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Ensinando Economia

Eis aqui algo interessante: quantas vezes você não ouviu de seu professor pterodoxo (aquele que odeia Microeconomia, por exemplo) que “isto que estou a ensinar de nada vale porque há muitas nuances no mundo real”? Este é fácil de refutar: qualquer modelo é uma simplificação da realidade. Não tem outro jeito.

Mas há outro argumento muito utilizado e que é, na verdade, uma falácia. Pode-se resumí-lo assim: “o pensamento econômico tem mais nuances do que este simples livro-texto”. Todo pensamento, econômico ou não, tem nuances, obviamente. Estas nuances, muitas vezes, são exceções resultantes de aspectos dos modelos estudados.

Ok, temos exceções à regra. Agora, desde quando uma exceção é sinônimo de refutação? Depende muito do grau de abstração do que se ensina. Por exemplo, uma demanda positivamente inclinada não coloca em risco a lógica econômica, mas a intransitividade de preferências – sob diversas hipóteses simplificadoras – pode colocar os defensores da economia do bem-estar social em sérias dificuldades.

Mas note a diferença de capital intelectual empregado nos dois exemplos acima. Um não exige nem que o aluno use um único neurônio de forma intensiva. Basta olhar uma curva que ele mal entende de onde veio (ainda mais se não aprendeu a equação de Slutsky) e se perguntar sobre se aquele desenho no quadro poderia ser invertido. O outro, por sua vez, exige um grande conhecimento de matemática e da literatura prévia sobre o tema. A diferença, sim, é brutal.

Quando se ensina Economia para gente que nunca teve contato com esta ciência, ou seja, falamos do primeiro curso de Economia na vida do sujeito, é importante que se aprenda princípios básicos. Claro, muitas dúvidas surgem na mente de qualquer um que esteja levando a sério o curso e este é o paradoxo interessante que todo bom aluno de Economia enfrenta: os cursos iniciais são mais difíceis do que os posteriores. Por que? Porque ele aprende algo abstrato sem entender direito de onde vêm os conceitos no princípio e, só depois, ao interiorizar estes conceitos (com muita matemática, claro), é que o sujeito começa a sedimentar melhor a teoria em sua mente além, claro, de continuar aprendendo sobre a intuição (agora mais sofisticada) dos conceitos básicos.

Há aqui uma proposição testável: todo aluno que diz que achou fácil o primeiro curso e difícil os subseqüentes (lecionados nos moldes que expus acima) certamente entendeu menos Economia do que os que dizem o oposto.

Obviamente, esta proposição está sujeita à Crítica de Lucas, se é que você me entende…

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