brasil · economia política · eleições · marketing político

Marketing político importa?

Talvez você goste deste tema. A pergunta, normalmente, é assim: “mais gastos em campanha aumentam a probabilidade de eleição”? Mas, no caso brasileiro, talvez a pergunta tenha que ser readaptada. Este texto faz isto de maneira bem interessante.

Para o leitor-aluno fica a observação: às vezes desistir do tema muito cedo é uma saída válida apenas para os que estão muito acomodados. A moral? A de sempre: se você escolher um tema de que gosta muito, invariavelmente fará algo bacana.

brasil · Capital Humano · economia · mercado de trabalho

Professor, fui mal na prova porque mamãe trabalha fora de casa

Será mesmo?  Vejamos:

Trabalho materno e desempenho educacional das crianças: uma análise da probabilidade de aprovação escolar
Juliana Maria de Aquino

Elaine Toldo Pazello

Resumo
O objetivo desse estudo foi analisar o impacto do trabalho materno (implicitamente, da presença da
mãe em casa) sobre a probabilidade de aprovação das crianças brasileiras com idade entre 10 e 14
anos. Para tanto, foram utilizadas duas sub-amostras da Pesquisa Mensal de Emprego (PME),
referentes aos períodos 1986-1995 e 2002-2006. O artigo contribui com a literatura, primeiro,
porque analisa um atributo da família pouco explorado nos estudos brasileiros sobre o tema e
também por utilizar os dados da PME, os quais proporcionaram um trabalho diferenciado porque
permitiu que se trabalhasse com um painel de indivíduos. Os resultados obtidos mostram que, em
ambas as amostras, o trabalho materno teve efeitos restritivos sobre o desempenho educacional das
crianças. Todavia, a magnitude dos efeitos foi bem mais expressiva para o período 2002-2006, o
que pode ser reflexo de mudanças quanto ao perfil ocupacional da mulher ou até mesmo de uma
piora no sistema educacional em termos de qualidade de ensino.

economia · estrutura de mercado · funeral · pesquisa acadêmica

Economia da Morte: a organização industrial do mercado de funerais

Dan Sutter tem um artigo interessante sobre o mercado de funerais nos EUA. Como funciona este mercado no Brasil? Eis aí uma pergunta que nunca vi respondida. Nunca vi um único estudante de Economia me questionar sobre isto. Qual é a estrutura de mercado do lado da oferta? E as regulações governamentais? Demanda?

Uma rápida olhada pelo IPCA no SIDRA não me indicou uma única variável relacionada aos enterros. Por que? Alguém sabe onde se encontram dados a respeito? O máximo que achei foi isto.

bem público · economia · falhas de governo

CSI Economics

With 238,135 requests for latent fingerprint comparisons in 2002 alone, a false positive error rate of 2 percent implies up to 4,800 false convictions or guilty pleas made in hopes of a lighter sentence each year in the U.S., 1,700 of them in felony cases. (The number of improperly matched fingerprints is not completely clear. A 2005 study of fingerprint analysis suggests that the false positive rate may now be as low as 0.8 percent. But another recent study suggests it could exceed 4 percent.)Confronted with such statistics, policy makers usually call for greater oversight—that is, finding a governmental body to watch over forensics and make sure everyone does his or her job right. In the current climate, that certainly would help. But the core problem with modern forensics isn’t an absence of oversight. It’s monopoly. Once evidence goes to a given lab or facility, it is unlikely to be examined by any other lab or facility. That increases the chances that a mistake will slip through undetected.

Tirei daqui. E no Brasil? Alguma discussão a respeito?

crítica de Lucas · Econometria · Marketing

Por que o estudante de Marketing deveria aprender econometria de séries de tempo?

Para começo de conversa, qualquer estudante de Marketing tem que aprender Econometria. Agora, isto não é sinônimo de aprender o que é uma regressão múltipla e sair por aí fazendo trabalhos de duvidosa qualidade.

Posto isto, o passo seguinte é estudar bem um livro de Econometria. Já fez isto? Então, agora, você está pronto para a discussão relevante: entender quando aspectos teóricos da Econometria influem na sua prática profissional. Por exemplo, considere os trechos abaixo deste interessante texto:

If the Lucas critique is relevant, and it is ignored, marketing models may yield biased predictions of the effects of marketing policy changes (we refer to the article from Franses for both a concrete illustration and additional references on this issue). Biased parameter estimates are perhaps one of the most serious issues in econometric modeling. Therefore, ignoring the Lucas critique could be considered as fatal a flaw as ignoring endogeneity. Endogeneity happens to be the primary factor affecting price elasticity estimates according to a recent meta-analysis (Bijmolt, Van Heerde, and Pieters 2005).

