bolivarianismo · brasil · cinema · Cultura · socialismo

Por que quero ver Tropa de Elite?

Por causa deste excelente comentário. Destaco:

…o filme em si tem tolerância zero com a tal ambiguidade.

O que é é e o que não é nào é. Traficante é bandido. Quem faz negócio com traficante é bandido. Policial é bandido. O BOPE luta para flutuar acima da lama que virou a polícia, mas ainda assim não são nada mais que um bando de bandidos. A elite exerce a a sua culpa social e não consegue nada além de arder cada vez mais no inferno das boas intenções. É uma pedrada na vitrine da hipocrisia que se tornou o Brasil.

Se tem tolerância zero com a macunaímica posição do “não sei, tudo é relativo”, eu já gostei antes de ver. Realmente me parece um filme interessante. Numa época em que um presidente sofre impeachment por conta de um Fiat Elba e outro se mantém mesmo com um mensalão. Numa época em que assassinos são alçados à categoria de heróis por um governo que jurou fazer o oposto sob o beneplácito silêncio de líderes religiosos, talvez, sim, este filme seja uma boa chance de nos lembrar do grande problema que os socialistas bolivarianos querem que esqueçamos: no final do dia, a responsabilidade individual pertence apenas…ao indivíduo.

bolivarianismo · ciência política · escolha pública · socialismo real · Venezuela

A importância da privacidade

Tem gente inocente que me diz: “não tenho o que esconder. Pode vasculhar minha vida”. O problema é que a importância da privacidade não está na (im)possibilidade de alguém descobrir algum escorregão seu, mas sim no poder absoluto que se delega a alguém para te vigiar sem qualquer escrúpulo.

O que o ditador socialista Chávez fez – e que agora é até usado como base de dados em artigo – não tem perdão. Tornar pública a lista de milhares de opositores e usar isto como meio de coerção é um pouco mais leve do que mandar um sujeito para o paredão? Nem tanto.

Cultura · economia · psicologia

Cultura importa? Vejamos a vida sexual dos universitários

Sexual survey: a cross-cultural perspective
Fernando Luiz Cardoso

ABSTRACT

This is a comparative cross-cultural investigation and an analysis of the sexual life of presumably middle class college students of four countries: Israel, Colombia, Canada and Brazil. Post graduation-level students of the Institute for Advanced Studies in Human Sexuality (IASHS) in San Francisco collected the data as a PhD requirement. The data analysis revealed that, even though members of various sample groups speak different languages and belong to distinct cultures, they exhibit some similar aspects in their sexual life. Additionally, comparisons were made with the data of the NHSLS Report (USA) in a few selected topics and, again, more similarities were found among the international university students.

Key words: cross-cultural; sexuality; social class; sexual history.

RESUMO

Esta é uma investigação transcultural e uma análise da vida sexual de estudantes universitários provavelmente oriundos da classe média de quatro países: Israel, Colômbia, Canadá e Brasil. Estudantes de pós-graduação do Instituto de Estudos Avançados em Sexualidade Humana (IASHS) em São Francisco coletaram os dados como um dos requisitos do programa de doutorado. A análise dos dados revelou que, apesar dos indivíduos da amostra falarem diferentes línguas e pertencerem a distintas culturas, eles exibem alguns aspectos similares em sua vida sexual. Além disso, comparações foram feitas com os dados do Relatório NHSLS (USA) em alguns tópicos e, novamente, mais similaridades foram encontradas em relação aos estudantes universitários internacionais.

Palavras-chave: transculturalidade; sexualidade; classe social; histórico sexual.

Eis o texto todo.

Econometria · elasticidade

-0.515…

…é a elasticidade que relaciona o número de veículos por habitante ao número de óbitos por acidentes de trânsito. Ou seja, um aumento de 1% no número de veículos gera uma queda de 0.515% no número de óbitos. O que isto significa? Quais as implicações? Como fazer um trabalho como este? Meu caro, olha o link aí em cima.

Quem lê este blog não pode reclamar de uma coisa: nunca há falta de idéias para trabalhos de econometria.

brasil · economia · Economia do Crime

Lavando dinheiro em casa

Tito Belchior (UCB) tem novo artigo. E é sobre lavagem de dinheiro, um tema comum na boca do povo, mas pouco explorado na literatura acadêmica brasileira. Digo, na literatura econômica.

Este pessoal da UCB não é fácil não. Conheci os membros do departamento recentemente (inclusive o intrépido Adolfo Sachsida) e creio que ainda verei bons artigos saindo do celeiro de Brasília. Se fosse para aplicar Heckscher-Ohlin, bem, Brasília, políticos, lavagem de dinheiro… (piada para quem conhece o teorema). ^_^

Desenvolvimento econômico

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International Seminar on Development:

updating concepts, assessing practices

 

Local

: Auditório da Faculdade de Economia da Universidade Federal Fluminense – Rua Tiradentes, 17, Ingá, Niterói. Telefones: 2629-9735, 2629-9698.

Data: 5 de novembro de 2007

 

Countries with high levels of inequality and relatively low levels of economic development face the challenge of imagining a development model which is not only socially inclusive but also environmentally responsible.

 

In fact, available evidence points to a non harmonic relationship between economic growth, social development and responsible environmental practices. As far as the first relationship is concerned, part of the problem seems to derive from the inequality in the distribution of income and wealth, while another part stems from political economic factors that are detrimental to a plainly re-distributive public provision of goods and services. When it comes to the second relationship, between growth and the environment, a number of tensions emerge mainly due to environmental practices often strained by the demands of growth and, ultimately, increasing consumption patterns.

