Medo dos descamisados

Dizem os jornalistas que o laureado (pela mídia chapa branca) “novo pai dos pobres” só visita seus filhos com o capitão Nascimento. Quanta maldade destes jornalistas! Só pode ser uma conspiração neoliberal (com a Opus Dei, FHC e Bush, claro) para distorcer a mente das crianças. Afinal, os mesmos jornalistas dizem que os favelados estão sendo deslocados para a periferia (aposto que os aliados do sr. da Silva acusarão César Maia de “nazismo” com exceção, talvez, da Ministra do Meio Ambiente…mas não aposte nisto!).

Juntando as duas notícias, fica a ironia: o aparato policial, provavelmente, é um grande desperdício de dinheiro público, se for verdade que há o deslocamento (com as tradicionais qualificações que não cabem em um blog, claro) ou então o pai dos pobres não é tão paternal assim.

Engraçado. É bom ler clippings matinais, sabe? No mínimo há sempre algo divertido para se ler.

Selva Brasilis em bom momento irônico

Samuelson sobre a Crise

Um dos maiores economistas de todos os tempos, Paul Samuelson, fala sobre a crise financeira. Notem que o diagnóstico e as solucões propostas são tipicamente Keynesianas, o que mostra quão pouco os economistas entendem do problema.

Caridade é caridade: você não aceita dinheiro de políticos? Por que não da dona?

Uma prostituta chilena doará o dinheiro arrecadado com 27 horas de trabalho para uma campanha de caridade em favor de crianças pobres e deficientes.

Esta semana, María Carolina compareceu em vários canais de TV chilenos para divulgar a iniciativa, prometendo doar “27 horas de amor” ao preço de 300 dólares por cada hora e meia de serviço.

Mudança tecnológica

Eis aí mais uma novidade bacana. Trecho:

ExxonMobil Chemical and ExxonMobil’s Japanese affiliate, Tonen Chemical, have developed new film technologies for lithium-ion batteries with the potential to improve the energy efficiency and affordability of next generation hybrid and electric vehicles.

These new film technologies are expected to significantly enhance the power, safety and reliability of lithium-ion batteries, thereby helping speed the adoption of these smaller and lighter batteries into the next wave of lower-emission vehicles.

Imagine o impacto disto nos mercados de bens complementares e substitutos do automóvel tradicional, que se move à gasolina, álcool ou, sei lá, diesel. Mais ainda, pense nos efeitos de curto e longo prazo. Não são muito diferentes do que você aprende no primeiro curso de Economia, certo?

Está na hora do sakê

Notas sobre o sakê no Japão.

Trecho:

The kanzukuri (cold brewing) pattern of concentrating production in the coldest months of the year became mainstream in the Edo Period, and timely advances in agricultural techniques found farmers with their hands free at the same period, a coincidence that gave rise to the labor structure that supported the industry for centuries.

IPEA…

Outro dia me contaram de uns blogueiros que disseram que o que ocorreu no IPEA foi correto do ponto de vista jurídico (sempre há uma lei, certo? Lembremo-nos de Hitler…). Uma das críticas era: se gente como Giambiagi quer livre pensamento, que vá para a faculdade. O IPEA é órgão do governo.

Ok.

Então alguém me explique como seria uma faculdade regida pelo pensamento único.

É fato. A esquerda anaeróbica, aquela que vê Opus Dei até em discurso de dono de boteco é ótima para se dizer imparcial, mas é péssima na hora de sê-lo.

Disse tudo

Uma “reforma” é uma medida de amplo alcance que consiste em remover privilégios concedidos a minorias militantes em detrimento de maiorias distraídas. Sua utilidade pode ser aferida, em geral, pela truculência e falta de decoro das minorias quando percebem que suas benesses estão ameaçadas. Por isso se dizia que as privatizações mais salutares foram as que produziram mais gás lacrimogêneo. Por isso alguns sindicalistas andaram querendo lutar jiu-jitsu com alguns parlamentares. O imposto sindical é assunto paradigmático; embora ninguém seja obrigado a filiar-se, somos todos obrigados a pagar o sindicato do mesmo jeito. Para o trabalhador, esse “imposto” custa um dia de trabalho a cada ano, capturado diretamente da folha de pagamentos. Para a empresa custa uma fração do capital (1% para empresas com capital de R$ 1,000,00) recolhidos anualmente a favor do sindicato patronal da atividade predominante da empresa.

