irracionalidade racional

Caplan e a irracionalidade racional

Comentário interessante sobre a carreira de Caplan.

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blogosfera · Blogs de economia · redes · relações sociais

Por que tanta ignorância quanto ao seu blog?

Dani Rodrik recebe um interessante comentário sobre seu post acerca do valor de se “blogar”, da parte de um bem-sucedido professor de Economia (e blogueiro):

[w]hy my blog is popular is a great big puzzle. I don’t understand it, but I do work hard at it, harder than most I’d guess, and I can’t say it doesn’t cost me research. But ten people will read my papers, if I’m lucky. There’s no way I will ever have the impact publishing I will have blogging–not even close–so day to day it’s hard to know where to put my effort. For my personal gain, it’s research and forget about the blog, but I’m not sure that’s best in some bigger sense. Reporters will never call based upon one (or all) of my papers….

My Department won’t even mention my bog in our newsletter. I’ve had someone visit my office to tell me I should stop doing it because the Department won’t value it, and it may even undermine academic credibility having a blog, but I figure this is what tenure is for so I said I’m doing it anyway. But it does hurt my feelings (within the Department) to be so ignored. I only have two readers here–I think it’s funny that I have more people who read at Harvard, Berkeley, etc. than here, and maybe it says something about what mid-level departments value, but it’s hard having everyone figure I am just wasting my time when they have no idea what I do. So that part of doing this has been pretty hard. It has no value whatsoever to the Department, but obviously I wish it did.

Esta é uma discussão interessante. Esta história de “tenure” é uma das mais interessantes polêmicas em Economia. Agora, há um ponto interessante nisto tudo e está no final do texto acima. Qual o valor de um departamento no qual os próprios professores não percebem as possibilidades de ensino/informação que um blog oferece? Isto sem falar na pergunta original de Rodrik, sobre se blogs e pesquisas são substitutos ou não. Talvez o anônimo autor é que esteja correto: na falta de idéias, em um intervalo (que são potenciais momentos de inspiração), pode valer a pena blogar.

Outro ponto bacana é quando ele fala de de sua audiência externa. Em nosso caso, pelo menos um aluno de graduação da distante Bahia (veja nosso “About” na coluna ao lado) fez sua monografia graças, em parte, aos contatos iniciais com os blogueiros daqui. É interessante como também já demos muitas dicas para muita gente (sobre programas gratuitos de econometria e/ou matemática) e sempre somos mais lidos em outros locais do que os nossos, de origem. De certa forma, isto mostra que talvez os blogs permitam, muito mais, a construção de redes inter-institucionais do que intra-institucionais.

Há algo de natural nisto (já que onde você trabalha, todos te conhecem, em média) e há também aqui uma boa intuição: não é que a internet separa as pessoas, mas sim que ela une pessoas que não se conhecem sem ter qualquer impacto sobre os já conhecidos. Daí a impressão, que muita gente tem, de que a “internet torna as pessoas mais solitárias”. Quem diz isto, no fundo, está se ressentindo de ter que dividir a atenção do internauta com novos amigos. Engraçado, eu nunca havia pensado nisto antes…

brasil · Economia Brasileira

Não é bem assim

Primeiro, vamos a um trecho:

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, apresentou no IV Fórum de Economia da FGV uma coleção impressionante de dados favoráveis da economia brasileira e anunciou que o governo Lula está implantando um novo modelo social-desenvolvimentista no Brasil, com crescimento do PIB mais vigoroso e equilibrado, e com redução das desigualdades sociais e regionais.

O que é modelo “social-desenvolvimentista”? Trata-se de um mistério. Nenhum livro de crescimento econômico define isto. Talvez seja “social-desenvolvimentismo” atender demandas de empresários de “indústrias infantes”, “miseráveis” e “sem-terra”…aos custos de mais impostos mas, sejamos honestos, o ministro não definiu o que entende por mais este novo termo para os marketeiros políticos.

Fazendo um longo salto:

O que a experiência histórica dos casos de sucesso na aceleração e sustentação do crescimento de longo prazo mostra que o desafio maior que o ministro da Fazenda terá ainda que enfrentar é a de conciliar a tensão entre necessidade de uma taxa de câmbio competitiva e menos volátil com as restrições impostas pela livre mobilidade de capitais e excesso de liquidez global, num novo provável contexto de pressão inflacionária global. Isto exige ainda ajustes fiscais capazes de abrir espaços para ampliação do setor de tradables, com elevação da taxa de investimento e o convencimento de que os superávits nas transações correntes será permanente. A atual aceleração no crescimento é a principal moeda política que o ministro da Fazenda possui para fazer as mudanças. O empenho do governo em aprovar a CPMF e o anúncio de ampliação de gastos correntes caminham politicamente na direção oposta.

Então, o que o autor do artigo acima está dizendo é que um governo que se ajusta através de aumentos de impostos não segue um modelo “social-desenvolvimentista”? Sem ironias, isto me lembra muito o modelo “neoliberal” criticado em prosa e verso pelos “movimentos sociais”. Mas, novamente, sejamos justos, o autor do artigo não está discutindo o modelo neoliberal (seja lá o que isto signifique). Ele melhorou a qualidade da discussão ao falar do tipo de ajuste que gera maior crescimento econômico posterior, algo que a literatura já discutiu ad nauseam (mas que é, sim, relevante e útil rediscutir).

Neste sentido, eu já citei aqui, mas repito, este estudo é clássico no tema. Leia seu resumo para entender exatamente o que digo.

