engenharia social · liberalismo clássico · libertarianismo

Quer combater a desigualdade de renda?

Então, tome cuidado.

This study examines the extent to which changes in household formation exacerbated income
inequality in the United States during the last two generations. Using a time-varying
parameter model, the impact on how marriage decisions, changes in human capital, and
fertility choices influence inequality are estimated. The estimation results show that marital
sorting evolves over time and positively and increasingly affects the degree of income
inequality and intergenerational human capital transmission induces path-dependent income
distribution dynamics. This suggests that intrahousehold choices explain a substantial
proportion of income distribution dynamics.

Ao fazer uma leitura rápida, você percebe: muito da desigualdade citada vem das próprias decisões dos casais. Assim, os que gostam radicalmente de engenharia social diriam que deveríamos elaborar políticas públicas intrusivas nas decisões dos casais norte-americanos para, dados os resultados acima resumidos, acelerarmos a dinâmica virtuosa da igualdade de renda.

Os economistas que não compartilham desta – pretenciosa e simplista visão – pensam diferente. Nestes casos, a abordagem é sempre no sentido de buscar entender o que ocorre de forma muito mais precisa antes de, sequer, imaginar em alterar  um único incentivo.

Cá entre nós – e aí vai meu toque pessoal em Economia – prefiro deixar que as pessoas errem e acertem por conta própria. São poucos os casos em que, realmente, é necessário uma decisão mais rápida e rígida sobre algum aspecto da vida das pessoas, em termos de políticas públicas. Ao contrário do adolescente marxista (“é preciso transformar o mundo, não apenas entendê-lo”), creio que é necessário ter muita serenidade e respeito pela escolha alheia antes de propor alguma mudança. Afinal, você está invadindo a esfera decisória alheia! Não é trivial aceitar isto – somos todos muito ansiosos, ainda mais em selvas como o Brasil, cheias de probleminhas – mas é preciso fazer um esforço.

Um dia eu elaboro melhor minha visão do que seja e do que não seja “engenharia social”. Mas eu devo dizer que ela bebeu muito na fonte de autores como Friedrich Hayek, James Buchanan, Virginia Postrel, David Thoreau, David Friedman, Milton Friedman e, quem sabe, Groucho Marx…

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Economia do futebol

Artigos que acho sem querer:

Título: O fim do passe e seu impacto sobre o desequilíbrio competitivo entre as equipes de futebol
Autor: Fábio Augusto Pera de Souza e Claudio Felisoni de Angelo

Bacana, não? Já o havia citado aqui, neste blog, em sua dissertação de mestrado (refiro-me ao Fábio). Como se percebe, o estudo econômico dos esportes só progride no Brasil…

off-topic

O que você vai fazer no feriado?

Eu tenho uma sugestão para você. Vá assistir, no sábado (13/10) um bom Anime num lugar bacana, com pessoas legais e com boas opções de refeição. Clique na imagem acima e se informe. Pessoalmente, claro, recomendo.

Sim, o mercado também vive de divulgar cultura. Se você ficar em Belo Horizonte, fica o convite.

Cultura · instituições · tostines

Economia Novo-Institucional do meu xará

Uma cultura desenvolvida é resultado de instituições sólidas ou instituições sólidas são resultado de uma cultura desenvolvida.

Na verdade nem se trata de dilema algum.

É claro que culturas desenvolvidas geram instituições sólidas.

E culturas atrasadas geram as aberrações que vemos diariamente nas páginas dos nossos jornais. A única semelhança que nossas instituições, em todos os níveis, guardam com as dos países dsenvolvidos é no nome.

Xará em bom momento.

economia · instituições · nova economia institucional

Instituições e Crescimento

O último número do The World Bank Research Observer está muito bom. Por exemplo, o famoso Dixit abre o último número:

This article offers a provocative critique of the ability of research on the impact of institutions on growth to offer immediate and practical recommendations for reforming and redesigning institutions in developing countries and transition economies. The literature traces the sources of growth to unalterable historical and geographic features. It contains equally plausible recommendations for opposite courses of action. It is sometimes driven by fads or recommends imitation of the latest success story. Some recommendations are too vague or too general to constitute practical advice. The article suggests a Bayesian diagnostic procedure to identify the causes of economic failure in an individual country as a first step toward remedying the failure.

A resposta vem em seguida, pelas mãos de Philip Keefer.

bolivarianismo · totalitarismo

Totalitarismo de estrela rosa e amarela..há diferença?

Quantas vezes já ouvi dos amantes do totalitarismo tipo-S (socialistas) que eles eram absolutamente diferentes dos amantes do totalitarismo tipo-NF (nazi-fascista) porque os últimos se dedicaram a exterminar os judeus? Bem, um monte de vezes. E isto a despeito do livro de Alain Besançon, A Infelicidade do Século, no qual o autor faz a pergunta óbvia: por que os crimes dos tipo-S são menos condenados do que os do tipo-NF?

Pode ter a ver com a aliança de final de guerra entre os aliados e a ditadura marxista, a URSS, sem dúvida. Algo como: “quem brincou com Ribbentrop também pode brincar conosco”. Contudo, segundo Allen (2002), os nossos amigos nazistas, nos idos de 1937-8, isto é, antes da guerra, quando o negócio era exterminar a oposição, encheram os campos de concentração (você sabia que este tipo de campo é uma invenção soviética na qual Hitler se inspirou?) de não-judeus. Qual a diferença disto para o socialismo real da era soviética (e norte-coreana ou cubana atuais)? Nenhuma.

A não ser, claro, que você acredite que basta subir em uma motocicleta e sair por aí com uma arma nas cintura para legitimar um governo totalitário e não outro.

Ah sim, o livro é o The Business of Genocide – the SS, slave labor, and the concentration camps, de Michael T. Allen, Chapel Hill, 2002.

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Liberdade

Sachsida tem uma boa pergunta: por que estudar Marx? Embora seja interessante pensar no aspecto econômico disto, note que sua (a dele) resposta é bem simples: ninguém realmente estuda Marx. O que ocorre é que quase todo mundo louva Marx. Os mesmos que acusam os economistas de “positivistas que fazem uma distinção fictícia entre positivo e normativo” são também os que fogem dos fatos sobre o desastre sócio-econômico causado em nome das idéias de Marx que abalou o século XX. Nestas horas, para eles, positivo é positivo e normativo é normativo. Muita cara-de-pau, claro.

Dito isto, um complemento interessante à esta leitura é este pequeno post do David Friedman. Um dia eu escrevo um ensaio sobre minarquistas, anarco-capitalistas, libertários e liberais clássicos. Fiz algo assim, uma vez, de forma muito simples, em um texto pro Millenium.