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Incentivos importam

Ouvi esta há pouco: “Alunos de um colégio tradicional (muito bom) fazem o vestibular do meio de ano e passam. Com isto, a faculdade privada lhe garante a vaga (nada de anormal nisto) e…o aluno sai do colégio no segundo semestre e terminam o ano em um colégio picareta”.

Do lado da faculdade, o incentivo é manter a prática pois, afinal, um sujeito que estudou X – 1/2 anos em um bom colégio é, ainda, melhor que um que estudou X – a (a > 1/2) no mesmo colégio. Por outro lado, qual o incentivo do colégio? Se a fuga ocorre em massa (suponha que o vestibular da faculdade é péssimo, ou seja, facílimo), o colégio tentará convencer os alunos de que a faculdade em questão não é uma boa escolha.

Existe outra solução mais interessante para o aluno, a faculdade e colégio?

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Educação e Instrução

O que leva um jovem de classe média a desempenhar o papel de espancador de faxineiras?  A resposta é: a falta de educação. Educação, claro, no sentido amplo. Penso na educação como aquilo que se ensina nos primórdios da existência: o significado de se dizer “bom dia”, a importância de se acionar a descarga da privada em um banheiro publico, a noção de que há algo de profundo e importante em se usar a palavra “por favor”, a noção de que se deve deixar as pessoas saírem primeiro antes de avançar para dentro do elevador.

Ao longo dos anos, o papel dos membros das famílias mudou. Os avanços da tecnologia, principalmente no século XX, ajudaram a libertar a mulher de duas tarefas básicas: lavar e cozinhar. Quer uma roupa lavada? Compre uma máquina de lavar. Não conseguiu preparar uma boa refeição? Agora existe o microondas. Resultado? Tivemos uma alteração radical no papel da mulher no mercado de trabalho e, como uma das consequências disto, o seu tempo ficou mais valioso: um minuto a mais com o bebê significa um minuto a menos no mundo dos negócios (e da possível realização profissional). Em outras palavras, educar um filho ficou mais caro. E a situação não mudará nos próximos anos: pelo contrário, todos querem aproveitar os benefícios da boa vida pela qual luta(ra)m.

Quando um bem que você deseja fica mais caro, a tendência é tentar se livrar dele ou comprá-lo a um preço menor. Em resposta a estas mudanças, empresários alteram as características de seus produtos. Isto é o que se pode observar nos modernos jardins de infância: há muito mais atividades (e mais diversificadas) neles hoje do que nos bons e velhos anos 60.

Em meio a tudo isto, um antigo rito de passagem teve seu significado bastante alterado: o de “passar no vestibular”. Antigamente, isto era quase um atestado parcial de maturidade dos filhos. Algo como: “meu filho, você agora é responsável, ensinamos a você quase tudo o que é básico. Daqui para a frente, especialize-se em um campo do conhecimento e use nossos ensinamentos para uma saudável vida em sociedade”. Nos termos deste artigo, o que os pais diziam pode ser traduzido como: “nós te educamos, agora vá ser instruído pelos mestres da academia”.

Isto mudou. Como já dito, os pais terceirizaram boa parte da educação dos filhos.  Querem que a escola – local de instrução, muito mais do que educação – inverta suas prioridades. O professor deve ensinar desde o significado do “bom dia” até os mais abstratos conceitos de Física. Não é só instruir – tarefa original do professor – mas também educar.

O que fazer? Minha sugestão é bem simples: as faculdades deveriam criar um serviço de acompanhamento psicológico e cobrar uma taxa adicional dos pais que queiram – como dito acima – terceirizar a educação. A mensalidade que se paga atualmente cobre a instrução, o ensino científico, mas não a educação.

Mais ainda: os pais devem estar cientes que o serviço não lhes garante que o filho não se transformará em um mau elemento, um criminoso, um espancador de faxineiras. Se nem os pais podem garantir isto, que se poderia esperar de professores cuja especialidade é transmitir o conhecimento, não ensinar boas maneiras?

Além disso, o governo não deveria se intrometer na formação deste pacote de serviços. Pelo contrário, deveria deixar que os pais escolhessem aquele que melhor lhes conviesse. Se alguns estão dispostos a arcar com o risco de educar melhor seus filhos, não precisam pagar por mais este serviço da faculdade. Já os que preferem uma jornada de trabalho mais extensa, mas não desejam que seus filhos percam muito da educação são prováveis clientes do pacote ampliado “educação + instrução“.

Moralmente falando, creio, é uma solução até mais correta do que o que observamos hoje: de um lado pais, que fingem ser papel das universidades educar e instruir e, do outro, as universidades, cuja função é instruir, fingindo que educam. Ao adotar a sugestão acima, pais e administradores de instituições de ensino ajudariam a diminuir um pouco desta hipocrisia através da definição do direito de propriedade sobre a educação do filho e de sua alocação para aqueles que mais a valorizam.

p.s. Recentemente ouvi o seguinte desabafo de um ex-chefe de departamento: “os pais brasileiros não se preocupam com a educação. Recebia muitos em minha sala e as reclamações se resumiam a apenas ‘eu paguei, é caro, passe meu filho’. Não é de uma hipocrisia ímpar um pai deste vir depois me falar que está revoltado com as travessuras do sr. da Silva e de seu grande amigo, o sr. Calheiros?

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Onde estão os blogs femininos de economia?

Uma busca pela internet parece sugerir uma escassez de blogs femininos de economia. NÃO estou me referindo às jornalistas econômicas que mantém blogs por isso fazer parte de sua profissão. Refiro-me à mulheres que escrevem blogs de economia por prazer. Parece que, no que se refere a blogs de economia, a supremacia é masculina.

No momento posso pensar em três explicações para tal fenômeno: 1) Efeito escala: existem muito menos mulheres do que homens cursando economia. Assim é natural que existam muito mais blogs de economia elaborados por homens do que por mulheres; 2) Aversão ao risco: evidências caricaturais parecem sugerir que mulheres são mais inseguras que homens, em palavras, elas têm mais medo de se expor. Isso também poderia explicar o pouco número de blogs femininos sobre economia; 3) Mulheres são menos altruístas do que homens. Assim, enquanto nós gastamos nosso tempo tentando “melhorar o mundo”, elas passam o tempo cuidando de assuntos que lhes interessam diretamente.

E aí, o que vocês acham?