demografia · Economia do Conflito · guerra

A demografia da guerra

Será que Levitt também compraria esta idéia?

“LOOK AT IT THIS WAY,” Gunnar Heinsohn said. “Your family is in a shooting war with a family across the street. Your forces consist of a father, mother and one child, perhaps two. The other family has a father, mother and seven children, perhaps eight or nine. For your family, the loss of one person would be devastating. The larger family can take casualties and continue fighting.”

We were in London, having coffee before a Jane’s Cityforum conference on “Defense to 2020 and Beyond.” As we talked, generals, staffers, and defense contractors maneuvered among the pastry tables. Heinsohn is director of the Raphael-Lemkin Institute at the University of Bremen and author of Sons and World Power: Terror in the Rise and Fall of Nations, an academic best-seller in Germany. Later in the day he would be lecturing professional soldiers on the “demographic dimension” of future warfare.

“My point,” Heinsohn continued, “is that the strength of a nation’s military is affected by the size of a nation’s families. Falling birth rates in Western countries mean that even light casualties in Iraq and Afghanistan bring cries of pain in Europe and America. But Iraq and Afghanistan are growing rapidly. Their populations are swollen by youth bulges. Their average family has five or six children. They are in what I call ‘extreme demographic armament.'”

Neste caso, o aborto seria uma forma de desarmamento? Provavelmente não. Lembre-se que o argumento de Levitt sobre a relação entre aborto e criminalidade tem a ver com o não-nascimento de crianças indesejadas. A tese de Heinsohn faz lembrar muito o argumento do próprio Hitler de que a função social das mulheres era ser mães de vários filhos, esta coisa meio “espartana” de que “mais homens é igual a maior exército”.

O que Heinsohn diz não entra, pelo menos nesta entrevista, no mérito de se diferentes métodos de concepção (no sentido de sexo consensual ou não) são diferentes em seus efeitos sobre o tamanho do potencial de soldados de um país. Pode ser que não faça diferença e que estupros em massa como os promovidos pelos militares sérvios, vergonhosamente, na desintegração da Iugoslávia, gerem, realmente, um bando de soldados violentos e prontos para o combate. Mas pode ser que ocorra o contrário. Pode ser que estes filhos “párias” sejam mais propensos ao crime.

Eis aí um tópico interessante para se pensar: a alocação de um talento de um indivíduo entre combate e produção é decisão pessoal. Mas isto independe, de certa forma, de quantos destes indivíduos nascem. Logo, porque é que o simples nascimento de filhos geraria um exército maior? Faltou um pouco de microfundamento nesta análise. Ou, claro, o argumento de Heinsohn é bem mais detalhado no livro e a reportagem não foi profunda o suficiente para expor sua tese em detalhes.

Sim, fiquei curioso. Acho que vou ter que comprar este livro. Talvez eu comece lendo isto ou (se meu alemão ainda for minimamente útil) isto.

Ah sim, uma observação que não tem a ver com guerra mas talvez com demografia é esta. Na verdade, achei que não valia a pena fazer outro post só para uma linha sobre Acemoglu. ^_^

Um comentário em “A demografia da guerra

  1. Caro Shikida,
    Acho que o autor também levanta outra questão importante. O custo político da guerra aumenta com a diminuição do tamanho médio das famílias. A perda de um filho em conflito é muito maior caso este seja filho único (ou um de dois) que caso este seja apenas um entre dez (filhos). O problema não é de reposição (o exército americano, afinal de contas, é bastante grande), mas de oposição política ao conflito. Com famílias menores, basta alguns soldados morrerem no front para que tenhamos grandes demonstrações antiguerra a marchar por Washington (no caso americano). Com famílias maiores, estas baixas poderiam ser muito maiores.
    Um abraço,
    Claudio Burian

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