No final, eu fiquei mesmo é sem entender o neologismo “social-desenvolvimentista” do sr. Mantega. Parece-me muito mais um “nacional-desenvolvimentismo” abreviado. Este negócio de chamar tudo de “social” para ficar bem na fita é um truque antigo que só pega em gente que realmente ignora algumas obviedades não apenas do bom uso da língua portuguesa, mas também da economia. Claro, estou a falar dos desavisados, mas há sempre os mal-intencionados de plantão. Mas isto é tema para outra discussão.

Freakonomics · microeconomia

Música alta em restaurantes: por que?

Craig Newmark wonders why the music seems so loud in restaurants. Similarly, why does it seem so cold? Whey are the seats just a little uncomfortable? Why does the waiter or waitress keep coming back after I’m done eating?

A restaurant ties two goods together and then charges you one price. You pay for the food and they give you a free place to sit down and eat. (It makes you wonder where the D.O. J.’s Antitrust Division is since Microsoft.) The restaurant makes only so much money from each table of any given patrons, and relies on continuous turnover to make more money. So the goal of the restaurant is to make you just comfortable enough that you enjoy the restaurant but not enough to keep you hanging around. The fact that the seats are hard and their backs are too straight; the music gets too loud; and that it get chilly are ways to get you to give up your seat and allow another patron to sit and order food. It’s also why the waitress keeps coming back with something like, “I don’t mean to rush you, but is there anything else you would like?” Next time respond with, “Yes, some peace and quiet. We plan on hunkering down for the long haul.” She if the manager doesn’t come over next.

This, of course, is more prevalent with chains who rely far more on turnover, and less so in the fancier of restaurants where the cost is so great that you’re paying dearly for the table and the atmosphere.

Anybody once worked in a restaurant who would like to add to this?

Alguém tem outra sugestão? (original daqui)

distribuição de renda · leviatã

Duas excelentes observações sobre Economia

Primeiro, Duke of Hazard faz uma boa observação sobre a economia política brasileira:

O governo agora resolveu mandar para o Serasa os devedores de tributos federais. Da primeira vez que li que o governo pensava em fazer isto, li um comentário interessante, que dizia mais ou menos assim:

“Governo coloca no Serasa devedor de imposto? Ótimo. E a quem eu recorro quando o governo não presta os serviços que os meus impostos deveriam pagar? Para o Procon? E quando o governo demora quase um ano para pagar restituição de imposto, posso apelar para o mesmo Serasa?”

À parte a brincadeira espirituosa e com forte fundo de verdade, a medida não seria de todo ruim se o Serasa tivesse o tão discutido “cadastro positivo”: se o consumidor pudesse mostrar ao banco que não apenas tenho a ficha limpa no mercado de crédito, mas também junto ao governo, poderia barganhar um custo menor no financiamento de longo prazo. Da forma como está, sem o cadastro, é só um pavor a mais sobre o contribuinte.

O próximo é nosso convidado da semana passada, o Adolfo Sachsida, da UCB, que desmistifica a seguinte questão:

Uma das maiores críticas feitas ao capitalismo é que esse sistema concentra renda. Isto é, deixa uma grande parcela da riqueza nacional na mão de poucos. Os opositores do capitalismo sustentam que sistemas socialistas são muito mais justos, pois distribuem a renda de uma maneira mais equânime pela sociedade.

Ambos deveriam ser lidos com mais cuidado do que, usualmente, o internauta brasileiro lê: muito rapidinho. Não é porque o blog que a qualidade é a de um diário de adolescente miguxa, né?

Humor · off-topic

Bom humor é preciso, ensinar também, mas a demanda…

Quanto ao bom humor:

Periodicamente, a cada dois anos ou coisa assim, a Voltaire Society, uma sociedade de alunos de inclinação intelectual em Oxford, promovia um banquete com Bertrand Russell – o patrono oficial da sociedade. Na ocasião à qual me refiro, fomos todos a Londres e jantamos com Russell em um restaurante. Ele estava então na casa dos oitenta anos, e tinha a reputação de ser um ateu famoso. Para muitos de nós, a questão das opiniões de Russell sobre a imortalidade parecia premente, e perguntamos a ele: “Suponhamos que o senhor estivesse errado sobre a existência de Deus. Suponhamos que fosse tudo verdade, e que o senhor chegasse às portas do paraíso e encontrasse São Pedro. Tendo negado a existência de Deus durante toda a sua vida, o que o senhor diria a…Ele?” Russell respondeu sem hesitar um só instante: “Bem, eu iria até Ele e diria: ‘O Senhor não nos deu provas suficientes!”

(J. Searle, Mente, linguagem e sociedade, RJ, Rocco, 2000)

Quanto ao resto, bem, eu já disse lá em cima: a demanda não existe ou é próxima de zero. E é a mais pura verdade.

lei de gibrat

Gibrat

The goal of this work is to test the Gibrat’s Law (Gibrat (1931)) hypothesis for the Brazilian companies of industrial and services sectors. Gibrat’s Law can be described in the following words: ”‘the probability of a given proportionale change in size during a specified period is the same for all firms in a given industry – regardless of their size at the beginning of the period”’(Mansfield (1962),p.1031).

Você conhece a “lei de Gibrat”? Use o “google” para se certificar de que não deixou nenhum artigo importante de lado…

bolivarianismo · Humor · off-topic

Tem que ser muito macho para ter certeza disto?

During his speech today at Columbia University Iranian President Mahmoud Ahmadinejad claimed that there were no homosexuals in Iran. PJM’s B. Daniel Blatt (GayPatriot West) asks, “Can you imagine the outcry if some social conservative claimed there were no gays in various regions of the United States?”

Por isto é bom aprender Estatística na faculdade. Claro, o mais engraçado é a falta de reação da boa e velha ala dos “movimentos sociais”…