manter vivas as idéias boas em épocas de abundante ignorância. Muitas vezes, a preguiça mental é racional, como vemos nos estudos de dissonância cognitiva em economia (Akerlof, Caplan) e irracionalidade racional (Caplan). Se você gosta do tema, deveria ver a bibliografia deste artigo (e o próprio, que é para leigos).