 

These facts raise questions related to the conceptualization of development. Can we think of a concept of development which incorporates in its very core and not only as a peripheral and derivative theme, the social and the environmental dimensions? Can we think of a concept of development in which quality of life as assessed and reported by individuals themselves is expressed, both objectively and subjectively? And as far as the specific context of developing countries is concerned, what is the appropriate notion of development in the context of less developed economies facing a high level of integration in an increasingly asymmetric and unregulated global economy? Questions of agency are also important: who should be the agents of a re-conceptualized development? Last but not least, questions of operationalization of new concepts are paramount: how to assess development and then promote it?

 

The purpose of the seminar is to stimulate reflection on these problems, benefiting from the expertise and insights of invited Brazilian and international scholars.

 

Preliminary program

9:00h – Opening session

9:30 – 12:45

Peter Evans (University of California, Berkeley):

“The capability approach as an orientation for development”

Alessandro Vercelli (University of Siena):

“Happiness, health and sustainable development”

Antonio de Barros Castro (UFRJ-BNDES):

“Development and the state”

Lunch break: 12:45 – 14:00

14:00 – 17:00

Lionello Punzo (University of Siena):

TBA

Leonardo Burlamaqui (Ford Foundation)

:

“Development and financial regulation”

Gary Dymski (University of California, Sacramento)

:

“Development as social inclusion”

Organizing committee:

Coordinator

: Celia Lessa Kerstenetzky (coordinator of the Inequality and Development Center) – email: celiakersten@gmail.com

Vice- coordinators

: Carmem Feijó – email: cfeijo@terra.com.br, and Claude Cohen (vicecoordinator of the Inequality and Development Center) – email: claudecohen@economia.uff.br

Secretary:

Bianca Imbiriba (Ph.D. Student) – email: biancaimbiriba@gmail.com ; Carolina Cavalcante (Ph.D student) – email: cmcavalcante@gmail.com, Paula Nabuco (graduate student) – email: pnabuco@bol.com.br

We are very grateful to CAPES/MEC, PROPP/UFF, FAPERJ and MINDS for financial support.

blogosfera · bolivarianismo · brasil · liberdade · socialismo

Quer viver em uma democracia?

No século XXI existe um único inimigo do seu direito de escolher que roupa vestir, onde morar ou quantos filhos ter: o socialismo. Infelizmente, para os sinceros utópicos, este é um fato. Sua roupagem atual tem duas tonalidades: a norte-coreano/cubana e a sino-bolivariana. Tal como em padrões monetários, o mau socialismo expulsa o bom socialismo, embora ambos sejam inferiores ao não-socialismo.

Assim, prevejo que o mau socialismo (Kim Jong Il e Fidel Castro) desaparecerá em breve. Contudo, as elites (sim, leitor, se você leu os livros escritos no cárcere por….Milovan Djilas, sabe do que falo) que governam estes países reagirão para não perderem seus privilégios, duramente conquistados sob um manto de discurso “social” ou “socialmente responsável” ou qualquer outro adjetivo que se queira dar a isto e adotarão a prática marginalista.

Como assim? Basta ver o que fazem todos os governos de centro-esquerda da América Latina. Note que, em respeito à esquerda anaeróbica, que vê Opus Dei e fascistas até entre militantes do PSDB, classifico o governo venezuelano e o brasileiro como de “centro”-esquerda: aos poucos aumentam o poder regulatório do Estado para além do ponto ótimo em termos das liberdades civis e econômicas, minando a importância da propriedade privada.

É um movimento menos brusco e mais, digamos, anestésico, do que a escravidão colonial. Naquela época, você simplesmente dizia ao negro que seu corpo não lhe pertencia e que você tinha os direitos de propriedade sobre ele (lembre-se como eram contabilizados os escravos pelos portugueses: em número de “peças” ou “cabeças”). Ao invés de fazer isto, você, primeiro, avança um discurso “social” e cria alguma indignação (além de doutrinar as crianças de forma lenta e gradual). Depois passa uma lei restritiva. Algo como tentar censurar a blogosfera (opa, quem tentou fazer isto recentmente?). Claro, sempre que alguém reclama, você lança centenas de textos falando da conspiração da Opus Dei e da Tropa de Choque com as bençãos da grande mídia que deseja expulsar o príncipe operário do poder.

Quer viver em uma democracia? Lembre-se do famoso adágio norte-americano: o preço da liberdade é a eterna vigilância.

Academia · economia da economia

A Economia Política da Pós-Graduação

Leitores deste blog acompanharam meu diálogo com Adolfo Sachsida – assim o conheci – em um dos tópicos que mais acho interessante: o estudo dos incentivos na academia. Bem, para minha surpresa – e para a alegria do Adolfo – ele tem uma boa notícia.

Eu já dei dicas sobre esta área de pesquisa aqui. Chamo-a sempre de economia da economia (ou economia dos economistas). De qualquer forma, é bom ver que os burocratas da CAPES souberam revisar o seu ranking de forma a torná-lo menos imperfeito.

UPDATE: Parece que o novo ranking vai gerar briga. Acabo de ver o arquivo (veja o link no blog do Erik, o Moral Hazard). Estou curiosíssimo para ver a reação do pessoal da EPGE/FGV.