A defesa desta odiosa sistemática repousa sobre o argumento teórico, e patético, de que todos os trabalhadores de uma categoria se beneficiam do trabalho do sindicato. Balela. A prática é que o sindicato não tem incentivos para trabalhar porque recebe do mesmo jeito. Parece óbvio, portanto, que as pessoas devem ser livres para contribuir, ou não, para os sindicatos e associações que bem entenderem, e o óbvio, às vezes, é um poderoso impulso político; ele se insinua pelas barreiras mais cerradas, e quando menos se espera, lá está ele, como neste caso, a apontar para a obsolescência da nossa organização sindical corporativista.

Mas se aceitamos o princípio segundo o qual ninguém deve ser obrigado a fazer o que faria na ausência da obrigação, e desobrigamos as pessoas de pagar pedágios para os sindicatos, inclusive os patronais, a pergunta seguinte é por que mesmo as empresas são obrigadas a fazer contribuições para o Sistema “S”. Sempre que ouço empresários exaltando o belíssimo trabalho feito nessas instituições, a pergunta que não quer calar é simples: porque então elas precisam de recursos públicos para se sustentar?

IDH, IDH…

Eu me lembro, quando do meu doutorado no PPGE-UFRGS, que havia um grupinho de militantes do partido do sr. da Silva que era bem ranzinza. Tão ranzinza que seus membros diziam que o IDH não era um índice bom, que era coisa neoliberal, isto e aquilo. Não era nem questão de o Brasil melhorar ou piorar no ranking. O ranking, em si, era uma coisa do demo, do mal, enfim, de neoliberais. Incrível é como estes mesmos sujeitos estão, hoje, bem caladinhos, senão festivos.

Mas, há o que comemorar?

Leia Daniel Piza e Adolfo Sachsida para pensar no assunto.

Sábado sensacional em Brasília (reproduzido na íntegra)

ENCONTRO LIBERAL – Programação

Programação do Encontro de Pensadores Liberais:

Data: 01 e 02 de dezembro de 2007 (sábado e domingo)
Local: Universidade Católica de Brasília, campus II (ASA NORTE – SGAN 916)

01/12/2007 – Sábado:

12:00 – 13:00 horas: Inscrição no local do evento (gratuita).
As inscrições também podem ser feitas pela internet, para tanto basta enviar um e-mail para: sachsida@hotmail.com. Qualquer dúvida ligue para (61) 8459-0343.

MESAS REDONDAS
13:00 às 14:45: Idéias Liberais para o sistema educacional
14:45 às 15:00: Intervalo
15:00 às 16:45: Idéias Liberais para o sistema de saúde
16:45 às 17:00: Intervalo
17:00 às 18:45: Idéias Liberais para a previdência
20:00 horas: Confraternização

02/12/2007 – Domingo:
9:00 às 10:45: Palestra com o Prof. Dr. Nelson Lehmann
“Fundamentos Liberais nas obras de Platão, Aristóteles e Santo Agostinho”
10:45 às 11:00: Intervalo

DEBATE
11:00 às 12:45: Quais deveriam ser os fundamentos de um PARTIDO LIBERAL?
13:00 horas: Encerramento.

O formato do encontro foi definido para contemplar uma ampla gama de assuntos e minimizar custos de participação. Assim, interessados em participar do Encontro que residam fora de Brasília terão que arcar com apenas 1 (uma) diária de hotel.

