brasil · economia · escolha pública · teoria econômica do direito

Dois pesos, duas medidas e um pouco de reflexão sobre o óbvio

O governo não acha correto que incentivos jurídicos salvadores de parlamentares sejam usados para outros cidadãos da República? É o que se percebe da leitura disto. Ignore o linguajar técnico e faça a leitura abstrata. O que se diz é que o governo deseja – imensamente – ganhar e não deseja perder.

Na verdade, “governo” é um termo muito impreciso. Não há nada disto lá. Há burocratas, políticos de oposição ou situação, ministros, órgãos reguladores e juízes. Trata-se de um emanharado de agentes em diversos jogos que, como disse o Jorge Vianna Monteiro em sua última carta quinzenal (gratuita), podem estar envolvidos até na endogeneização das regras do jogo.

Leitores não-economistas costumam ignorar isto e pensam que economistas falam do óbvio. Mas nada há de óbvio em entender as relações sociais e os processos decisórios. Muitas vezes as pessoas se contentam com obviedades que ouvem na TV ou no bar. Senso comum nem sempre é sinônimo de sabedoria: é necessário um filtro teórico para se distinguir o que é joio do que é trigo ou, em nosso caso, o que é boa e o que é má economia.

Leia o artigo todo e reflita sobre a seguinte questão: “o governo existe para nos proteger de ameaças externas ou para extrair renda de nossos bolsos”? A dica de leitura é esta.

Humor

Previsão: intensas trocas a partir do dia 13 (se o mercado for livre)

A se realizarem as previsões dos otimistas vendedores de roupas infantis, o dia 13 será um dia de intensas trocas de roupas ganhas por brinquedos, caso o mercado seja livre e os custos sejam negligíveis. Outra forma de pensar nisto é que muitos pais gastarão boa parte de seu tempo explicando ao menino porque um par de meias é melhor do que a o último lançamento em termos de carrinhos de controle remoto. ^_^

demografia · Economia do Conflito · guerra

A demografia da guerra

Será que Levitt também compraria esta idéia?

“LOOK AT IT THIS WAY,” Gunnar Heinsohn said. “Your family is in a shooting war with a family across the street. Your forces consist of a father, mother and one child, perhaps two. The other family has a father, mother and seven children, perhaps eight or nine. For your family, the loss of one person would be devastating. The larger family can take casualties and continue fighting.”

We were in London, having coffee before a Jane’s Cityforum conference on “Defense to 2020 and Beyond.” As we talked, generals, staffers, and defense contractors maneuvered among the pastry tables. Heinsohn is director of the Raphael-Lemkin Institute at the University of Bremen and author of Sons and World Power: Terror in the Rise and Fall of Nations, an academic best-seller in Germany. Later in the day he would be lecturing professional soldiers on the “demographic dimension” of future warfare.

“My point,” Heinsohn continued, “is that the strength of a nation’s military is affected by the size of a nation’s families. Falling birth rates in Western countries mean that even light casualties in Iraq and Afghanistan bring cries of pain in Europe and America. But Iraq and Afghanistan are growing rapidly. Their populations are swollen by youth bulges. Their average family has five or six children. They are in what I call ‘extreme demographic armament.'”

Neste caso, o aborto seria uma forma de desarmamento? Provavelmente não. Lembre-se que o argumento de Levitt sobre a relação entre aborto e criminalidade tem a ver com o não-nascimento de crianças indesejadas. A tese de Heinsohn faz lembrar muito o argumento do próprio Hitler de que a função social das mulheres era ser mães de vários filhos, esta coisa meio “espartana” de que “mais homens é igual a maior exército”.

O que Heinsohn diz não entra, pelo menos nesta entrevista, no mérito de se diferentes métodos de concepção (no sentido de sexo consensual ou não) são diferentes em seus efeitos sobre o tamanho do potencial de soldados de um país. Pode ser que não faça diferença e que estupros em massa como os promovidos pelos militares sérvios, vergonhosamente, na desintegração da Iugoslávia, gerem, realmente, um bando de soldados violentos e prontos para o combate. Mas pode ser que ocorra o contrário. Pode ser que estes filhos “párias” sejam mais propensos ao crime.

