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Ensino de Economia

Erik está preocupado com isto. Para mim, é óbvio: se o aluno chega até a primeira cadeira de Microeconomia sem saber o que é uma função quase-côncava ou uma forma quadrática, seu futuro está seriamente comprometido. Nada que não possa ser revertido, mas a um custo muito alto.

Minha experiência me diz que o corporativismo de professores de matemática (já vivi isto em outra universidade) pode destruir um curso de Economia (principalmente quando há pterodoxos no comando do curso, sempre receosos de qualquer conta que vá além das “calculadores de açougueiro”).

Isto sem falar na teimosia de alguns em não adotar livros condizentes com o curso em que lecionam. Basicamente, um curso de matemática para economia não pode prescindir de livros como os de Simon & Blume ou a quarta edição do Chiang. Isto para não falar que, sem uma cadeira sobre equações diferenciais, o aluno pode até se formar em economia, mas será um eunuco.

E o único que gosta de eunuco é aquele que não o é.

5 comentários em “Ensino de Economia

  1. Comentário que deixei no blog do Erik.

    Meu caro, eu vou tentar fazer uma segunda graduação. Adoro economia, mas decidi fazer sistemas de informação. Por quê? Porque olhei o programa do curso de economia da UFSC e desanimei. Sobra economia marxista, ciência política, introdução disso, introdução daquilo, e pouca micro e macro. Econometria, então, nem se fala. Não quero passar cinco anos ouvindo tentativa de doutrinação ideológica. E boa parte dos cursos de economia é assim mesmo.
    abs

  2. Quando decidi fazer meu mestrado em economia política internacional no Japão, comentei com uma professora de economia da FACE/UFMG ligada a movimentos sociais o que ela achava. Ela torceu a cara, dizendo que lá eu iria fazer um curso “neo-liberal, com ideologia dependente dos Estados Unidos”.

    Outro professor ficou preocupado por ser um curso de economia política dizendo que aqui no Brasil é sinônimo de economia trotskista. Olhou o programa e me deu um ok.

    Curso de economia sem econometria e matemática não dá!

  3. Cláudio,
    O que você falou é a mais pura verdade. Mas realizar uma reforma é muito difícil quando se tem um corpo docente composto por 60% de historiadores, filósofos, sociologos, PTherodoxos e assim vai…Acredito que esta seja a realidade de grande maioria dos cursos no Brasil (vide o que o PH escreveu).

    Sempre que me perguntam quais os cursos de graduação que conseguem formar os alunos, tanto para o mercado de trabalho, quanto para a academia, eu cito o IBMEC/RJ e SP. Como é em MG? Pois bem, sei que existem outros bons cursos de graduação, mas são raros (poderia citar também a PUC/Rj e a FGV/Rj).

    Estou numa empreitada difícil, mas vou falar tudo o que penso. O bom é saber que existem pessoas que pensam como eu.

    Abraços,

  4. Erik,

    gente como você vale muito porque é escassa. Sem falsa modéstia, eu sei. Mas é só ver. Tem que ser muito desonesto, intelectualmente, para negar estas palhaçadas que pterodoxos (alguns dos quais, como você brilhantemente disse, PTherodoxos) fazem.

    Já passou da hora de alguém escrever um livro contando o outro lado da ANPEC. O lado em que as decisões são feitas de forma nem sempre bonitas, como parece aos inocentes ingressantes dos mestrados…

  5. Caros,

    Se estamos falando em graduação concordo com os senhores, mas no caso de uma pós stricto-sensu deixemos claro que não estamos mais tratando de aludos facilmente influenciáveis, pré-adolescentes.

    Eu, como graduando em Economia da PUC-SP, tenho plena noção que minha universidade acentua matérias políticas, mas acredito que podemos focar nossa formação na área de interesse.

    Toda universidade tem o direito de focar seu curso em alguma corrente, de Mainstream ou não, o que não pode ocorrer é pesar a qualidade da disciplina em função do foco. A universidade tem de dar condições ao aluno para se graduar com qualidade em qualquer corrente ideológica.

    Concordo com as univescidades citadas pelo Erick, mas será que não estamos distorcendo o economista? Não estamos transformando o economista em econometrista? Um técnico…. Dessa forma não estaríamos desmerecendo PUC-SP, UNIICAMP e outras?

    Os senhores acreditam que um curso com 3 cadeiras de euquações diferenciais e 1cadeira de análise da evolução do pensamento econômico formaria um Cientista Econômico?

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