brasil · consumidores · economia do marketing · microeconomia

O que a oferta não faz pela demanda?

Interessante conjunto de estratégias de marketing do pessoal dos panetones. Leia que é, no mínimo, divertido.

Anúncios
bolivarianismo · pensamento bolivariano-econômico · pterodoxia

História do Pensamento Econômico Brasileiro

Eu achava que estávamos em um estágio mais desenvolvido da academia brasileira. Para mim, pterodoxos eram minoria e as divergências eram mais bem trabalhadas. Mas eis que o Alexandre Schwartzman, citado aqui ontem, mostrou que há gente abusando da paciência de qualquer ser letrado e pensante com esta história de “estado-nanico-obtido-com-uma-medida-bizarra”.

Além disso, estava lendo dois textos sobre política industrial. Parti do pressuposto que ambos eram sérios mas um deles, realmente, abusa da minha paciência. Quanta imprecisão! Quanta falta de dados para corroborar afirmações quase religiosas. Quantos termos nunca definidos. Pior é o argumento implícito de textos como este: “este texto foi feito sem modelos porque o leitor médio não gosta de dificuldades, então, ele ficará mais simpático à minha causa, por mais louca que ela possa ser”. Graças a Deus o texto sério também não usa matemática (embora, ao contrário do outro, mostre tabelas e gráficos bem ilustrativos dos seus argumentos).

Refaço meu julgamento: nunca antes na história deste país a ciência econômica correu tantos riscos. Seus detratores estão soltos e querem desmoralizá-la a qualquer custo para implantarem a mediocridade analítica. Existe gente que realmente…

Academia · economia

Economia em um dos departamentos mais interessantes do mundo

O departamento de economia da George Mason University é descrito de forma não-usual por Arnold Kling. Há algo simpático em sua visão (eu compartilho de muito do que vejo e leio do pessoal de lá), mas não entendo a birra de Arnold com a matemática. Hey, Arnold, deixa de ser implicante.

Por outro lado, os economistas da GMU ainda não me parecem bem em rankings de produtividade acadêmica. Pode não ser uma crítica, mas é um sinal de que talvez o maravilhoso mundo da Masonomics ainda necessite de muitos ajustes. De qualquer forma, vale a pena ler o artigo e pensar em um futuro doutorado ou pós-doutorado lá.

falhas de governo · liberdade

Como a obesidade do governo pode aumentar por conta de…

…diagnósticos feitos pelo próprio governo. Um dia é o terrorismo. No outro, a falta de segurança. Em um terceiro dia, a obesidade de alguém.

O desafio que as pessoas não desejam enfrentar – porque é um bem público – é: quem defenderá suas liberdades? Não me venha com esta de trocar segurança por liberdade. Não existe um único brasileiro, pobre ou rico, que prefira viver no calabouço, comendo capim só porque está mais seguro. Este trade-off só existe no discurso de quem deseja destruir suas liberdades.

bolivarianismo econômico · filosofia · Hegel · Humor · lição de vida · pterodoxia

Inteligência nanica

Trecho do (sensacional) texto:

Segundo artigo publicado recentemente nesta Folha o estado brasileiro é nanico, o que me trouxe uma revelação inesperada: “nanico”, seguindo as regras do duplipensar orwelliano, deve ser exatamente o contrário do que nos informam os dicionários (pequeno, acanhado), resolvendo o mistério milenar que cercava tão saboroso fruto.

No artigo o autor apresentou um trabalho empírico sólido para caracterizar a pequenez do Estado nacional: enquanto a Bélgica e a Holanda apresentam respectivamente 310 e 227 fiscais de impostos por 1.000 km2, o Brasil tem apenas 0,9. Por este raciocínio, o país deveria ter entre 1,9 e 2,6 milhões de fiscais de impostos, alguns dos quais responsáveis pelas áreas densamente povoadas da Reserva Raposa do Sol, garantindo que se respeite o sagrado direito dos ianomâmis pagarem impostos (mesmo porque os fiscais terão que ser pagos, não?).

Trata-se de uma revolução analítica: ao invés de normalizarmos as variáveis macroeconômicas (gasto, tributação, investimento) pelo PIB, passaremos agora a fazê-lo pela área. Graças a isto o Brasil, em vez de simplesmente ganhar o grau de investimento, passará direto à categoria AAA (mínimo risco) quando a dívida pública for medida com relação à extensão territorial.

Como se vê, a pterodoxia manipula dados e métricas igualzinho ao que criticavam nas – supostas (como gostam os jornalistas) – práticas dos governo militares. Alexandre tem razão: é triste. O mais incrível, para mim, é que jornalistas não percebam (ou fechem os olhos) para estas coisas quando fazem suas matérias. Falam muito mal de economistas – um dia li um que fazia beicinho porque “os economistas gostam de mandá-los ler livros ao invés de ensiná-los tudo de graça”.

Para gente assim, uma história do meu falecido professor de Hegel, o Baesse. Contava ele que estava no doutorado em Campinas quando, numa turma de doutorandos multidisciplinar, foram a um bar no qual um sujeito tocava piano.

Para azar dele, o sujeito era conhecido da doutoranda de Música (ou algo assim). Ao final da música, convidaram-no para a mesa. Foram-lhe apresentando um a um: “este aqui é fulano, doutorando em Física”, “este é beltrano, doutorando em Matemática”….até que chegaram no Baesse: “este é o Baesse, doutorando em Filosofia”.

Contava-nos o professor que os olhos do pianista brilharam. “Ah, filosofia? Que barato. Eu também curto filosofia. Adoro Lobsam Rampa (não tenho coragem de colocar um link para isto…). E você? Curte que filósofo?”

Baesse diz que se enfureceu, mas, educadamente, segurou e disse: “eu estudo Hegel”.

Mas as coisas ficaram piores. O sujeito soltou mais uma: “Hegel? Que legal? Qual é a do Hegel?”

Baesse, sem se aguentar, respondeu: “Meu amigo, estou aqui há cinco anos tentando entender o que Hegel disse. Não dá para explicar assim”.

O pianista, tal como o jornalista que fez beicinho porque o economista não lhe explicara o não-trivial de forma macacal, disse, em tom desafiador: “Se você for mesmo um bom filósofo, você me explica Hegel em 15 minutos!!!”

Aí veio a resposta de Baesse: “Façamos um trato. Eu lhe ensino Hegel em 15 minutos se você me ensinar tocar Bach no piano em 15 minutos!”

Conversa encerrada e o pianista não tocou mais no assunto. A moral da história é óbvia demais ou quer que faça um desenho? Isto me lembra algo importante: não é questão de se fazer uma pergunta absurda de forma educada (“por favor, senhorita transeunte, posso lhe estuprar?”). A questão é que tem perguntas que não se deve fazer e ponto final. O mesmo vale para observações idiotas.

economia da alocação de órgãos para transplantes · Freakonomics

Mercados ilegais

A court in the northeastern Chinese city Shenyang has given permission to local authorities to arrest a Japanese man in connection with illegal organ transplants, a Chinese Foreign Ministry spokesman said Tuesday.Liu Jianchao did not say at a regular news conference whether Hiroyuki Nagase, president of the CITIC Information Service Co., has already been arrested.

Eis a notícia inteira.