Aos residentes fora de Brasília que necessitem de hospedagem, por favor entrem em contato comigo pelo e-mail: sachsida@hotmail.com. Eu tentarei conseguir preços promocionais junto aos hotéis da cidade. Também estou providenciando transporte para os que chegarem de fora de Brasília. Apenas me enviem um e-mail informando o horário de chegada e providenciarei o transporte até o hotel e até o local do encontro.

Isso é tudo que eu posso fazer, sei que não é muito. Mas conto com vocês, principalmente para ouvir suas idéias e sugestões. Sei por experiência própria o quão cansados estamos de falarmos sozinhos, essa é nossa chance de nos organizarmos, essa é nossa chance de trocarmos idéias e experiências com pessoas que pensam como nós. Pessoas que defendem a liberdade individual – a liberdade de escolha, o livre arbítrio – como valores máximos de nossa existência.

O (o)caso do IPEA

Ontem passei por uma banca e li uma famosa revista pró-senhor-da-Silva (o dito presidente). A revista é tão a favor que o caso do IPEA foi tratado como uma conspiração “neoliberal” para dominar o debate. A autora da matéria ainda destaca detalhes burocráticos (não havia convênio disto, não se cumpria aquilo…). Pena que a revista nunca tenha feito detalhamento similar em outros casos como a inexistência de status jurídico de famoso movimento de invasores de terras ou, sei lá, no caso de jornalistas amigos-da-revista contra outros.

Aí, o Duke me publica isto.

Fica bem claro, para mim, onde está o pensamento único (defendido a qualquer custo).

O que acontece em uma economia com múltiplas moedas?

Eis o caso da Suécia. Um trecho:

Apparently, systems with multiple monies are so persistent that they must have been of importance to contemporary actors. They are also prevalent in history. The Swedish case is only one of many historical situations in which monies of various descriptions and origins have circulated side by side. Still, in those cases when multiple monies are scholarly discussed, they are often perceived as anomalies which eventually were to disappear by an evolutionary process. Most of this research perceives different monies as competing substitutes. It is argued that a system with perfect competing monies would be efficient. However, since most historical cases of multiple monies are far from fulfilling the conditions of a free market, we are obliged to continue to look for some other logic behind the persistence and prevalence of multiple monies. Limited research is made to understand the reasons for or impact of the co-existence of different monies. Differences between monies are neglected and lost when all monies in circulation are reduced to substitutes for what is
regarded as ‘real’ money.

Mais um pouco:

In our empirical analysis, we address four questions: 1) We analyse what was used as money both on an aggregated level by looking at the money supply in absolute and relative terms and on a micro level by looking at the content of monetary remittances. 2) We study the relative value of different monies in parallel circulation. Our aim is to understand why some cases of multiple monies where successful in maintaining a fixed relative value whereas others where not. 3) We believe that the value of money is determined by the demand for money and since demand fluctuates in relation to economic activities, we try to establish seasonal variations in both use and value. 4) Kuroda has in his previous research identified complementarity between monies floating in different monetary circuits. We will therefore try to see whether money of different origin circulated in different ways.

We find that in the Swedish case one kind of money could not fulfil the basic monetary function of providing sufficient liquidity and at the same time keep a relatively stable monetary value in relation to foreign currencies. In the Swedish experience ‘real’ money was not only scarce; it was also unevenly dispersed between different parts of the country and unevenly demanded over the seasons in line with the needs of the agricultural economy. A system of complementary served to solve the dilemma of sufficient liquidity domestically and
a stable currency value both internally and externally.

Interessante, não? Para o Brasil, existe um artigo do Gustavo Franco com, se não me engano, Winston Fritsch, que estuda a questão do padrão-ouro em nossa economia. Problema diferente, mas intimamente relacionado ao que é tratado no artigo dos suecos. Um tema interessante de história econômica, tanto quanto de teoria.

A nova corrida armamentista

O pessoal de Economia da Defesa (escasso no Brasil) terá muito o que fazer nos próximos anos. Presumo que muitos alunos interessados na interseção entre Ciência Econômica e Economia Internacional (ou, quem sabe, até Relações Internacionais) terão muitas hipóteses para serem trabalhadas.