Entendeu? Não? Ficou na dúvida sobre o que significa um parâmetro viesado? Ou não entendeu o que é endogeneidade? Então, novamente, volte ao livro-texto. Se não teve problemas, prossiga.

While the Lucas critique may therefore be an issue in some marketing settings, it definitely will not be the only one applied marketing researchers should be concerned about, as correctly pointed out by Franses. We would like to add two further remarks in this respect. First, omitted variable bias may be particularly relevant in many marketing settings, and could play as big a role as the Lucas critique or the endogeneity issue – including or excluding covariates such as a promotion dummy or advertising may affect price elasticity estimates almost as much as ignoring versus accommodating endogeneity (Bijmolt, Van Heerde, and Pieters 2005). Second, a flaw such as ignoring autocorrelation may seem one degree less fatal than flaws leading to biases, since it “only” leads to inefficient parameter estimates. However, we argue that autocorrelation may be a signal of serious model misspecification. If the autocorrelation is caused by omitting predictors uncorrelated with the included predictors, the inefficiency of OLS can be successfully remedied by GLS. For example, suppose that a model for beer sales excludes temperature (which in itself is highly autoregressive) and none of the included (marketing-mix) predictors happens to be correlated with temperature. On the other hand, suppose a model omits pelevant variables (e.g., lagged marketing-mix variables) that are correlated with the included predictors (e.g., current marketing-mix variables). In both cases, a residual test will reveal autocorrelation, a seemingly small issue since it “only” leads to inefficient estimates, which is true in the former case. However, in the latter case the parameter estimates for the included predictors are also biased, which cannot be remedied by GLS. Instead, the model specification should be extended with the omitted predictors.

Pronto, agora você entendeu: existe algo importante na Estatística, quando aplicada a problemas de decisão que, sim, é fruto do trabalho de um sujeito chamado Robert Lucas. Não fosse por este economista, seu uso dos métodos estatísticos em Marketing poderia sofrer de sérios problemas o que é sempre desagradável quando se deseja fazer previsões.

Em resumo, você pode evitar o estudo dos métodos estatísticos e econométricos ou se refugiar sob as asas daqueles professores que fingem que te ensinam econometria. Ok, é uma solução factível. Mas não é a melhor solução, principalmente se você deseja aprender mais uma ferramenta útil para sua prática profissional.

Já até ouço: “ah, mas ninguém aplica isto, por que eu deveria me arriscar”? A resposta é óbvia: você é empresário de sua própria carreira e, portanto, deve conhecer o custo de oportunidade inerente às suas escolhas no que pretende mostrar ao seu chefe (de hoje). O dia de amanhã a Deus pertence e, saber mais é sempre uma forma de hedge em sua vida, profissional ou não.

Assim, pode ser uma excelente idéia aprender não apenas a Econometria mas, eventualmente, aprender a testar limitações deste método. Muito “colunista” que leio nas badaladas colunas de revistas para “C.E.O.’s com déficit de atenção” (ou problemas de amor-próprio) fala ad nauseam sobre interdisciplinaridade. De minha parte, nunca vi um único estudante de Administração que fizesse três cadeiras de Econometria no Doutorado, ou todas as da graduação.

Nunca é tarde para aprender, claro. Mas, com o passar do tempo, o custo de aprender aumenta, ceteris paribus

crítica de Lucas · Econometria · econometria bayesiana · Política monetária

Econometristas bayesianos podem mudar o resultado do que pretendem estudar?

“Monetary Policy, Judgment and Near-Rational Exuberance”
by
James B. Bullard, George W. Evans, and Seppo Honkapohja We study how the use of judgment or “add-factors” in macroeconomic forecasting may disturb the set of equilibrium outcomes when agents learn using recursive methods. We examine the possibility of a new phenomenon, which we call exuberance equilibria, in the New Keynesian monetary policy framework. Inclusion of judgment in forecasts can lead to self-fulfilling fluctuations in a subset of the determinacy region. We study how policymakers can minimize the risk of exuberance equilibria.

Em outras palavras: fazer ajustes “não-paramétricos” (por assim dizer) nas previsões de um banco central qualquer que pretende influenciar as expectativas dos agentes privados pode gerar um resultado distinto. Bayesianos também sofrem de crítica de Lucas? ^_^

aborto · falhas de governo · Freakonomics

O uso político da economia

Eis aí um político que deseja faturar sobre o Freakonomics. Primeira pergunta: onde estão as evidências empíricas para o Brasil, senhor político? Segunda pergunta: mensuração dos ganhos de bem-estar feita de forma séria, não pelo consultor chinfrim que vende regra de três como econometria na esquina, onde está?

Primeiro responda corretamente estas perguntas. Depois a gente conversa.