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R-square

Você, fã de Econometria, que sempre sonhou com uma aula mais divertida, experimente R-square. Satisfação garantida, ou o Rafael devolve seu dinheiro.

Sim, Rafael é nosso ex-aluno.

Cultura · Desenvolvimento econômico

Cultura e Desenvolvimento Econômico

Se cultura fosse algo estático – como querem alguns amantes da petrificação (= “preservação”) de certos valores pitecantrópicos ainda encontrados em algumas sociedades – esta bela mensagem de paz de alguns exilados da Somália jamais chegaria até seu principal público-alvo: os somalis. E olha que já chega sob risco de vida dos cantores.

Não é que todo petrificador de ritos ancestrais seja mal-intencionado. O ponto é que a pretensão regulatória de suas propostas parecem ignorar totalmente o fato óbvio de que ele mesmo, o petrificador, é incapaz de prever as conseqüências intencionais de suas propostas intencionais.

Este é um problema que nem sempre o estudo do custo-benefício é capaz de tratar, em sua totalidade. E é por isto que eu desconfio sempre de propostas que nem estes imperfeitos estudos (de custo-benefício) apresentam.

blogosfera · Blogs de economia

Novo(s) e-book(s)

Já em fase de coleta de colaborações. A proposta é do Adolfo Sachsida. Alguns dos textos:

Isto sem falar que há mais propostas como a do Alex Castro.

Ah sim, você não entendeu errado: são dois e-books a caminho! O dos ditados populares (Sachsida) e o outro, mais geral, proposto pelo Alex (e editado por mim, Ari, André e Leo Monasterio). Contribuições são bem-vindas.

Economia do Crime

Como pensam os ladrões?

É a própria polícia quem diz: “incentivos importam”. Trecho:

Existem apenas pequenas diferenças regionais quando se faz um trabalho comparativo, segundo Bondaruk. Mas, na estratégia de delito, quando se analisa também aspectos comportamentais dos criminosos, ele afirma que, até agora, não encontrou nada de novo. “A cabeça do bandido é mais ou menos a mesma. E segue uma regra básica: a lei do menor esforço.”

Quanto tempo e dinheiro teria sido poupado se, há anos, as pessoas parassem de reclamar dos economistas e lessem mais o que eles escrevem, notadamente, Gary Becker. Bom, o pessoal desta pesquisa foi na direção correta. Vejamos mais detalhes da pesquisa:

Para garantir o caráter científico, dos mil questionários aplicados, apenas 287 foram considerados. “A colaboração voluntária era uma garantia para evitar invenção de dados”, explica Bondaruk.

O resultado da pesquisa prova, segundo o tenente-coronel, o que há muito tempo é estudado no Exterior, mas que ainda é pouco conhecido no Brasil: fatores ambientais exercem influência direta na segurança pública. Além disso, as primeiras análises demonstram que as informações coletadas têm caráter universal, ou seja, são semelhantes e aplicáveis em qualquer município.

Finalmente, o que a pesquisa tem de recomendações normativas?

Casa com muro é o alvo preferido dos bandidos. A sensação de segurança que o proprietário busca ao erguer uma muralha reverte em favor do ladrão na hora do assalto: serve de esconderijo, pois impede a visão de quem está do lado de fora. A informação é daqueles que mais entendem do assunto: os próprios assaltantes.

Ok, minha única dúvida: como é tratado o viés potencial derivado do fato de o próprio assaltante responder aos questionários? Provavelmente a resposta está na lei dos grandes números, mas, pela primeira vez, eu vejo uma reportagem citar uma pesquisa e se preocupar com falar de sua seriedade citando dados da amostra.

uso político da academia

O uso político da ciência

Após ouvir umas bobagens de seu chefe, Himmler, o holandês Bohmers, com boa formação acadêmica, ficou em situação de conflito:

Bohmers must have felt stunned. He, too, believed that the Cro-Magnon had evolved from the burly Neandertal, based on the finds from Mauern, and he was unaccustomed to taking scientific direction from amateurs. He had clearly reached major turning point in his career. He could continue gathering up evidence for his ideas on evolution, pursuing his own lights and paying the inevitable price for his stubbornness: scholarly obscurity. Or he could quietly drop all talk of evolution and build an important career in Germany with the help of the Ahnenerbe. He chose the latter. [Heather Pringle, The Master Plan – Himmler’s Scholars and the Holocaust, Harper, 2006,134-5]

O livro foi indicação do Filisteu e é um daqueles que leio em todo intervalo que consigo no dia. Muitos bons acadêmicos, ao se envolverem com o governo, muitas vezes, fazem como Bohmers. Aliás, Bohmers não é um caso isolado, mas sim um indivíduo representativo de significativa parte de colegas que conhecemos.

Outro caso típico, da mesma época, foi o colega de Max Weber, Werner Sombart. Acho que foi Hayek ou Mises que lembrou como a American Economic Association chegou a lhe dar um prêmio ou uma condecoração embora, claro, Hayek, na mesma época, estivesse muito mais preocupado com o uso da ciência pelos totalitários socialistas e nazi-fascistas.

Mas você não precisa ir tão longe no passado. Muitos acadêmicos, atualmente, calam-se porque recebem bolsas governamentais e/ou ocupam cargos públicos. Quando não preservam sua isenção, cometem o mesmo crime, talvez em menor intensidade, que Bohmer.

Não é que você não possa trabalhar para um grupo de interesse como o grupo de interesse que governa, faz lobby, ou faz oposição. Mas o que não é admissível é fazer como Bohmer e Sombart: adulterar as evidências e conclusões científicas.