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Marcelo Soares de blog novo

Marcelo era da Transparência Brasil e durante muitos anos eu tive a oportunidade de ver seu excelente trabalho lá. Agora ele não está mais lá (uma pena!), mas está de emprego e blog novos.

Preciso dizer que lhe desejo boa sorte?

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brasil

A crise da igreja

Esta história do Padre Lancelotti é bem feia, heim?

UPDATE: Tia Cris também está horrorizada. Os usuais defensores já se movimentam. Só a esquerda que vê “Opus-Dei-até-embaixo-da-mesa” está quietinha. Acha que a questão, claro, é da “imprensa satânica da direita neoliberal” que persegue seu amigo. Julgamento incorreto e que apenas ajuda à não-solução do problema…

economia da economia · economia dos economistas · prática científica no Brasil

Direto do forno…

The international research of academic economists in Brazil: 1999-2006. Econ. Apl., jul./set. 2007, vol.11, no.3, p.387-406. ISSN 1413-8050.Este paper estende a análise de Faria (2000) para o período de 1999-2006. O estudo analisa a produção de 750 economistas acadêmicos de 31 departamentos de economia com programas de pós-graduação no Brasil. Ao nível individual, somente 12 economistas conseguiram publicar pelo menos um artigo nas revistas acadêmicas mais importantes da profissão, e 96 economistas publicaram pelo menos um artigo nas revistas da lista de revistas internacionais. As áreas de pesquisa em que os brasileiros são mais bem sucedidos são: Economia Aplicada, Desenvolvimento Econômico, Economia Matemática e Economia Pós-Keynesiana. Há uma diferença marcante de qualidade entre os departamentos. A performance dos departamentos depende de esforços isolados de indivíduos. O número total de artigos publicados, de pesquisadores publicando em revistas internacionais e departamentos com membros publicando em revistas internacionais, cresceu durante o período.

Palavras-chave : rankings de departamentos e economistas; papel dos economistas.

Clique aí e descubra quem são os autores. ^_^

p.s. Eis outro artigo muito bom sobre a pergunta que sempre nos fazem: “como medir a qualidade“?

economia política · ONG · regulação

Ligações perigosas

O discurso “social”, a cada dia, perde um pouco de sua máscara. Veja só esta:

Catorze dos 51 gerentes de unidades de Assistência Médica Ambulatorial (AMAs) da capital paulista, todos funcionários públicos, recebem um salário complementar de entidades parceiras sem fins lucrativos que eles deveriam fiscalizar.

Daí a importância de um modelo regulatório sério. Quem fiscalizará os fiscalizadores? Se levarmos este raciocínio ao absurdo, não teremos solução. Logo, você precisa formatar os incentivos.

Ah sim, é previsível que todo grupo de interesse se organize (as ONGs têm a ABONG) e, claro, veremos nos próximos dias algumas discretas queixas contra o “poder da grande imprensa”, como se um jornal pequeno fosse sinônimo de “imparcialidade”. A cabeça deste pessoal funciona assim: “se eu edito um boletim e divulgo, sou muito mais crível do que o grande jornal”. Como se o Brasil só tivesse ladrão rico. Sacou?

Ontem me contaram uma história ótima. Em Belo Horizonte havia uma peça de teatro e os sujeitos garantiram vagas porque contrataram um serviço privado. A prefeitura de Belo Horizonte proibiu e deixou todos na mão, porque afirmou que o serviço privado prejudicava o serviço dos “guardadores voluntários de carros”, os mesmos que, sem uma moedinha, podem arranhar o seu carro com – pelo visto – a complacência da prefeitura.

Este é o discurso “social”, sem máscaras. E é por isto que de “social” eu nada tenho e nunca terei.

brasil · economia · escolha pública · falhas de governo · Federalismo

Incentivos e Política

Esta notícia mostra diversos pontos importantes – e didáticos – sobre o problema da intervenção do governo na vida das pessoas. Por exemplo, minha vida depende da qualidade dos serviços públicos de meu município. Eu não acharia ruim, por exemplo, caso meu município fosse economicamente inviável, em pertencer a um município maior (o contrário da emancipação). Além disso, é bom saber o real custo dos serviços para saber se os impostos estão condizentes.

Tudo isto, claro, resultaria, tomando como dada a realidade atual, em mudanças interessantes na geografia brasileira. Muitos municípios inviáveis – economicamente – desapareceriam porque seriam agregados a outros municípios. Claro, isto não ocorre porque existem interesses dos políticos e de seus apaniguados que enrijecem a alocação livre de recursos. Há os que desejam preservar seus “currais eleitorais” e sua tropa de eleitores bovinos que recebem cestas e grana em troca de votos.

Neste sentido, veja esta notícia. Nela você vê como o interesse dos políticos não é necessariamente relacionado ao dos eleitores. Fala-se de inviabilidade deste ou daquele município mas, aposto, não se mostra uma estimativa do custo-benefício. O que é melhor? Ter uma vida de luxo e viver endividado ou ser mais humilde e não ter problemas com credores? O conselho de todo mundo é sempre na direção de controlar seu fluxo de gastos. Você tem que fazer a conta. Não seria mais razoável que um sujeito que é responsável pela vida de muitos – como é o caso de um prefeito – fosse mais responsável ainda?

Seria se o mundo fosse como na visão “altruísta” dos políticos. Ocorre que a vida – em termos de comportamento – é muito mais parecida com o que descreve a economia do que os contos de fadas da visão altruísta da política.

O que é interessante é que há evidências de que eleitores punem políticos irresponsáveis em nível municipal, ok. Mas nunca vi nenhuma evidência de que eleitores se preocupem com a composição dos gastos e receitas dos municípios. Aí tem algo que eu gostaria de ver estudado…