brasil · Economia Brasileira

Não é bem assim

Primeiro, vamos a um trecho:

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, apresentou no IV Fórum de Economia da FGV uma coleção impressionante de dados favoráveis da economia brasileira e anunciou que o governo Lula está implantando um novo modelo social-desenvolvimentista no Brasil, com crescimento do PIB mais vigoroso e equilibrado, e com redução das desigualdades sociais e regionais.

O que é modelo “social-desenvolvimentista”? Trata-se de um mistério. Nenhum livro de crescimento econômico define isto. Talvez seja “social-desenvolvimentismo” atender demandas de empresários de “indústrias infantes”, “miseráveis” e “sem-terra”…aos custos de mais impostos mas, sejamos honestos, o ministro não definiu o que entende por mais este novo termo para os marketeiros políticos.

Fazendo um longo salto:

O que a experiência histórica dos casos de sucesso na aceleração e sustentação do crescimento de longo prazo mostra que o desafio maior que o ministro da Fazenda terá ainda que enfrentar é a de conciliar a tensão entre necessidade de uma taxa de câmbio competitiva e menos volátil com as restrições impostas pela livre mobilidade de capitais e excesso de liquidez global, num novo provável contexto de pressão inflacionária global. Isto exige ainda ajustes fiscais capazes de abrir espaços para ampliação do setor de tradables, com elevação da taxa de investimento e o convencimento de que os superávits nas transações correntes será permanente. A atual aceleração no crescimento é a principal moeda política que o ministro da Fazenda possui para fazer as mudanças. O empenho do governo em aprovar a CPMF e o anúncio de ampliação de gastos correntes caminham politicamente na direção oposta.

Então, o que o autor do artigo acima está dizendo é que um governo que se ajusta através de aumentos de impostos não segue um modelo “social-desenvolvimentista”? Sem ironias, isto me lembra muito o modelo “neoliberal” criticado em prosa e verso pelos “movimentos sociais”. Mas, novamente, sejamos justos, o autor do artigo não está discutindo o modelo neoliberal (seja lá o que isto signifique). Ele melhorou a qualidade da discussão ao falar do tipo de ajuste que gera maior crescimento econômico posterior, algo que a literatura já discutiu ad nauseam (mas que é, sim, relevante e útil rediscutir).

Neste sentido, eu já citei aqui, mas repito, este estudo é clássico no tema. Leia seu resumo para entender exatamente o que digo.

No final, eu fiquei mesmo é sem entender o neologismo “social-desenvolvimentista” do sr. Mantega. Parece-me muito mais um “nacional-desenvolvimentismo” abreviado. Este negócio de chamar tudo de “social” para ficar bem na fita é um truque antigo que só pega em gente que realmente ignora algumas obviedades não apenas do bom uso da língua portuguesa, mas também da economia. Claro, estou a falar dos desavisados, mas há sempre os mal-intencionados de plantão. Mas isto é tema para outra discussão.

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