Desenvolvimento econômico · ideologia

Ideologias

Um livro curioso, de Ricardo Feijó, está ao meu lado. Ari deixou-o aqui para que eu fizesse uma leitura breve de alguns capítulos. Posto isto, pareceu-me um livro bem pessoal, tal como o livro de Microeconomia de Simonsen. A organização dos capítulos não tem nada a ver com o que se vê por aí.

Não deu tempo de fazer uma leitura mais detalhada, mas Feijó tem um bom ponto no livro: ele discute, ainda que numa linguagem bem pouco técnica (mas adequada ao seu público-alvo), o impacto das ideologias no desenvolvimento econômico. Tenho lá minhas discordâncias quanto algumas coisas que ele diz, mas, no geral, faltava um livro honesto em relação às ideologias da moda, hoje renomeadas como “bolivarianismo” e discretamente seguidas por muitos militantes da esquerda brasileira (eles nunca se pronunciam contra Chávez, embora não o elogiem…).

A distinção entre nazismo e socialismo, na minha opinião, não é a visão mais correta de se expor estas variantes do totalitarismo, mas Feijó não está muito longe do que se faz por aí. Talvez isto seja mais um comentário do que uma crítica. E, sim, eu senti falta de maior profundidade na parte das Escolhas Públicas. Outro ponto positivo: o destaque dado ao famoso debate do cálculo socialista, aliás, escassamente presente nos cursos que se auto-denominam “história do pensamento econômico” (que sempre falam de Marx, mas nunca encontram carga horária para discutir sua derrocada teórica neste que foi um dos mais interessantes debates do pensamento econômico).

Há algo a ser discutido, sim, quando se fala de ideologias e desenvolvimento econômico. Há dois grandes motivos pelos quais isto não acontece com frequência. Primeiro, economistas ortodoxos, muitas vezes, têm manias estranhas. Por exemplo, se não encontram uma proxy boa para o fenômeno, negam sua existência ao invés de reconhecer a limitação do instrumento (algo que já foi dito por Robert Higgs, em seu clássico Crisis and…). Em segundo lugar, os pterodoxos sabem que o reconhecimento da lógica implacável do debate do cálculo socialista os deixará, digamos, nus. Apesar de se auto-proclamarem muito “mentes abertas” e “progressistas”, pterodoxos odeiam o próprio corpo nu. Talvez não sejam tão progressistas assim…

Se alguém mais leu o livro, adoraria ouvir suas opiniões. Por enquanto, eu espero ganhar um exemplar para análise porque o orçamento anda direcionado para outros livros, DVD’s e botecos.

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