Eis aí um tópico interessante para se pensar: a alocação de um talento de um indivíduo entre combate e produção é decisão pessoal. Mas isto independe, de certa forma, de quantos destes indivíduos nascem. Logo, porque é que o simples nascimento de filhos geraria um exército maior? Faltou um pouco de microfundamento nesta análise. Ou, claro, o argumento de Heinsohn é bem mais detalhado no livro e a reportagem não foi profunda o suficiente para expor sua tese em detalhes.

Sim, fiquei curioso. Acho que vou ter que comprar este livro. Talvez eu comece lendo isto ou (se meu alemão ainda for minimamente útil) isto.

Ah sim, uma observação que não tem a ver com guerra mas talvez com demografia é esta. Na verdade, achei que não valia a pena fazer outro post só para uma linha sobre Acemoglu. ^_^

Humor

Como diminuir a desigualdade social? Quotas, claro.

Diz a BBC:

Blatter made his comments in response to an NOP poll of football fans for BBC1’s Football Focus.

He wants clubs to be limited to five foreigners in their starting XI to allow homegrown talent to flourish.

Premier League spokesman Dan Johnson told Focus: “It’s just not legal – under EU law we couldn’t do it.”

Interview: Fifa president Sepp Blatter

However, Blatter says football needs to act and says a reduction “is a good solution”.

The 71-year-old Swiss argues that football deserves special treatment because it is not like any other job.

O pessoal que acha que quota é solução para tudo vai adorar isto. O que? Não vai? Só porque os brasileiros perdem nesta história? Ei, onde está sua solidariedade com os irmãos europeus? Deixa de ser egoísta, cara…

Humor · off-topic

Combinações convexas resolvem tudo, né?

Paulo Roberto Almeida diz:

John Maurice Clark is widely quoted as saying (or having written):
“An irrational passion for dispassionate rationality will take the joy out of life.”
The quote is often abbreviated, with the “will take the joy out of life” being left off and with the first part said to define an economist.

(From Richard McKenzie, message in Economic History Net, October 8, 2007)

That’s why I always try a convex combination between the irrational passion and the dispassionate rationality. (This amazing phrase is from….me, just kidding with Paulo ^_^).

contratualismo · falhas de governo · governo

Concordo com Eli Dourado

Reproduzo na íntegra.

On my post on antitrust regulation, commenter Ed Darrell argues:

There is [sic] no “violent” methods to force people into Social Security. It’s a tax, one we consent to when we buy into the social contract that forms the basis for our Constitution…

I suppose I can’t speak for anyone else, but I pay taxes because the government has big guns and will come after me if I don’t pay them. I have never consented to any social contract; the government does not seem to have gotten the memo.

Contractarianism is not just bad philosophy. It is a lie—an ignoble lie—perpetuated by the government in an attempt to establish moral legitimacy, to equate legal obligations with moral ones.

I am not (at present) arguing that there is no philosophical justification for government. Any such justification, however, must come to terms with the fact that government is inherently violent.

Eu não teria dito melhor.

economia · falhas de governo · nova economia institucional · rent-seeking

Como dizer “rent-seeking” em japonês? 天下り

Amakudari é como se lê os caracteres do título. Literalmente: “caiu do céu”. Eu não sou linguista ou antropólogo, mas é engraçado ver que, no Japão, “cair do céu” tem uma conotação ruim enquanto que, no Brasil, “cair do céu” é algo bacana.

Outra coisa interessante é perceber que não é só aqui que os burocratas e militantes adoram “cair do céu” no setor privado, com suas incestuosas ligações políticas. No Japão ocorre o mesmo e, para os que adoram o argumento da “cultura”, eu pergunto: em que parte de nossa herança latina está a explicação para esta prática em ambos os países? Ok, vocês têm 5 minutos de vantagem. ^_^